Holding de participações: o que é, como abrir e como funciona?

11 de junho de 2025 - por Diogo Silva


A Holding de Participações é uma sociedade empresarial com um objetivo principal de deter participações societárias em outras empresas. Elas são responsáveis por controlar e administrar esses investimentos. No contexto familiar, essa holding serve como estrutura para uma boa gestão sucessória e patrimonial.

No Brasil existem alguns exemplos de sucesso, que você verá ao longo desse texto. Confira a seguir a importância e como abrir uma holding empresarial.

O que é uma holding de participações?

Uma holding de participação é, basicamente, uma empresa criada para cuidar das suas outras empresas. Ela existe com a função de reunir e administrar tudo o que você já construiu, ou está construindo, em termos de negócios.

Em vez de se envolver diretamente com a operação do dia a dia, a holding funciona como uma espécie de “central de controle”, organizando suas participações e ajudando a tomar decisões mais estratégicas.

Esse tipo de estrutura costuma ser muito útil quando o patrimônio começa a crescer. Se você já tem ou pretende ter participação em mais de uma empresa, criar uma holding pode facilitar bastante a gestão.

Tudo fica mais claro, mais estruturado e muito mais fácil de acompanhar.

Imagine que você é sócio de três empresas. Em vez de lidar com cada uma separadamente, você pode criar uma holding para ser “dona” das suas participações. Assim, tudo passa a ser administrado num só lugar, com mais ordem e eficiência.

Outro ponto importante: quando você investe por meio de uma holding, em vez de usar seu CPF, você usa o CNPJ dessa empresa. Isso ajuda a proteger seu patrimônio pessoal, já que problemas em uma empresa não se misturam com seus bens pessoais. Essa separação entre pessoa física e jurídica traz mais segurança e tranquilidade.

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Como funciona uma holding de participações?

Essa holding, como dissemos, é uma forma inteligente de organizar e proteger o patrimônio. Em vez de deixar tudo misturado em uma única empresa, como imóveis, operações, investimentos, ela permite que cada parte fique separada em uma empresa própria, todas controladas por uma holding principal.

Isso traz mais clareza na gestão e, o mais importante, protege o que você construiu. Se uma empresa tiver problemas, as outras não são afetadas, porque estão juridicamente separadas.

É uma estratégia muito usada por quem quer crescer com segurança, manter o controle e evitar que um risco contamine todo o patrimônio.

Exemplo de holding de participações

Um dos maiores exemplos de holding de participação bem-sucedido é o Grupo Silvio Santos. A criação do mesmo foi feita para proteger um conglomerado empresarial diversificado. Ela foi desenvolvida a fim de centralizar a gestão das várias empresas do grupo, incluindo o SBT, Jequiti Cosméticos, Hotel Jequitimar e outros negócios.

A SS Participação atua como controladora das principais empresas do grupo. Isso da a ela o poder de decidir, de forma estratégica, o alinhamento e interesses de todas as empresas da mesma gestão. Além disso, a holding ainda protege o patrimônio pessoal do apresentador, separando-o juridicamente das operações empresariais.

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Vantagens e desvantagens da holding de participações

A holding de participações pode ajudar bastante na hora de pagar menos impostos de forma legal, organizar melhor os negócios da família ou mesmo proteger o patrimônio pessoal dos sócios.

Também é uma ferramenta muito útil quando se pensa no futuro, já que facilita o processo de sucessão entre pais e filhos, evitando conflitos e burocracias no momento em que a família mais precisa de tranquilidade.

Mas, como tudo na vida, também existem as desvantagens. Manter uma holding não é algo barato nem simples, envolve custos com contadores, advogados e uma estrutura mais organizada.

Além disso, se for usada só com a intenção de pagar menos impostos, sem um propósito real por trás, isso pode acabar gerando dor de cabeça com o fisco.

E mais; se a gestão da holding for feita de forma confusa ou desorganizada, ela pode acabar complicando ainda mais o que deveria ser simples.

Por isso, apesar das vantagens, é importante lembrar que uma holding não é uma solução mágica. Ela precisa ser bem pensada, bem planejada e conduzida com responsabilidade.

Feita da maneira certa, pode ser uma grande aliada para quem quer cuidar melhor dos negócios e do patrimônio da família.

Qual a diferença entre uma holding de participações e holding patrimonial?

Como dito, as Holdings de Participações são constituídas para controlar a diversificações de negócios de uma família ou grupo. Por meio delas são realizados os investimentos em vários negócios com participações parciais ou totalitárias. Elas são importantes e úteis para que uma Pessoa física não participe diretamente de negócios com terceiros, por exemplo.

Enquanto isso, as Holdings Patrimoniais são formatadas para deter o patrimônio de uma família, incluindo imóveis, aplicações financeiras, participações em negócios; gerindo estes bem e seus resultados. O principal foco é a sucessão familiar de forma planejada.

