30 de maio de 2025 - por Diogo Silva
O Serviço de Proteção ao Crédito, ou SPC, como conhecemos, pode ser um verdadeiro terror para os consumidores. Isso porque é o órgão responsável por fiscalizar as dívidas e contribuir para a negação de novos créditos na praça. Mas, para não correr o risco de ser negativado, existem algumas dicas que pode ajudar.
Nesse texto nós explicamos melhor o que é esse órgão, como ele funciona e como evitar ter o seu nome negativado. Confira a seguir.
O que é SPC (Serviço de Proteção ao Crédito)?
O Serviço de Proteção ao Crédito, ou SPC, como é mais conhecido, é uma organização que armazena os dados sobre dívidas. O órgão ainda monitora as informações relacionadas as atividades dos consumidores, protegendo assim o mercado de crédito.
O serviço registra dados positivos e negativos de consumo, como quando você faz o pagamento de alguma conta ou se há dívidas pendentes. De forma direta, o SPC ajuda as empresas a avaliarem bem o risco de conceder crédito a consumidores, baseando isso em movimentações no mercado.
Se o pagamento de uma conta atrasar, por exemplo, a empresa pode solicitar que seu nome entre no SPC. A inclusão alerta outras empresas sobre o risco de conceder crédito para o inadimplente.
Como funciona o SPC?
Na busca por proteção, o SPC coleta informações de bancos, empresas e instituições financeiras a respeito do comportamento de crédito dos consumidores.
O SPC fornece os dados necessários sobre inadimplência ou pagamento regular para que as empresas consigam analisar e decidir se irão conceder créditos ao consumidor em questão ou não.
Quando você cumpre com as obrigações financeiras, esses dados são registrados, e o histórico positivo influencia no acesso ao crédito no futuro.
Mas, se você tiver uma dívida pendente, como pagamento não realizado ou atrasado, seu nome poderá ficar negativo e você ter dificuldades de conseguir crédito no mercado.
Como o nome vai para o SPC?
O consumidor que deixar de pagar uma dívida, terá seu nome negativado no SPC. Não existe um prazo para que o credor inclua o nome do cliente no SPC. Desta forma, se a dívida tiver vencido há um dia, o consumidor já corre o risco de ter o nome negativado.
A notificação de registro de débito pode ser entregue por meio de SMS, carta física ou e-mail, sendo feita pelo SPC Brasil. O órgão faz isso após o pedido da empresa credora antes de a dívida ser registrada na base de dados de inadimplência.
É importante ainda ressaltar que os bancos de dados são diferentes e o registro de uma dívida pode sim constar em um birô de crédito, mas não em outro.
O que fazer se meu nome estiver no SPC?
Se o seu nome for parar no SPC, o primeiro passo é identificar a instituição que registrou o débito. É possível fazer essa verificação no SPC Consumidor. Então, depois de identificar a emissora da dívida, é hora de entrar em contato para consultar as opções de regularização disponíveis.
Diversas empresas, financeiras e bancos oferecem opções para que seja feito o parcelamento ou renegociação de dívidas. A quitação da dívida ou acordo com a empresa poderá evitar que seu nome permaneça negativado, impedindo novos créditos na praça.
Vale ressaltar que alguns órgãos ou birôs de proteção ao crédito também realizam campanhas com descontos vantajosos para quem deseja fazer renegociação.
Quais as consequências de ter o “nome sujo” (negativado) no SPC?
Ter o nome no SPC pode trazer várias dificuldades no dia a dia. A principal delas é a restrição de crédito, o que significa que fica muito mais difícil conseguir empréstimos, financiamentos, cartões ou até mesmo parcelar compras. O score de crédito também cai, o que complica ainda mais futuras aprovações.
Além disso, bancos podem recusar a abertura de contas, empresas podem deixar de contratar candidatos com o nome sujo, principalmente em cargos que envolvem finanças, e alugar um imóvel pode virar dor de cabeça, já que imobiliárias costumam consultar o CPF.
A dívida ainda pode crescer com juros e, em alguns casos, virar uma cobrança judicial. Para resolver, é só consultar a dívida (pelo SPC ou Serasa), negociar o pagamento e, após quitar ou fechar um acordo, o nome sai da restrição em até cinco dias úteis. Resolver isso traz mais tranquilidade e abre novas portas.
Como consultar e quitar as dívidas no SPC?
Consultar e quitar suas dívidas no SPC é mais simples do que parece. O primeiro passo é acessar o site oficial do SPC Brasil (www.spcbrasil.org.br) ou baixar o aplicativo SPC Consumidor. Lá, você pode fazer um cadastro gratuito e consultar se há alguma pendência registrada no seu CPF.
Depois de identificar as dívidas, o próprio site costuma oferecer opções de negociação, com possibilidade de parcelamento ou até descontos para pagamento à vista. Em muitos casos, dá para resolver tudo online mesmo, sem precisar sair de casa.
Se preferir, também é possível ir até uma Câmara de Dirigentes Lojistas da sua cidade, que é parceira do SPC, e fazer a consulta pessoalmente. Leve um documento com foto e o CPF.
Depois que a dívida for quitada ou renegociada, o nome deve ser retirado do cadastro de inadimplentes em até cinco dias úteis. A dica é guardar o comprovante de pagamento e acompanhar o processo, só para garantir que tudo corra certinho.
