BLACKROCK move US$ 2,1 TRILHÕES: o que eles estão VENDO?

23 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)


Nos últimos meses, um movimento silencioso da maior gestora de ativos do mundo chamou a atenção do mercado financeiro. Sem anúncios oficiais ou grandes comunicados, a BlackRock realizou uma realocação massiva de capital e isso reacendeu discussões sobre dívida global, juros, dólar e diversificação internacional.

Mas o que realmente está acontecendo? E o que isso pode significar para investidores e para a economia global? É sobre isso que vou explicar hoje!

O que é a dívida global?

Hoje, a dívida total do planeta gira em torno deUS$ 251 trilhões, o equivalente a aproximadamente235% do PIB mundial.

Esse número ajuda a entender por que o tema dívida pública se tornou central no debate econômico. No entanto, nem toda dívida é igual. Existe uma diferença importante entre:

  • Dívida usada para investimento produtivo (infraestrutura, indústria, inovação)
  • Dívida usada para consumo e gastos correntes

Países desenvolvidos costumam se endividar para gerar crescimento econômico futuro. Já economias mais frágeis, frequentemente usam a dívida para cobrir despesas imediatas, o que pode aumentar riscos fiscais ao longo do tempo.

Nos últimos anos, porém, o endividamento elevado deixou de ser exceção e passou a ser o novo normal, inclusive nas maiores economias do mundo.

A dívida dos Estados Unidos

Os Estados Unidos registraram um aumento significativo de dívida recentemente:

  • Janeiro de 2025: US$ 36,1 trilhões
  • Dezembro de 2025: US$ 38,4 trilhões

Ou seja, um crescimento de cerca deUS$ 2,3 trilhões em apenas 11 meses.

O custo anual dos juros já gira entreUS$ 900 bilhões e US$ 1 trilhão. Quanto maiores as taxas de juros, maior o custo da dívida e mais rápido ela cresce. E isso cria um efeito estrutural: a dívida passa a crescer mais rápido que a economia.

Por que o mercado não gosta da dívida alta?

Existe um mito comum de que o mercado financeiro se beneficia de juros elevados. No entanto, na prática, o cenário é mais complexo.

Juros altos encarecem o crédito, reduzem investimentos produtivos, dificultam abertura de capital e IPOs e desaceleram o crescimento econômico

Ou seja, apesar de beneficiar aplicações em renda fixa, taxas elevadas por muito tempo prejudicam o dinamismo econômico.

O movimento silencioso da BlackRock

A grande mudança recente foi aredução da exposição à dívida pública americanae maior diversificação geográfica.

Esse movimento incluiu a redução de investimentos em títulos públicos dos EUA e também em parte das ações americanas. Em contrapartida, a gestora aumentou os investimentos na Europa, Suíça, Noruega, Reino Unido, China e até em mercados emergentes altamente commoditizados como Brasil e África do Sul.

Esse reposicionamento sugere uma busca pormenor concentração em dólare maior diversificação global.

Movimento não é isolado

A BlackRock não está sozinha nessa mudança. Outros grandes investidores globais também reduziram exposição à dívida americana:

  • China reduziu cerca deUS$ 300 bilhõesem Treasuries na última década
  • Japão reduziu cerca deUS$ 220 bilhões desde 2022
  • Europa e Oriente Médio também diminuíram gradualmente suas posições

Isso acontece enquanto os EUA aumentam fortemente a emissão de dívida. O resultado é que o mercado exige juros maiores para continuar financiando o país.

O que dizem grandes investidores globais

Alguns dos principais nomes do mercado têm alertado para riscos estruturais.

O CEO da BlackRock tem destacado o crescimento insustentável da dívida americana, a importância de ativos reais e a necessidade de diversificação global.

Ray Dalio, fundador da Bridgewater, também defende que o mundo pode estar entrando em uma nova fase do ciclo econômico global, marcada por: endividamento elevado, perda gradual de confiança em moedas dominantes e uma mudança de equilíbrio entre potências econômicas.

Não se trata de prever colapso imediato, mas de reconhecermudanças de ciclo.

O que isso significa para investidores

O principal aprendizado desse cenário é simples: concentração excessiva em um único país, aumenta-o riscos.

Diversificação global ajuda a reduzir volatilidade, proteger patrimônio e aproveitar crescimento de diferentes regiões. A economia mundial funciona em ciclos e quando alguns mercados desaceleram, outros tendem a crescer.

O movimento da BlackRock não significa o fim da economia americana, nem um colapso global iminente. Porém, ele sinaliza uma mudança importante de percepção de risco.

O mundo está mais endividado, os juros estão mais altos e as tensões geopolíticas aumentaram. Nesse contexto, grandes investidores estão priorizando proteção patrimonial e diversificação internacional.

Para o investidor comum, a mensagem é clara: pensar globalmente pode ser cada vez mais necessário em um cenário econômico em transformação. Quer entender melhor sobre tudo isso? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre esse movimento da BlackRock.

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