Arquitetura de escolhas: o que é, como funciona e exemplos

2 de junho de 2025 - por Diogo Silva


Todos nós estamos constantemente expostos à arquitetura de escolhas, em todos os lugares. Na forma como o supermercado organiza suas prateleiras, na padaria diante das opções de comida, até mesmo nas lojas, quando nos deparamos com os produtos das mesmas.

Porém, muita gente não sabe identificar ou não compreende bem o que é isso e como nos impacta. Então, decidimos trazer uma explicação completa sobre o assunto. Confira a seguir.

O que é arquitetura de escolhas?

Arquitetura de Escolhas não é um arquiteto ou coisa do tipo, como muitos pensam, mas também cria projetos que ajudam as pessoas a tomarem melhores decisões. Porém, não se restringem a ambientes físicos.

Esse tipo de arquitetura é um desenho do contexto que tem como objetivo ajudar as pessoas a fazerem as melhores escolhas possíveis. Assim é possível se alinhar mais aos próprios objetivos. Ela vai ainda além da arquitetura física, essa que podemos pegar.

Um exemplo é a maneira como você apresenta informações, como faz perguntas num questionário, o tamanho da letra num formulário e etc. Na arquitetura de escolha o grande objetivo é ajudar o cidadão, o tomador de decisão, a errar menos e ser mais certeiro em suas escolhas.

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Como funciona a arquitetura de escolhas?

A arquitetura de escolhas, como foi dito, é a forma como a gente organiza as opções para ajudar as pessoas a tomarem decisões melhores, sem forçar nada. Sabe quando você entra num restaurante e as frutas estão logo na frente, bem visíveis, enquanto os doces ficam mais escondidos? Isso é um jeito sutil de incentivar escolhas mais saudáveis, mas sem proibir nada.

Quem pensa nisso cuida do jeito como as opções são apresentadas, com carinho e atenção ao comportamento humano. A ideia não é mandar, mas facilitar. Pequenas mudanças no ambiente podem fazer uma grande diferença nas escolhas do dia a dia.

Arquitetura de escolha e nudges

A arquitetura de escolha é o jeito como as opções são apresentadas. Vamos usar a mesma linha de raciocínio, trazendo um restaurante como exemplo. Se as saladas estão logo no começo do buffet e os doces no final, é mais provável que você escolha algo mais saudável primeiro.

Já o nudge é essa pequena mudança no ambiente que te incentiva a fazer boas escolhas, sem tirar sua liberdade.

Essas ideias respeitam o fato de que a gente nem sempre decide com calma ou com lógica. Muitas vezes, somos guiados pelo que está mais fácil, mais visível ou mais rápido.

Por isso, quando o ambiente é bem pensado, ele pode nos ajudar, sem a gente nem perceber. É como um amigo que não manda em você, mas te mostra um bom caminho de um jeito leve. No fim, a decisão ainda é sua, só ficou mais fácil de escolher bem.

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Aplicação da arquitetura de escolhas na prática

Com base no que falamos, a arquitetura de escolhas pode parecer algo difícil, um conceito distante, mas acredite, está presente em diversos momentos do nosso dia a dia.

Ela funciona como uma forma simples de organizar o ambiente que nos cerca. Assim podemos tomar as melhores decisões sem perder a liberdade de escolha.

Um exemplo disso é o que acontece nas escolhas. Quando as opções de lanche saudável para os alunos ficam mais expostas na cantina. Enquanto isso, os salgadinhos ficam no fundo.

Os alunos tendem então a escolher o mais saudável, mesmo que os menos saudáveis também estejam disponíveis.

No ambiente de trabalho, lembretes no computador para levantar, beber água ou marcar uma consulta são nudges que incentivam hábitos saudáveis de forma leve e prática.

Já nos aplicativos de finanças, gráficos simples que mostram onde você mais gasta ajudam a repensar seus hábitos de consumo; não dizendo o que fazer, mas deixando claro o impacto das suas decisões.

Na área da saúde, o agendamento automático da próxima dose de vacina, com a opção de remarcar ou cancelar, aumenta a adesão da população, porque torna o processo mais fácil e direto.

Esses são só alguns exemplos de como a arquitetura de escolhas pode ser aplicada de forma prática e inteligente para facilitar o nosso dia a dia.

O objetivo não é controlar, mas tornar o caminho das boas decisões mais acessível, mais claro e mais natural.

Como usar a arquitetura de escolha nos negócios?

Nos negócios, a arquitetura de escolhas pode ser usada para guiar clientes e colaboradores a tomarem decisões mais fáceis e alinhadas com os objetivos da empresa, sem pressionar.

Por exemplo, destacar um plano como “mais popular” em um site ajuda o cliente a escolher com mais confiança. Pré-selecionar opções, como renovação automática ou o plano mais econômico, também é um nudge comum e poderoso.

Em lojas físicas, posicionar produtos estratégicos em locais de destaque pode aumentar as vendas. Já na comunicação, oferecer poucas opções bem organizadas e com linguagem clara reduz a sobrecarga e melhora a experiência.

Até internamente, com a equipe, é possível aplicar esses princípios. Lembretes de bem-estar, formulários simples e escolhas visuais claras ajudam a criar um ambiente mais produtivo e saudável.

Origem e história da arquitetura de escolhas

A arquitetura de escolhas nasceu da vontade de entender por que a gente, mesmo sabendo o que é melhor, muitas vezes escolhe o mais fácil, o mais rápido ou o que está bem na nossa frente.

Essa ideia veio da economia comportamental, que olha para o ser humano como ele realmente é: cheio de hábitos, emoções e distrações.

Foi em 2008 que o conceito se popularizou com o livro Nudge, de Richard Thaler e Cass Sunstein. Eles mostraram que, com pequenos empurrõezinhos, os famosos nudges, é possível ajudar as pessoas a tomarem decisões melhores no dia a dia, sem forçar nada.

Não se trata de dizer “faça isso”, mas de organizar o ambiente para tornar a boa escolha mais fácil.

Desde então, esse jeito de pensar começou a ser usado em vários lugares, como no governo, nas empresas, em escolas, hospitais e até aplicativos.

O Reino Unido, por exemplo, criou até uma equipe oficial, a “Nudge Unit”, só para aplicar essas ideias em políticas públicas.

No fim das contas, a arquitetura de escolhas é sobre cuidar da forma como as opções chegam até nós. É um jeito gentil de ajudar as pessoas a fazerem boas escolhas, respeitando a liberdade de cada um.

Fontes: Nubank; The Decision Lab; Inside Be;

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