18 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Insider Trading e Front Running são práticas ilegais que prejudicam a transparência e a confiança no Mercado de Capitais.
Previstas nas Leis 6.404/76 e 6.385/76 da CVM, essas condutas envolvem o uso de informações privilegiadas ou a antecipação de operações para obter vantagem indevida, e podem gerar consequências sérias para quem as pratica.
Neste texto, a gente te conta mais sobre isso. Vamos lá?
O que é front running?
O front running, que também pode aparecer como tailgating, trata de uma prática bem polêmica no mercado financeiro.
Ela acontece quando um corretor ou investidor se antecipa e realiza uma operação sabendo, de antemão, que uma grande transação está prestes a acontecer e que isso provavelmente vai mexer no preço daquele ativo.
Imagine que um corretor sabe que um cliente está prestes a comprar uma quantidade enorme de ações de uma empresa.
Essa compra tende a aumentar o preço do papel. Antes que o pedido oficial do cliente seja registrado, o corretor decide comprar algumas ações para si, apostando que vai lucrar quando o preço subir logo em seguida.
Até aí parece vantajoso, não é? Mas é justamente aí que mora o problema.
Afinal, essa atitude fere a confiança do mercado, prejudica investidores que não têm acesso a esse tipo de informação privilegiada e, por isso, é considerada ilegal em praticamente todos os países.
Por isso, além de comprometer a transparência, o front running pode resultar em multas pesadas, perda de licença profissional e até processos criminais para quem pratica.
Como funciona o front running?
Para entender melhor essa prática, é muito importante a gente refletir sobre o que está por trás dessa prática. O front running geralmente ocorre quando um corretor ou investidor se aproveita de informações que ainda não chegaram ao público.
Por exemplo, quando o corretor tem acesso antecipado a uma recomendação de compra feita por analistas de uma corretora ou banco. Essas recomendações, quando publicadas, costumam gerar uma corrida de investidores atrás daquela ação, o que naturalmente faz o preço subir.
Se o corretor compra antes da divulgação, ele lucra de forma indevida assim que o mercado reage.
Outro jeito de visualizar é pelo ganho rápido e injusto. Imagine que um gestor descobre que uma grande empresa vai fazer uma movimentação milionária comprando ações de determinada companhia.
Antes que essa ordem oficial seja executada, ele decide comprar por conta própria, apostando no aumento que virá logo depois.
O lucro, nesse caso, não vem da habilidade de análise ou da “sorte”, mas sim do uso de informação privilegiada, e é justamente isso que torna a prática ilegal.
O que é insider trading?
Insider trading é o nome dado à negociação de ações ou outros ativos com base em informações que ainda não foram divulgadas ao público. Em outras palavras, alguém se aproveita de um dado confidencial sobre uma empresa para comprar ou vender ativos antes que o mercado tenha acesso à mesma informação.
Esse tipo de informação pode vir de várias fontes: executivos que participam diretamente da gestão, membros do conselho que têm contato com decisões importantes, funcionários envolvidos em projetos sigilosos ou até pessoas próximas a eles.
Pense na situação em que uma empresa está prestes a anunciar uma fusão ou a lançar algum tipo de produto inovador. Essas notícias, quando chegam ao mercado, costumam impactar o preço das ações. Se alguém com acesso antecipado decide negociar antes do anúncio oficial, está praticando insider trading.
A prática é considerada crime em diversos países porque fere a transparência e a igualdade no mercado financeiro. Afinal, não é nada justo, pois enquanto investidores comuns baseiam suas escolhas em informações públicas, quem tem acesso privilegiado consegue vantagem indevida.
As consequências desse crime podem incluir multas milionárias, processos judiciais e até prisão, dependendo da gravidade do caso.
Como funciona o insider trading?
O insider trading acontece, como a gente viu, quando alguém que tem acesso a informações confidenciais de uma empresa utiliza esses dados antes que eles se tornem públicos para tirar vantagem no mercado.
Um exemplo clássico é o de um executivo que sabe, com antecedência, que sua companhia vai divulgar um relatório de lucros muito acima do esperado. Antes do anúncio oficial, ele compra ações da empresa, já prevendo que o preço vai disparar assim que o mercado reagir à boa notícia.
Esse mesmo raciocínio também pode ocorrer quando a gente pensa numa situação oposta, pois se a informação privilegiada indicar prejuízos ou uma crise interna, a pessoa pode vender suas ações antecipadamente para evitar perdas.
Em ambos os casos, a ideia é usar uma vantagem de informação restrita para negociar antes dos demais investidores.
Portanto, é justamente por criar esse desequilíbrio que o insider trading é considerado ilegal, já que coloca quem tem acesso a dados sigilosos em uma posição de vantagem injusta em relação ao restante do mercado.
Qual a diferença entre front running e insider trading?
A essa altura, é importante ficar claro que ambos os termos tratam de crimes.
O front running é quando alguém se aproveita do conhecimento de uma operação que ainda vai ocorrer para agir antes dela. É como se um corretor soubesse que um cliente pretende investir milhões em determinada ação. Antecipando-se, ele compra uma pequena quantidade antes que a ordem do cliente seja executada.
Quando a grande operação é realizada e o preço sobe, esse corretor lucra sem esforço, simplesmente por ter “passado na frente” usando informação antecipada sobre o movimento do mercado.
Já o insider trading envolve informações que não são públicas, geralmente vindas de dentro da própria empresa. Nesse caso, quem negocia está usando dados sigilosos, como resultados financeiros ainda não divulgados, fusões, aquisições entre outros.
O lucro vem do acesso a uma informação restrita, que só será conhecida pelo mercado em um momento posterior.
Portanto, fica claro que no front running, a vantagem está em conhecer uma operação prestes a acontecer e agir antes dela. No insider trading, a vantagem está em acessar informações internas e confidenciais da empresa que ainda não chegaram ao público.
E aí, curtiu o nosso conteúdo? Conta pra gente! Aproveite e leia também: Diferença entre lucro operacional e EBITDA
Fonte: Top Invest, mynt BTG Pactual.