Lucro real e lucro presumido: qual a diferença e qual escolher?

21 de julho de 2025 - por Diogo Silva


A tributação no Brasil não é algo tão simples de entender. É preciso muito cuidado na hora de definir o regime a se seguir na empresa. É interessante conhecer o Lucro Real e Lucro Presumido antes de tudo. As diferenças entre eles consitem no cálculo dos tributos e tipo de negócio, segundo a receita apurada.

E por isso preparamos esse artigo, listando tudo o que é preciso saber antes de tomar uma decisão. Confira a seguir.

Leia também: Lucro bruto: o que é, como calcular e exemplos

O que é lucro real?

O lucro real é uma forma de calcular os impostos que leva em conta o que a empresa realmente ganhou, depois de pagar todas as suas despesas. Ou seja, se sobrou dinheiro no fim do mês, ela paga imposto sobre esse valor.

Se não sobrou nada ou teve prejuízo, pode até não pagar imposto naquele período. Esse modelo é mais usado por empresas maiores ou por aquelas que, por lei, são obrigadas a usá-lo, como bancos ou negócios com faturamento muito alto.

Também pode ser uma escolha inteligente para empresas com margens de lucro pequenas, já que elas pagam menos imposto do que pagariam em outros regimes.

A principal diferença é que o lucro real exige uma contabilidade bem organizada, com tudo registrado certinho, porque o cálculo dos impostos depende diretamente desses dados.

O que é lucro presumido?

O lucro presumido é uma forma simplificada de calcular dois impostos que as empresas pagam: o IRPJ e a CSLL. Em vez de usar o lucro real da empresa, o governo estima quanto ela lucrou com base no faturamento e no tipo de atividade que exerce.

Por exemplo, para uma empresa de serviços, o governo pode considerar que 32% da receita é lucro, mesmo que o lucro real seja maior ou menor que isso.

Esse modelo é bastante usado por empresas de médio porte ou por quem prefere menos burocracia, já que os cálculos são mais simples e o controle contábil é menos exigente.

Por outro lado, se a empresa tiver muitas despesas ou um lucro baixo de verdade, pode acabar pagando mais imposto do que deveria, porque o valor é fixado por estimativa, não pela realidade do negócio.

Qual a diferença entre lucro real e lucro presumido?

A principal diferença entre lucro real e lucro presumido está na forma como os impostos são calculados.

No lucro real, a empresa paga imposto sobre o que realmente lucrou, depois de descontar todas as despesas. É mais fiel à realidade, mas exige uma contabilidade bem detalhada.

Já no lucro presumido, o governo faz uma estimativa do lucro com base no faturamento e no tipo de atividade da empresa, sem olhar para os gastos reais. É mais simples e prático, mas pode ser menos vantajoso para quem tem muitas despesas ou lucro baixo.

De forma direta e para facilitar o entendimento, o lucro real é mais preciso e detalhado, o presumido é mais fácil e rápido. A escolha depende do tamanho da empresa, da organização financeira e do quanto ela realmente lucra.

Leia também: Lucro: entenda melhor esse importante conceito

Tributação do lucro real e lucro presumido

Como foi dito, quando uma empresa precisa pagar impostos, ela pode escolher entre duas formas principais: o lucro real e o lucro presumido. A diferença está em como o governo calcula esses impostos.

No lucro real, o imposto é calculado sobre o que a empresa realmente ganhou, ou seja, o que sobrou depois de pagar todas as contas. O IRPJ é 15% desse valor, e se o lucro passar de R$ 20 mil por mês, ainda tem um adicional de 10%.

A CSLL fica em torno de 9%. Além disso, tem o PIS e a COFINS, que nesse caso são cobrados com alíquotas maiores (1,65% e 7,6%), mas a empresa pode descontar créditos, o que ajuda a pagar menos imposto no final.

Enquanto no lucro presumido, o governo faz uma conta mais simples: ele calcula o imposto sobre uma porcentagem fixa do faturamento, que varia conforme o tipo de atividade da empresa.

