22 de maio de 2025 - por Diogo Silva
O Sistema de Reserva Fracionária ajuda a movimentar a economia como um todo. É quando uma pessoa deposita seu dinheiro no banco e a instituição mantém apenas parte dele, destinando o restante para empréstimos, fazendo-o girar. Mas não quer dizer que você perdeu aquele valor ou que não pode sacá-lo a qualquer momento.
Assim como o seu dinheiro foi colocado em giro, os demais também. Logo, é possível ter acesso a qualquer momento. Funciona com confiança na instituição. Confira mais detalhes a seguir.
O que é reserva fracionária?
A reserva fracionária ou sistema de reserva fracionária é o nome dado à permissão para que os bancos possam fazer empréstimos e operações financeiras com valor superior aos depósitos que estão em seu caixa. Isso quer dizer que, com essa reserva, estas instituições podem emprestar ou investir dinheiro que não possuem no momento.
Assim, a reserva fracionária seria o valor mínimo, que corresponde a uma fração dos depósitos bancários, onde a instituição seria obrigada a manter em seu caixa por lei, seja em forma de dinheiro ou ativos com alta liquidez. Nesse caro, a reserva ficaria mantida dentro do banco ou depositada junto ao Banco Central.
Como funciona o sistema de reserva fracionária?
O sistema de reserva fracionária é basicamente o jeito que os bancos funcionam para fazer o dinheiro circular na economia.
Quando você deposita seu dinheiro no banco, ele não fica lá parado, guardado num cofre esperando você voltar para sacar.
O banco pega a maior parte desse valor e empresta para outras pessoas ou empresas, e guarda só uma pequena parte como segurança, caso alguém queira sacar. Isso acontece o tempo todo, com milhões de contas, e é assim que o dinheiro acaba se espalhando e movimentando tudo ao nosso redor; comércio, crédito, financiamento, investimentos.
O sistema funciona bem enquanto todo mundo confia que, quando precisar, vai conseguir acessar o próprio dinheiro. Mas a verdade é que, se todo mundo resolvesse sacar ao mesmo tempo, o banco não teria como pagar, porque boa parte desse dinheiro já estaria emprestada. É um sistema baseado em confiança e equilíbrio, que permite crescimento, mas também exige cuidado.
– Exemplo de como funciona a reserva fracionária
Imagine que alguém deposite R$ 1.000 no banco. Esse dinheiro aparece na conta, disponível, mas o banco guarda só uma parte dele, algo como R$ 100, e empresta o resto para outra pessoa.
Esse dinheiro emprestado volta a circular e é usado para compras, cai na conta de outra pessoa, e o ciclo recomeça. A cada volta, o banco guarda um pedacinho e empresta o restante.
Assim, aquele depósito inicial vai gerando uma corrente de crédito na economia. O mais curioso é que, mesmo o dinheiro estando em uso por outras pessoas, quem depositou ainda enxerga os R$ 1.000 na conta. Tudo funciona com base na confiança de que, quando alguém quiser sacar, o banco vai conseguir pagar.
Vantagens e desvantagens da reserva fracionária
Diferente do que muitos pensam, não é só o banco que desfruta das vantagens desse sistema, embora fique com a maior parte. Os clientes também recebem parte desse lucro em forma de juros pelo dinheiro que guardaram em suas contas ao longo do tempo.
Os governos nacionais também fazem parte do esquema e, frequentemente, defendem diretamente que esse sistema estimula os gastos e proporciona estabilidade e crescimento na economia.
Em contrapartida, muitos economistas apontam insustentabilidade e risco na reserva fracionária, principalmente quando consideramos o modelo monetário atual, implementado pela maioria dos países. Ele é, na verdade, baseado em crédito/dívida e não em dinheiro de verdade.
O sistema econômico depende da premissa de que os clientes confiam cegamente nos bancos e na moeda fiduciária, estabelecida como oficial pelos governantes.
Reserva fracionária e a Corrida dos bancos
Agora, imagine a seguinte situação: de repente, todos os clientes de um banco resolvem aparecer ao mesmo tempo querendo sacar todo o dinheiro que têm na conta.
Isso, que é conhecido como uma “corrida aos bancos”, pode ser um grande problema. Como o banco só é obrigado a manter uma pequena parte do dinheiro em reserva, ele simplesmente não teria como atender a todo mundo de uma vez. E, sem conseguir entregar o que prometeu, acaba correndo o risco real de quebrar.
Para que o sistema de reservas fracionárias funcione como deveria, é essencial que essa situação extrema, de todo mundo tentando sacar o dinheiro ao mesmo tempo, não aconteça.
Felizmente, esse tipo de comportamento não é comum. Ele costuma aparecer quando há um clima de desconfiança muito grande, quando os clientes começam a suspeitar que o banco está com problemas sérios e pode não conseguir devolver o que é deles.
Um exemplo marcante disso aconteceu durante a Grande Depressão, nos Estados Unidos. Naquela época, muitos bancos foram à falência porque as pessoas, desesperadas, correram para tirar seus depósitos, tudo de uma vez. Desde então, muita coisa mudou.
Hoje, os bancos são obrigados a manter uma parte dos depósitos em reserva e, em alguns casos, eles optam por guardar até mais do que o mínimo exigido. Isso é feito justamente para evitar que uma situação como aquela volte a se repetir e para garantir que, se alguém quiser sacar seu dinheiro, ele esteja disponível ali, sem sustos.
Diferenças entre o sistema de reserva fracionária e reserva de 100%
A diferença entre o sistema fracionário e a reserva de 100% está em como o banco lida com o dinheiro que você deposita.
No sistema fracionário, o banco guarda só uma parte do valor e empresta o resto para outras pessoas. Já na reserva de 100%, o banco seria obrigado a guardar todo o seu dinheiro, sem poder usar nada dele para empréstimos.
Na prática, o sistema fracionário faz o dinheiro circular mais e ajuda a movimentar a economia, mas depende da confiança de que nem todo mundo vai querer sacar tudo ao mesmo tempo.
Já a reserva de 100% dá mais segurança, mas limita bastante o crédito e o crescimento econômico.
História do sistema de reserva fracionária
Esse sistema é mais velho do que você imagina! Ele foi criado em 1668, quando o Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank) se tornou o primeiro banco central do mundo. A principal ideia era de que os depósitos em dinheiro poderiam crescer e se expandir cada vez mais, estimulando a economia por meio de empréstimos. Isso logo se popularizou.
Fazia muito sentido usar os recursos disponíveis para estimular gastos, em vez de simplesmente acumulá-los em um cofre. Depois que a Suécia tomou diversas medidas para tornar a prática ainda mais confiável, a estrutura de reserva fracionária se consolidou e se espalhou rapidamente.
Dois bancos centrais foram criados nos Estados Unidos, sendo o primeiro em 1791 e outro em 1816. No entanto, nenhum deles deu certo. No ano de 1913, o Federal Reserve Act criou o Federal Reserve Bank dos Estados Unidos, se tornando o banco central americano. Os objetivos das instituições em questão eram estabilizar, maximizar e supervisionar a economia no que diz respeito aos empregos, preços e taxas de juros.
Fontes: Suno; Investopedia; Academy; Anarcoments