20 de janeiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Existe uma narrativa muito comum quando se fala em sucesso financeiro: a ideia de alguém que saiu “do zero” e, quase de repente, construiu um patrimônio milionário. A realidade, no entanto, costuma ser bem diferente e mais complexa.
O processo foi longo, fragmentado, cheio de tentativas, erros, recomeços e aprendizados acumulados ao longo de muitos anos.
Eu não vim do “zero absoluto”. Estudei em escola pública, em alguns momentos em colégio conveniado, cresci em uma família de classe média baixa. Nunca passei necessidades extremas, mas também não tive nenhum tipo de vantagem estrutural relevante. O ponto central aqui é entender queninguém começa do nada, todos partem de algum lugar, com algum repertório, mesmo que pequeno.
A ideia de “do zero” costuma esconder o que realmente importa: tempo, continuidade e acúmulo.
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Comecei cedo
Minha vida profissional começou cedo. Ainda adolescente, eu já mexia com computadores, jogos, programação e internet. Alguns desses projetos renderam dinheiro, outros renderam aprendizado e alguns, inclusive, problemas jurídicos, típicos de um ambiente digital ainda pouco regulado naquela época.
Criei sites, serviços de hospedagem, projetos digitais e pequenas empresas muito antes de qualquer coisa ganhar escala. Nada disso era pensado como “empreendedorismo”, no sentido clássico. Eu simplesmente gostava de criar, testar ideias e colocá-las no ar.
Muitos desses projetos deram algum retorno financeiro, outros morreram rápido. Mas todos deixaram algo importante, ahabilidade prática de resolver problemas.
Durante muitos anos, minha renda veio de múltiplas fontes:
- projetos digitais próprios,
- pequenos serviços recorrentes,
- publicidade em sites,
- trabalhos formais em empresas,
- freelances pontuais.
Não havia uma “grande sacada”, mas sim muitas pequenas entradas de dinheiro, que eram, em grande parte, guardadas e reinvestidas. Esse comportamento, gastar pouco, investir com constância e diversificar fontes, foi decisivo.
O mercado de trabalho
Quando entrei em empresas estruturadas, percebi algo importante: eu não era um funcionário comum. Não porque fosse excepcional, mas porque já tinha vivido sozinho muitos dos problemas que empresas enfrentam diariamente.
Eu sabia programar, escrever, estruturar sites, pensar produto e resolver gargalos. Isso fez com que meu crescimento profissional fosse mais rápido do que a média. O salário aumentava, os aportes aumentavam e o capital começava a ganhar efeito de escala.
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Investir cedo mudou tudo
Muito antes de qualquer grande empresa, eu já investia. Primeiro em produtos bancários tradicionais, depois em renda variável e mais tarde em ativos como Bitcoin.
Aqui vale um ponto importante:não existe bala de prata, mas existem decisões que, feitas cedo, têm impacto desproporcional no longo prazo. Investir com constância por mais de uma década, em um país de juros historicamente altos, faz uma diferença enorme.
Recomeços fazem parte do caminho
Nem tudo foi linear. Houve perdas, momentos difíceis, recomeços financeiros e pessoais. Em alguns períodos, foi preciso praticamente reiniciar do zero novamente e isso também faz parte da trajetória de quem constrói algo ao longo de muitos anos.
O que permaneceu constante foi o hábito de trabalhar, investir, aprender e tentar de novo.
A virada: parar de fazer tudo sozinho
Durante muito tempo, meu maior limitador foi querer fazer tudo sozinho. Eu criava projetos, mas perdia o interesse na fase de manutenção. Quando algo começava a dar trabalho, eu abandonava.
A virada aconteceu quando entendi que crescimento exige delegar, treinar pessoas e abrir mão do controle total. Passei a contratar, dividir receitas, oferecer participação societária e estruturar projetos para durar sem depender exclusivamente de mim.
Isso transformou projetos em ativos e ativos em dinheiro.
Com o tempo, comecei a vender empresas e projetos que havia construído. Pequenos negócios digitais, que sozinhos não pareciam grandes coisas, passaram a ser vendidos por valores relevantes.
Essas vendas mudaram completamente a composição do meu patrimônio: menos renda fragmentada, mais capital concentrado e mais tempo disponível. Esse tempo foi essencial para focar em negócios maiores, mais estruturados e com visão de longo prazo.
O foco como multiplicador
Quando parei de tentar ganhar “pequenos dinheiros” e passei a pensar em construir algo grande, tudo mudou. Foco, escala, modelo de negócio claro e consistência fizeram com que empresas crescessem de forma exponencial.
Não foi um evento isolado. Foi o resultado deanos acumulando repertório, capital, erros e aprendizado.
Então, é muito importante que vocês entendam que ninguém enriquece do dia para a noite. O acúmulo importa mais que o brilho inicial, começar pequeno não é problema, desistir sim.
Foco e consistência no longo prazo fazem mais diferença do que qualquer outra “sacada”. No fim das contas, não foi uma ideia genial que levou aos R$ 100 milhões. Foi tempo, insistência e a capacidade de aprender com cada fase do caminho.
Quer conhecer melhor sobre minha trajetória? Então, assista ao vídeo em que contei um pouco mais sobre!
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