Por exemplo, para comércio o percentual é 8%, e para serviços, 32%. Com base nisso, calcula-se o IRPJ de 15% (mais um adicional de 10% se passar de R$ 60 mil por trimestre) e a CSLL de 9%. O PIS e a COFINS são cobrados com alíquotas menores (0,65% e 3%), mas sem poder descontar nada, ou seja, o imposto é um pouco mais fechado.

Quem pode ou não aderir ao lucro real e ao lucro presumido?

No Brasil, nem toda empresa pode escolher de qualquer jeito se vai usar lucro real ou lucro presumido para calcular os impostos.

O lucro real é obrigatório para quem fatura mais de R$ 78 milhões por ano, além de bancos, corretoras e outras instituições financeiras.

Também entram nessa lista empresas que têm algum benefício fiscal ou fazem atividades que a lei exige usar o lucro real. Mas, mesmo quem não precisa, pode escolher esse regime se achar que combina melhor com o seu jeito de trabalhar.

Já o lucro presumido é mais para empresas que faturam até R$ 78 milhões por ano e não estão entre essas exceções, tipo bancos e algumas outras atividades específicas.

Esse modelo é mais simples e muita gente gosta porque tem menos burocracia e é mais fácil de entender. Só que tem uns tipos de empresa, como factoring e securitizadoras, que não podem usar o lucro presumido.

Vantagens e desvantagens do lucro real e do lucro presumido

No lucro real, você paga imposto só sobre o que a empresa realmente ganhou. Então, se teve prejuízo ou lucrou pouco, paga menos imposto.

Também dá para descontar várias despesas e créditos, o que ajuda a reduzir o valor final. Esse jeito é ótimo para empresas maiores ou com negócios mais complicados.

Mas, por outro lado, exige uma contabilidade bem organizada, dá mais trabalho e pode sair mais caro para manter, porque o cálculo dos impostos é mais complexo e precisa de gente especializada.

Já no lucro presumido, o cálculo é bem mais simples e rápido, com menos burocracia. É uma boa opção para empresas que têm uma margem de lucro maior e querem pagar um valor fixo, baseado no que faturam.

Além disso, a contabilidade costuma ser mais fácil e barata. Mas tem um ponto negativo: como o governo calcula o imposto baseado numa estimativa do lucro, você pode acabar pagando mais do que realmente ganhou.

Também não dá para descontar as despesas no cálculo, o que pode pesar se sua empresa tem muitos gastos. E é bom lembrar que esse regime não é permitido para empresas grandes ou para alguns tipos de negócio.

Qual regime tributário escolher para empresa?

Escolher o regime tributário certo depende muito do tamanho da empresa, do quanto ela fatura e de como ela organiza as contas.

Para empresas menores ou que querem algo mais simples, o lucro presumido costuma funcionar bem, porque é mais fácil de calcular e tem menos burocracia. Mas se a empresa tem muitos gastos ou lucro pequeno, pode acabar pagando imposto a mais.

Já para empresas maiores ou que têm uma contabilidade bem feita, o lucro real costuma ser melhor, porque você paga imposto só sobre o que realmente ganhou, levando em conta todas as despesas.

O lado ruim é que dá mais trabalho e pode custar mais para cuidar da contabilidade.

No final, o ideal é pensar no perfil da sua empresa e escolher o que for mais tranquilo e vantajoso para o seu dia a dia. Quer que eu te ajude a descobrir qual é o melhor para você?

Como mudar de regime tributário?

Mudar o regime tributário da empresa não é complicado, mas precisa ser feito na época certa, geralmente no começo do ano.

Você precisa avisar a Receita Federal sobre a mudança e isso costuma ser feito quando entrega a declaração anual. É importante estar com a contabilidade em dia e, se puder, contar com um contador para ajudar.

Também tem umas regras para essa troca, como o limite de faturamento que pode impedir escolher certos regimes. Se a empresa estiver no Simples Nacional, a mudança também precisa ser informada e seguir os prazos.

O ideal é planejar bem essa troca, entender o que é melhor para o seu negócio e, claro, pedir ajuda para não errar. Quer que eu te mostre os passos para fazer isso?

Fontes: Remessa Online; Santander; Manto Advogados; Sebrae; Keevo

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