14 de janeiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Muita gente fala sobre “o mercado financeiro” como se ele fosse uma entidade concreta, quase um organismo vivo. Mas a verdade é: o mercado financeiro, como a maioria imagina, não existe. Ele é uma abstração e é muito importante entender isso!
Veja mais: Diferenças entre mercado financeiro e mercado de capitais
Como funciona a bolsa?
Quando você compra uma ação pelo aplicativo do banco ou da corretora, normalmente usa a opção mais simples: digita a quantidade de ações e aceita o preço “a mercado”. Isso significa, na prática, que você está disposto a pagar o valor que estiver disponível naquele momento.
Mas quando olhamos para um home broker completo, a lógica fica muito mais clara. De um lado, existem pessoas dispostas a comprar ações por determinado preço e do outro, pessoas dispostas a vender. Um negócio só acontece quando esses dois lados concordam exatamente com o mesmo valor.
Se alguém quer comprar ações a R$ 21,90 e ninguém aceita vender por esse preço, não há negociação. Quando surge alguém disposto a vender a R$ 22, e um comprador aceita pagar R$ 22, o negócio acontece. Esse último preço negociado passa a ser o “valor” da ação naquele momento.
Ou seja, o preço de uma empresa é definido pela última negociação, não por uma média racional, nem pelo valor real do negócio.
Isso significa que uma fração muito pequena das ações negociadas é capaz de “avaliar” uma companhia gigantesca.
Manipulação do mercado
No Brasil, manipular diretamente o preço de uma ação é crime. Mas existe uma zona cinzenta muito relevante.
Quando um grande jornal divulga uma manchete negativa ou quando uma casa de análise recomenda compra ou venda com grande alcance, isso não é, tecnicamente, manipulação direta. Mas é ingenuidade achar que isso não influencia o comportamento dos investidores.
Essas recomendações são sempre feitas com o intuito de informar ou, em alguns casos, para favorecer posições já montadas?
Não é necessário que milhões de ações mudem de mãos. Às vezes, 0,3% ou 0,5% do capital negociado já é suficiente para movimentar preços e criar uma “realidade” de mercado. E é nessas situações que você pode estar sendo usado como massa de manobra.
A previsão cria a realidade
Em muitos contextos da vida, previsões não se concretizam só porque alguém falou sobre elas. No entanto, no mercado financeiro muitas vezes acontece o oposto.
Quando uma pessoa ou instituição com grande alcance diz que “uma ação vai cair”, os investidores reagem e vendem. E, ao vender, fazem o preço cair. A previsão passa a criar a própria realidade.
Isso ajuda a explicar por que, em diversos momentos, notícias pessimistas surgem exatamente quando os fundamentos das empresas estão melhores e vice-versa.
No entanto, é muito importante ter claro que cotação não é empresa. Aqui está um dos erros mais comuns do investidor iniciante e até de muitos experientes: confundir a empresa com a cotação da ação.
A cotação é volátil, sensível a notícias, é influenciada por fluxo e sentimento e facilmente manipulável no curto prazo. Já a empresa é composta por receita, lucro, endividamento, eficiência operacional e capacidade de gerar caixa ao longo do tempo
Investir olhando apenas para a cotação é investir na transação. Entretanto, se você olha para os fundamentos, está investindo no negócio.
O problema começa quando decisões são tomadas exclusivamente com base em recomendações, manchetes ou consenso de mercado. Ouvir o mercado, na maioria das vezes, é a pior estratégia possível.
Quer entender melhor sobre como o mercado funciona e o que você deve levar em consideração na hora de investir? Então, assista ao vídeo em que comento mais sobre!
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