Essa estrutura precisa ser pensada de maneira que proteja o patrimônio de risco diversos, que são trazidos pelos sócios, geralmente pais, mães e filhos da família.

Como abrir uma holding de participações?

1. Entenda por que você quer uma holding

Antes de tudo, é importante saber qual é o seu objetivo. Quer proteger seu patrimônio? Organizar os negócios da família? Planejar a sucessão? Ou pagar menos impostos? Ter isso claro ajuda a montar a estrutura certa.

2. Escolha o tipo de empresa

A holding pode ser uma LTDA ou uma S/A. A escolha depende do tamanho e da complexidade do que você quer controlar.

3. Conte com bons profissionais

É essencial ter ao seu lado um contador e um advogado com experiência no assunto. Eles vão orientar todo o processo, desde a parte legal até a tributária, evitando erros que podem sair caro depois.

4. Crie o contrato social

Esse documento define tudo: quem são os sócios, qual é o capital, como a empresa será administrada e quais são as regras para distribuição de lucros, sucessão, entre outros. Quanto mais bem pensado, melhor para o futuro.

5. Registre a holding e tire o CNPJ

Depois do contrato pronto, você registra a empresa na Junta Comercial e tira o CNPJ na Receita Federal. Isso oficializa a criação da holding.

6. Transfira as participações para a holding

Com a holding já existente, é hora de transferir para ela as cotas ou ações das empresas que você quer que ela controle. Pode ser por doação, venda ou como parte do capital. É uma etapa que precisa ser bem planejada para evitar impostos desnecessários.

7. Mantenha tudo em dia

Mesmo que a holding não tenha atividade operacional, ela precisa ter contabilidade, declarar impostos e cumprir obrigações legais todos os anos.

8. Reveja a estrutura de tempos em tempos

A vida muda; família cresce, sócios entram ou saem, leis mudam. Por isso, vale a pena revisar a estrutura da holding de vez em quando para garantir que ela continue funcionando da melhor forma.

– Quem pode ter uma holding de participações?

1. Empresários e empreendedores

Pessoas que possuem uma ou mais empresas e querem organizar melhor sua estrutura societária, reduzir riscos, facilitar a gestão ou preparar a sucessão familiar.

2. Famílias com patrimônio relevante

Mesmo que não tenham empresas operacionais, famílias que possuem imóveis, investimentos ou outros bens podem usar uma holding para proteger o patrimônio, facilitar a partilha no futuro e economizar em impostos.

3. Sócios de empresas

Quando duas ou mais pessoas tocam negócios juntos, criar uma holding pode ajudar a estabelecer regras claras de convivência, proteger os bens de cada um e evitar conflitos societários.

4. Investidores

Pessoas que investem em várias empresas, startups ou imóveis podem criar uma holding para concentrar suas participações, facilitar o controle e eventualmente melhorar a tributação dos lucros.

5. Empresas

Uma empresa também pode ser dona de outra, formando uma holding empresarial. Isso é comum em grupos maiores, que criam estruturas específicas para gerir diferentes áreas de atuação ou subsidiárias.

– Quanto custa abrir um holding de participações?

Abrir uma holding de participações não tem um custo fixo, porque tudo depende da estrutura que você quer montar. Em casos mais simples, como uma holding familiar usada para organizar imóveis ou preparar uma sucessão, o valor costuma ficar entre R$ 4 mil e R$ 8 mil, já incluindo honorários de contador, advogado e taxas de registro.

Já se for algo mais complexo, com várias empresas, bens ou herdeiros envolvidos, esse custo pode passar de R$ 15 mil, especialmente se você contratar uma consultoria para um planejamento mais completo.

Além disso, é bom lembrar que há taxas da Junta Comercial, possíveis gastos com cartório e despesas para manter a contabilidade em dia.

No fim das contas, mais do que um gasto, a holding é um investimento na organização do seu patrimônio e na tranquilidade da sua família no futuro.

Outros tipos de holding

1. Holding Pura

É uma empresa que existe só para controlar outras empresas. Ela não faz negócio direto, só administra as participações que tem.

2. Holding Mista

Além de controlar outras empresas, ela também faz alguma atividade própria, como vender produtos ou prestar serviços.

3. Holding Familiar

Feita para organizar o patrimônio da família, facilitar a transferência dos bens para os herdeiros e evitar possíveis brigas ou confusões no futuro.

4. Holding Patrimonial

Focada em cuidar e proteger bens como imóveis, carros e investimentos, sem necessariamente ter participação em outras empresas.

5. Holding Empresarial

Criada para controlar um grupo de empresas, ajudando a organizar melhor a gestão e a crescer de forma mais planejada.

6. Holding Internacional

Montada em outro país para aproveitar benefícios fiscais, proteger bens e facilitar negócios fora do Brasil — sempre dentro da lei, claro.

Fontes: De Moura e Protásio; Master Consultores; Modelo Inicial; Euro Contábil; OHM;

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