Sinistralidade: o que é, como calcular e importância

30 de maio de 2025 - por Diogo Silva


Sinistralidade é um termo muito comum, principalmente entre as operadoras de seguros. Isso porque trata-se de um índice determinante na manutenção do benefício do plano de saúde.

Aqui no Brasil o assunto viralizou um pouco mais nos últimos anos, pois o custo que as empresas têm para manter o plano de saúde dos funcionários tem aumentado cada vez mais. Isso faz com que elas cancelem o benefício pelo aumento da sinistralidade.

O que é sinistralidade?

 Esse é o principal índice dos contratos do plano de saúde, o que equivale à relação entre despesas com uso dos serviços médicos e a receita que determinada operadora recebeu pelo contrato.

Isso quer dizer que todas vezes em que o colaborador aciona o plano, seja para qual serviço for, é aberto um registro de ocorrência. Esse leva o nome de sinistro.

Ele representa um valor, que pode ser diferente dependendo da empresa. Isso vai de acordo com o que é determinado por seus planos e serviços.

Se uma empresa gasta R$100 mil por mês com plano de saúde para os colaborados e, em um ano, as operadoras gastarem R$90 mil com os serviços, quer dizer que 90% do dinheiro foi para cobrir as despesas médicas.

Isso é o que chamamos de sinistralidade, ou seja, é a relação entre o que a empresa paga e o que é usado nos atendimentos.

Como calcular a sinistralidade?

O cálculo da sinistralidade não é complexo. Pelo contrário, é bem simples:

Se uma empresa paga R$100 mil em plano de saúde por mês, esse valor representa R$1,2 milhão por ano.

Nesse período, os sinistros (exames, consultas e internações, por exemplo) somaram R$900 mil. Então é aplicada a fórmula:

Sinistralidade % = (900.000 / 1.200.000) x 100 = 75%.

Como avaliar a sinistralidade?

A sinistralidade, como qualquer outro indicador, não pode ser analisada sozinha. É aquele tipo de número que, se olhado fora de contexto, pode acabar levando a conclusões erradas.

Mesmo assim, ela continua sendo uma ferramenta valiosa para entender como está o desempenho da empresa — especialmente no mercado de seguros.

Podemos usar como exemplo: o índice ficou em 70%. Isso quer dizer que, de cada R$100,00 recebidos em prêmios, R$ 70,00 foram usados para cobrir despesas ligadas aos serviços prestados, como o pagamento dos sinistros.

Ou seja, quanto menor esse número, melhor. Significa que a empresa conseguiu segurar mais recursos, o que é ótimo do ponto de vista financeiro.

Mas é claro que não dá pra cravar um valor ideal que funcione pra todo mundo. Cada empresa tem sua realidade, com diferentes tipos de contratos, públicos e coberturas.

E também, se esse número sobe demais, pode ser necessário reajustar o preço dos planos. Nesse caso, quem dá o aval é o órgão regulador, que analisa se o aumento é mesmo justificável pra manter o equilíbrio da operação.

No fim das contas, entender a sinistralidade é importante, mas sempre com um olhar amplo, levando em conta o todo.

Quem determina a sinistralidade de uma empresa?

A sinistralidade da empresa é determinada pelo volume de uso do plano de saúde. O valor correspondente ao prêmio também influencia na taxa, mas ele é fixo, diretamente do sinistro.

Assim é possível afirmar que alguns fatores relacionados à saúde, na maioria negativos, podem causar um aumento significativo do índice. Entre os problemas mais comuns, estão:

  • Infraestrutura inadequada;
  • Disseminação de doenças;
  • Ambiente sem segurança psicológica;
  • Falta de hábitos saudáveis;
  • Desequilíbrio entre vida pessoal e profissional.

Como melhorar e reduzir a sinistralidade?

O uso indiscriminado de um plano de saúde por parte dos beneficiários pode resultar no aumento dos custos, fato que deve ser visto com cautela pelas seguradoras.

Então, é preciso implementar uma série de atitudes que têm como objetivo a redução dessa métrica tão importante para uma seguradora. Podemos citar as seguintes medidas:

  • Adoção de hábitos saudáveis: estimular a adoção de hábitos saudáveis por parte dos beneficiários costuma ser um importante aliado na prevenção de sinistros, uma vez que eles proporcionam muito mais saúde e disposição aos seus praticantes;
  • Estimular atitudes preventivas: esse método é muito comum para quem procura atendimento médico somente quando estão doentes e precisam de um tratamento rápido. Para resolver esse problema, é importante que os beneficiários criem rotinas de exames preventivos para tentar identificar as doenças em seu estado inicial, numa fase mais fácil de ser tratada.
  • Orientação adequada: esse precisa ser o papel da seguradora. Trata-se da adoção periódica das palestras e distribuição de panfletos informativos que visam educar os beneficiários. Assim os mesmo sabem utilizar, de forma eficaz, seus planos de saúde.

Consequências de uma alta sinistralidade

Quando a sinistralidade está alta, é como se a empresa estivesse sempre correndo atrás do prejuízo. Isso quer dizer que boa parte do que entra em receita está indo direto para cobrir despesas com sinistros, e aí sobra pouco para investir, crescer ou até manter o negócio saudável.

Esse tipo de situação geralmente acende um sinal de alerta. Pode indicar que os preços dos planos não estão bem ajustados, que o perfil dos clientes está mais arriscado ou que os custos não estão sendo bem controlados.

E quando o cenário aperta demais, a empresa acaba precisando pedir autorização para aumentar os preços, o que, claro, costuma deixar os clientes insatisfeitos.

Se isso vira rotina, a reputação também começa a sofrer. A empresa pode ser vista como mal gerida ou instável, o que afasta novos clientes e enfraquece sua posição no mercado.

Por isso, manter a sinistralidade sob controle não é só uma questão de números, é cuidar da saúde do negócio como um todo.

Fontes: Oriente Me; Suno; BWG; XVI Finanças; Mais Retorno; Piwi

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