Estão dizendo que o Drex é bom? Eu acho outra coisa…

O Drex é tudo isso que estão falando? Eu tenho minhas ressalvas sobre o assunto e é sobre isso que vou falar. Entenda melhor aqui!

19 de agosto de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)


Nos últimos dias, a discussão sobre o Drex se reacendeu, o chamado real digital. Para quem ainda não está por dentro, trata-se da moeda digital criada e gerida pelo Banco Central do Brasil, que promete transformar a forma como lidamos com dinheiro, contratos e transações financeiras.

No entanto, é importante ressaltar que o Drex não deve ser confundido com o Bitcoin ou outras criptomoedas. Enquanto o Bitcoin é descentralizado e não pertence a nenhum governo, o Drex é centralizado, controlado e emitido pelo Banco Central.

Assim como o real e o dólar, o Drex terá curso forçado. Ou seja, deverá ser aceito obrigatoriamente pelos estabelecimentos, uma vez que será a moeda oficial do país. Com isso, o governo poderá acompanhar cada transação, algo que não acontece com o dinheiro em espécie.

O Banco Central afirma que só lançará o Drex em larga escala se houver segurança, estabilidade e privacidade equivalentes ao sistema atual.

Vantagens do Drex

Além da praticidade de ser uma moeda totalmente digital, o Drex permitirá a implementação dos chamados contratos inteligentes (smart contracts). Ou seja, na prática, isso elimina a necessidade de intermediários em muitas negociações.

Um exemplo claro de como isso funcionaria é o seguinte. Na compra de um carro, o documento poderia ser automaticamente transferido ao novo dono assim que o pagamento fosse concluído. Isso ajudaria a evitar golpes, pois o bem só seria liberado após a confirmação do pagamento.

Outra vantagem é do Drex é a transparência. Isso porque cada Drex possui uma chave única, impedindo que se misture com outras transações. Isso torna o sistema mais eficiente contra corrupção, fraudes e crimes financeiros.

A primeira versão, prevista para 2026, será voltada ao mercado financeiro, atuando nos bastidores, como infraestrutura para crédito e operações entre bancos. Ou seja, para o cidadão comum, as mudanças mais perceptíveis virão em etapas futuras.

Riscos do Drex

Apesar dos benefícios, o Drex também levanta preocupações importantes. Por ser programável, abre margem para que o governo imponha restrições ao uso do dinheiro.

Imagine, por exemplo, um Drex que só possa ser gasto em determinadas regiões ou em produtos específicos. Os programas sociais poderiam ser limitados a compras de alimentos, enquanto o uso em jogos de azar ou bebidas alcoólicas seria bloqueado.

Embora soe razoável em alguns casos, isso também levanta alertas sobre a liberdade individual e até o abuso de poder político.

A China já testou versões do Yuan Digital com prazo de validade, ou seja, o dinheiro simplesmente desaparece se não for usado em determinado período. Na Europa, por outro lado, o Euro Digital está sendo desenhado de forma a garantir privacidade e impedir programações abusivas.

Lavagem de dinheiro no Brasil

Quando se fala em movimentações financeiras no Brasil, o contraste é evidente: a renda média do brasileiro é inferior a R$ 1.700. No entanto, as discussões sobre taxação de transferências via Pix acima de R$ 5.000 geraram forte reação pública. Isso mostra como os números oficiais podem não refletir a realidade da economia informal ou da circulação real de dinheiro no país.

Nesse cenário, o Drex aparece como um instrumento que nasce rastreável e verificável. Diferente do Pix, em que o rastreamento depende de autorização, o Real Digital já traz embutido esse controle. Ou seja, o sistema praticamente impede que as pessoas movimentem valores sem monitoramento automático.

Leis para o Drex

Para que o Drex funcione no Brasil, algumas mudanças legais já foram aprovadas:

  • PLP 80/2023: autorizou formalmente o Banco Central a criar e regular o Drex.
  • PEC 65/2023: modificou a Constituição para permitir contratos inteligentes sem cartórios, reduzindo burocracia.
  • PL 3341/2024 (de Júlia Zanata): impede a extinção do papel-moeda em favor exclusivo do Drex.

Além disso, o sistema precisará respeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) e o sigilo bancário, embora decisões recentes do STF tenham aberto precedentes para flexibilizar esse sigilo.

Na teoria, o Drex respeita a privacidade do cidadão. Na prática, o sistema é programável. O Estado poderia definir limites de gastos, bloquear categorias de consumo ou até descontar multas automaticamente da conta de um usuário.

Esse nível de vigilância aproxima o Brasil mais do modelo chinês, do que do europeu, que prioriza a privacidade. O risco é claro: nas mãos de um governo autoritário, o Drex poderia se tornar uma ferramenta de controle financeiro sobre indivíduos e grupos.

O Drex é realmente necessário?

Na minha opinião, o Pix já atende a maioria das necessidades de transferências rápidas e seguras, o Drex ainda não apresenta benefícios claros para o cidadão comum. Os maiores ganhos parecem estar concentrados em bancos e no próprio governo, que passam a ter maior controle e poder de fiscalização.

Por isso, fica aqui o meu questionamento,o Drex é realmente necessário? Ou estamos diante de mais um instrumento de controle estatal que pode começar com boas intenções e se tornar permanente, como tantas políticas “temporárias” no Brasil? Sinceramente, tenho essa preocupação, real.

Quer entender melhor sobre o Drex e tudo isso que citei aqui? Então, assista ao vídeo completo!

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