18 de junho de 2026 - por raulsena1
Se você tem ou está pensando em abrir um negócio, provavelmente já ouviu que a maioria das empresas fecha nos primeiros anos. Mas o que poucos falam é sobre o motivo disso acontecer tanto.
Depois de acompanhar as finanças de mais de 60.000 pessoas, consegui identificar um padrão claro e hoje vamos falar sobre os principais erros que levam negócios à falência e quase sempre são os mesmos.
1. Misturar o dinheiro da pessoa física com o da empresa
Esse é o campeão de falências, o que mais derruba empresário no Brasil é não separar o dinheiro pessoal do dinheiro da empresa.
O que acontece na prática: o dono começa a usar a conta da empresa para pagar coisas pessoais, coloca o carro “no nome da empresa” sem controle, e de repente não sabe mais o que é lucro e o que é custo. Quem é MEI cai muito nessa armadilha.
A solução é simples: abra uma conta exclusiva para a empresa e outra para você. Do lucro líquido mensal, retenha 25% no caixa do negócio, pode colocar em um ativo de liquidez e aceita dinheiro de PJ. Os outros 75% você transfere para a sua conta pessoal e usa como quiser. Quando você é pequeno, essa divisão já basta. À medida que cresce é importante a reter mais, porque o imprevisível aparece.
Se você mistura esse dinheiro, acredite, é quase certeza que irá falir.
2. Confundir faturamento com lucro
Outro erro clássico: achar que o dinheiro que entra é o que sobrou.
Um exemplo prático: um motorista de app faz uma corrida de R$ 100, desconta a gasolina e acha que ganhou R$ 80. Mas e a manutenção do carro? A energia? A alimentação? O tempo? Nada disso entra na conta e aí o “lucro” que parecia bonito, vira prejuízo camuflado.
O mesmo vale para qualquer negócio. Se você trabalha de casa, precisa incluir a energia elétrica proporcional, a água, o seu próprio tempo. E quanto vale a sua hora? Se você trabalhasse para outra empresa fazendo a mesma coisa, receberia quanto?
Esse cálculo é fundamental porque, se o seu negócio depende exclusivamente de você para funcionar e nem assim gera mais do que você ganharia empregado, ele não é um negócio, é um emprego mal pago que você criou pra si mesmo.
3. Precificar no chute
Se você perguntar para a maioria dos pequenos empresários sobre como eles chegaram ao preço do produto deles, a resposta vai ser: “calculei o custo e dobrei”. E não é à toa que tantos quebram.
Precificar direito exige considerar custo real de produção (incluindo tudo), margem de lucro desejada, impostos, mesmo que você ainda não pague. E ainda é preciso considerar o quanto o mercado está disposto a pagar.
Por que incluir imposto mesmo sendo MEI? Porque se o seu modelo de negócio só funciona com os benefícios do MEI, ele nunca vai crescer. Você precisa saber desde o início se a empresa é viável quando ela escalar.
Sobre a margem, é importante entender que empresa pequena precisa de no mínimo 30% de margem final, depois de pagar tudo. Com a taxa Selic em 15%, negócio que rende menos que isso na ponta já começa a perder pro investimento mais conservador. Qualquer imprevisto e você cai abaixo do custo de oportunidade.
Produtos de entrada podem ter margem menor, desde que você tenha um produto de maior valor agregado para oferecer depois. A caixinha de brigadeiros que vende por R$ 16 faz sentido quando o brigadeiro de R$ 1 trouxe o cliente até você.
4. Empreender sem capital suficiente
A maioria das pessoas abre negócio no Brasil por necessidade, não por escolha. E aí comettem o mesmo erro: pegam todo o dinheiro que têm ou até mais do que têm, e colocam no negócio esperando que ele se pague rapidamente.
O tempo médio para um pequeno negócio atingir o ponto de equilíbrio no Brasil é de 5 meses. Quem investe tudo no primeiro mês e ainda se alavanca no cartão, não tem fôlego para chegar lá.
A regra prática: nunca invista mais do que 50% do capital disponível para abrir o negócio. O restante é o que vai te manter vivo, enquanto o negócio ainda não se sustenta.
Se 50% não é suficiente para o negócio que você imaginou, a solução não é se endivida, é começar menor. Dark kitchen em vez de restaurante físico. Prestação de serviço para eventos ou invés de um bar fixo. Você começa, valida e cresce com o que o próprio negócio gerar.
5. Querer fazer tudo sozinho
Tem um orgulho equivocado em alguns donos de negócio: “minha empresa sou eu, não tenho funcionário, não preciso de ninguém”. Isso não é eficiência, é um teto de crescimento.
Empresa é uma estrutura que funciona com pessoas. Quem não quer trabalhar em equipe, não quer contratar, não quer delegar, não tem empresa. Tem artesanato.
E tudo bem ser artesão! Mas nesse caso, o modelo é diferente: você cobra muito mais caro pelo que faz, porque o diferencial é justamente a sua mão, o seu tempo, a sua arte.
Se você quer construir um negócio de verdade, em algum momento vai precisar contratar. Começar a reter aqueles 25% no caixa da empresa serve exatamente para isso: quando chegar a hora, o dinheiro vai estar lá.
Esses cinco erros parecem simples quando olhados assim, um por um. Mas na prática, a maioria dos empresários comete pelo menos dois ou três deles ao mesmo tempo e aí a conta não fecha.
A boa notícia é que todos esses erros têm solução, e nenhuma exige muito mais do que organização e clareza sobre os números do seu próprio negócio. Quer conferir mais detalhadamente sobre esses erros, para não cair mais nisso? Então, assista ao vídeo em que explico mais detalhadamente sobre!
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