Dicas para evitar ter o nome negativado
Como ficou claro, ter o nome negativado pode causar muita dor de cabeça. Para evitar esse problema, confira algumas dicas que podem colaborar para manter as contas em dia.
- Planejamento financeiro: a partir de um bom planejamento financeiro, a pessoa consegue ter clareza no quanto ganha, quanto gasta e se organizar para montar sua reserva de emergência, além de fazer investimentos e identificar os gastos desnecessários, evitando assim o acúmulo de dívidas.
- Não gaste mais do que ganha: parece a dica mais óbvia, mas essencial! Manter um equilíbrio entre receitas e despesas, e fazer as compras baseadas no quanto ganha é fundamental. Se o valor for muito alto, podendo ultrapassar os ganhos mensais, é preciso se programar e guardar mais dinheiro antes de realizar a compra;
- Atenção as datas de vencimento: para evitar atrasos que podem causar problemas, registre todas as datas de vencimento de suas dívidas em aberto. Use uma agenda, planilha ou aplicativos de finanças. Se possível, faça uma programação para que todas as contas vençam no mesmo dia.
- Use o débito automático: esta é uma ótima possibilidade de pagamento, que facilita na hora de pagar. Coloque em débito automático as contas mais importantes, como aluguel, luz, internet e água.
Importância do SPC
O SPC tem um papel bem importante no funcionamento do mercado. Ele existe para proteger quem vende a prazo e ajudar quem compra a manter o controle das suas dívidas.
Basicamente, o SPC funciona como um banco de dados onde ficam registradas as informações de quem está com pagamentos em atraso.
Isso ajuda as empresas a decidirem com mais segurança se devem ou não liberar crédito para uma pessoa. Do outro lado, também serve como um sinal de alerta para o consumidor, se o nome foi parar lá, é um indicativo de que algo precisa ser resolvido.
Além disso, o SPC contribui para um mercado mais organizado e justo, porque incentiva o pagamento das contas em dia e evita prejuízos para lojistas e instituições financeiras.
Quando bem usado, ele também pode ser um aliado do próprio consumidor, já que dá acesso a informações que ajudam a limpar o nome e recuperar o crédito mais rapidamente.
Qual a diferença entre SPC e Serasa?
Embora SPC e Serasa façam praticamente a mesma coisa, que é registrar e informar sobre dívidas em atraso, eles são empresas diferentes e têm algumas particularidades.
O SPC Brasil é ligado às Câmaras de Dirigentes Lojistas e é mais focado no comércio. Então, quando você deve em lojas, crediários ou estabelecimentos comerciais, é bem provável que seu nome vá parar no SPC.
Já a Serasa tem uma atuação mais ampla e costuma ser usada por bancos, financeiras, operadoras de cartão de crédito e empresas de serviços, como água, luz e telefone. É por isso que dívidas com instituições financeiras geralmente aparecem primeiro na Serasa.
Mesmo com essas diferenças, os dois têm o mesmo objetivo: informar empresas sobre quem está ou não em dia com as contas, ajudando na hora de decidir se vão aprovar crédito ou não. Por isso, vale a pena consultar os dois quando for verificar a situação do seu CPF.
Qual a diferença entre SPC e SCPC Boa Vista?
O SPC Brasil e o SCPC Boa Vista (Serviço Central de Proteção ao Crédito) são parecidos na função, mas também têm diferenças importantes, principalmente em relação à origem e ao tipo de empresas com as quais se conectam.
O SPC Brasil tem uma base muito forte no comércio varejista. Ou seja, quando você tem uma dívida em lojas, crediários ou pequenos comércios, ela provavelmente vai parar no SPC.
Já o SCPC Boa Vista é gerenciado pela empresa Boa Vista Serviços, que surgiu a partir do cadastro do antigo SCPC da Associação Comercial de São Paulo.
A Boa Vista tem uma presença mais marcante entre empresas de serviços, indústrias, e algumas financeiras, além de oferecer análises de crédito mais detalhadas para o mercado.
No fim das contas, os dois servem para a mesma coisa: registrar dívidas em atraso e ajudar as empresas a decidirem se devem ou não aprovar crédito.
Mas como cada um atende perfis diferentes de empresas, uma dívida pode aparecer em um e não no outro. Por isso, se você estiver conferindo seu CPF, o ideal é olhar tanto no SPC quanto no SCPC Boa Vista, assim você não corre o risco de deixar passar nada.
História do SPC
O SPC Brasil surgiu nos anos 1950, quando os lojistas perceberam a necessidade de proteger suas vendas a prazo criando um cadastro com nomes de quem estava com dívidas em aberto.
Inicialmente, era um sistema local, mas com o tempo as Câmaras de Dirigentes Lojistas se uniram e criaram uma rede nacional.
Com a chegada da internet, o SPC se modernizou e hoje é uma das principais referências em análise de crédito no país.
Além de ajudar empresas a vender com segurança, também permite que consumidores consultem seu CPF, negociem dívidas e recuperem o crédito.
Mesmo com a história longa, o SPC segue atualizado e é fundamental para um mercado mais justo e equilibrado.
Fontes: Suno; Serasa; Meu Tudo; Invest News;