Ibovespa rumo aos 200 mil pontos: O gringo comprou a festa (e você foi convidado?)

O Ibovespa fechou acima de 181 mil pontos com alta de 13,32% só em janeiro de 2026, impulsionado por capital estrangeiro. Morgan Stanley, BTG e Safra já projetam 200 mil pontos, mas existem riscos: Selic a 15%, dependência de fluxo externo, risco fiscal e eleições 2026. Entenda quem está comprando, por que agora, e se você deve entrar na festa ou esperar a ressaca.

12 de fevereiro de 2026 - por Adriano Umemura


Se você piscou neste começo de ano, provavelmente perdeu um dos movimentos mais impressionantes da nossa bolsa. O Ibovespa não só renovou sua máxima histórica ao fechar acima dos 181 mil pontos nesta semana, como já acumula uma alta de 13,32% apenas em janeiro.

Enquanto muito investidor local ainda está traumatizado com os anos anteriores, o mercado financeiro já começou a soltar a famosa pergunta: A festa dos 200k é realidade ou delírio? Para te ajudar a não cair no FOMO (Fear of Missing Out) sem fundamento, analisamos o que está empurrando a nossa bolsa para cima e o que pode azedar o humor do mercado.

Fluxo estrangeiro na B3: R$ 17,7 bi em janeiro vs 11,2% de participação local

Não adianta se enganar: quem está mandando no jogo agora não é o investidor pessoa física, nem os fundos locais. É o capital estrangeiro. Para você ter uma ideia da dimensão, apenas nos primeiros 23 dias de janeiro, o fluxo estrangeiro na B3 foi de R$ 17,7 bilhões. Isso já é mais da metade de tudo o que entrou durante o ano inteiro de 2025. Se compararmos com 2024, quando o Brasil teve uma saída líquida de R$ 32 bilhões, a virada de mão é brutal.

Por que eles estão vindo? A resposta mora na matemática simples. A nossa bolsa é “barata” em dólares. O valor de mercado total da B3 é de cerca de US$ 1 trilhão. Parece muito? As bolsas americanas (NYSE e Nasdaq) somam mais de US$ 60 trilhões. Se apenas 1% do dinheiro que está lá fora resolver “passear” por aqui, nossa bolsa poderia subir 60% num piscar de olhos. É o efeito de uma baleia entrando numa piscina infantil. Hoje, os gringos já são donos de 59% do volume de negociações, enquanto as “sardinhas” (pessoas físicas) representam apenas 11,2%.

Sell America: por que investidores estão fugindo dos EUA para emergentes

O dinheiro não aceita desaforo, e o mercado americano ficou caro demais. O termo da vez lá fora é o “Sell America” (Venda América). Grandes investidores institucionais estão reduzindo a exposição aos EUA (de 70% para 65%) para buscar oportunidades em emergentes.

Os motivos são claros:

  • Valuations esticados: O S&P 500 subiu 90% entre 2023 e 2025. Tem empresa como a Tesla negociando a 300 vezes o lucro.
  • Diversificação: Com o risco geopolítico e incertezas sobre tarifas, ninguém quer deixar todos os ovos na cesta do Tio Sam.

O Brasil não está sozinho nessa. Estamos vendo um rali em toda a América Latina e
emergentes. Em 2026, Peru, Colômbia e Coreia do Sul também estão voando baixo, mas o
Brasil se destaca com uma valorização sólida.

Projeções para o Ibovespa: Morgan Stanley vê 200 mil e BTG aposta em 220 mil

Os “tubarões” já estão fazendo suas apostas. Casas como o Morgan Stanley projetam o Ibovespa nos 200 mil pontos ainda este ano.

  • XP e Itaú BBA: Estimam 185 mil pontos.
  • Safra: Aposta em 198 mil.
  • BTG Pactual: Vê potencial de até 220 mil no cenário otimista.

Mas calma lá. Lembra da festa dos 100 mil pontos em 2019? A euforia era grande, mas o tombo veio depois. A diferença é que, agora, 200 mil pontos deixaram de ser um sonho distante para virar uma possibilidade matemática concreta.

4 riscos que podem derrubar o Ibovespa: Selic, fiscal, gringo e eleições

Nem tudo são flores no jardim da Faria Lima. Existem espinhos que podem furar essa bolha de otimismo:

  • A taxa de juros (Selic): Estamos com a Selic estacionada em 15%. É um patamar altíssimo que compete diretamente com a renda variável.
  • O Risco Fiscal: A dívida pública continua sendo o “elefante na sala”. Se o governo não mostrar serviço no ajuste fiscal, a inflação pode desancorar.
  • Dependência do Gringo: O mercado hoje é refém do humor externo. Se houver uma reversão abrupta lá fora (uma guerra ou novas tarifas), o capital estrangeiro pode evaporar tão rápido quanto entrou, nos devolvendo ao “deserto”.
  • Eleições 2026: O tabuleiro político já está se mexendo. Embora gringos digam que não ligam tanto para isso agora, o investidor local costuma ficar nervoso em ano eleitoral.

Como se posicionar: aproveitar o rali sem cair no FOMO

O Ibovespa está em máxima histórica e o fluxo de dinheiro estrangeiro é real e robusto. O Brasil está barato frente ao mundo e atraindo capital que foge dos preços altos nos EUA. Contudo, prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém. O cenário depende muito de fatores que não controlamos (o humor de Wall Street) e de lições de casa que ainda não fizemos totalmente (fiscal).

Aproveite o rali, mas não se esqueça: na bolsa, a euforia costuma ser o prato de entrada antes da conta chegar. Diversifique, estude e não invista o dinheiro do aluguel esperando o Ibovespa bater 200k amanhã.

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