24 de fevereiro de 2021 - por Jaíne Jehniffer
Muita gente acredita que investir em empresas como Apple, Coca-Cola ou Google é algo complicado e distante da realidade de quem investe no Brasil. Essa impressão faz sentido, afinal, quando pensamos em mercado internacional, a primeira coisa que vem à cabeça é um processo cheio de burocracia e regras diferentes.
Só que nem sempre é assim. As ADRs surgiram justamente para facilitar esse caminho e aproximar investidores de empresas que estão espalhadas pelo mundo. Entender como elas funcionam ajuda a enxergar novas oportunidades e a perceber que investir lá fora pode ser muito mais acessível do que parece.
Importante: este artigo se trata de uma opinião e não de uma recomendação ou indicação de investimento e estratégia.
O que são ADRs?
Sabe quando você quer comprar um produto de outro país, mas encontra uma loja aqui que vende exatamente a mesma coisa? A lógica da ADR é parecida. Em vez de um investidor precisar abrir conta em uma bolsa de outro país para comprar ações de uma empresa estrangeira, ele pode investir por meio de um certificado negociado na bolsa dos Estados Unidos.
Esse certificado representa as ações da empresa original e acompanha o desempenho delas, como se fosse uma forma mais prática de chegar ao mesmo investimento. Assim, um americano pode investir em empresas como Petrobras ou Vale sem precisar negociar diretamente na Bolsa brasileira.
Assim, a ADR existe justamente para facilitar esse caminho e aproximar investidores de empresas do mundo todo, sem transformar o processo em uma dor de cabeça.
Quais são os tipos de ADRs?
Embora todas as ADRs tenham a mesma ideia, que é facilitar o investimento em empresas de outros países, elas não são exatamente iguais. A diferença está nas regras que cada empresa aceita seguir para negociar seus papéis nos Estados Unidos. Dá para pensar nisso como níveis de compromisso, onde algumas entram no mercado americano de forma mais simples, enquanto outras seguem exigências maiores para transmitir mais confiança aos investidores.
As ADRs de Nível I são a porta de entrada. Elas exigem menos burocracia e costumam ser escolhidas por empresas que querem apenas tornar suas ações mais acessíveis aos investidores americanos. As de Nível II já pedem um compromisso maior com transparência e divulgação de informações, além de serem negociadas nas principais bolsas dos Estados Unidos. Já as de Nível III vão um passo além. Além de cumprir todas essas regras, elas permitem que a empresa capte recursos diretamente com investidores para financiar sua expansão e novos projetos.
Também existem as ADRs restritas, conhecidas como Rule 144A. Diferentemente das outras, elas não ficam disponíveis para qualquer pessoa. São voltadas para grandes investidores, como fundos e instituições financeiras, que movimentam volumes muito maiores de dinheiro.
Por isso, para quem está conhecendo esse mercado agora, os três primeiros níveis são os mais importantes, já que são eles que aparecem com mais frequência quando falamos sobre ADRs.
Como funcionam os ADRs?
Na prática, tudo acontece nos bastidores para facilitar a vida do investidor. Um banco nos Estados Unidos compra as ações de uma empresa que está em outro país e as mantém guardadas. Em seguida, ele cria certificados que representam essas ações e os coloca para negociação na bolsa americana. Esses certificados são justamente as ADRs.
Para quem investe, o processo é bem tranquilo. Em vez de abrir conta em outro país e comprar a ação original, basta adquirir a ADR, como se estivesse comprando qualquer outra ação negociada nos Estados Unidos. A partir daí, ela acompanha o desempenho da empresa. Se o negócio cresce, a ADR tende a se valorizar.
Se a empresa paga dividendos, esse dinheiro também pode chegar ao investidor, já descontadas as regras e os impostos aplicáveis. No fim, a ADR existe para tirar a complicação do caminho e permitir que pessoas invistam em empresas do mundo todo de um jeito muito mais simples, sem precisar entender como funciona cada bolsa estrangeira.
Vantagens, desvantagens e riscos de investir em ADRs
Investir em ADRs tem um lado muito interessante, porque ele abre a porta para empresas do mundo inteiro sem exigir que você aprenda como funciona cada bolsa de valores ou passe por um monte de burocracia. É uma forma de colocar o dinheiro em negócios que talvez nunca estivessem ao seu alcance de maneira tão simples.
Além disso, quando você investe em empresas de países diferentes, evita que toda a sua carteira dependa do desempenho de uma única economia. Se um mercado estiver atravessando um momento difícil, outros podem estar indo muito bem, e isso ajuda a equilibrar o caminho ao longo do tempo.
Mas investir em ADRs também significa aceitar que nem tudo estará sob o seu controle. Afinal, você está colocando dinheiro em empresas que vivem outra realidade, sujeitas a mudanças na economia, na política e até nas leis do país onde atuam.
O preço da ADR pode oscilar por causa desses acontecimentos, mesmo quando a empresa continua sendo sólida. A variação do dólar também pode pesar no resultado, e algumas ADRs são menos negociadas, o que pode tornar a venda um pouco mais difícil em determinados momentos.
Sendo assim, as ADRs não são melhores nem piores do que outros investimentos. Elas apenas oferecem uma maneira mais fácil de chegar a empresas espalhadas pelo mundo. Se você escolhe boas companhias e investe pensando no longo prazo, elas podem fazer bastante sentido dentro da carteira.
Mas, como acontece com qualquer investimento em renda variável, é preciso entender que haverá dias de alta, dias de baixa e que faz parte do jogo conviver com essas oscilações sem perder de vista o objetivo lá na frente.
Como investir em ADRs?
Investir em ADRs não é muito diferente de investir em uma ação comum. Depois de abrir uma conta em uma corretora que dê acesso ao mercado americano, você procura a empresa que deseja, analisa se ela faz sentido para os seus objetivos e compra a ADR. O processo em si é bem simples. O que realmente faz diferença é o que acontece antes de apertar o botão de compra.
Vale a pena gastar um tempo conhecendo a empresa. Entender como ela ganha dinheiro, se tem um bom histórico, se continua crescendo e se você se sente confortável em ser sócio daquele negócio por muitos anos. Afinal, quando você compra uma ADR, não está apenas adquirindo um ativo. Está colocando parte do seu dinheiro em uma empresa e apostando que ela continuará criando valor ao longo do tempo.
Depois que o investimento é feito, a ansiedade costuma ser a maior inimiga. É normal ver o preço subir em um dia e cair no outro, e isso faz parte do mercado. Em vez de acompanhar cada oscilação, faz muito mais sentido observar se a empresa continua saudável, entregando bons resultados e seguindo o caminho que motivou o seu investimento. Sendo assim, investir em ADRs é menos sobre acertar o melhor momento para comprar e mais sobre escolher boas empresas e ter paciência para deixar o tempo fazer o seu trabalho.
ADRs no Brasil
Quando uma empresa brasileira tem ADRs, é como se ela abrisse uma porta para investidores de outros países, principalmente dos Estados Unidos. Em vez de um americano precisar entender como funciona a Bolsa brasileira, abrir conta por aqui e lidar com toda essa burocracia, ele consegue investir na empresa sem sair do mercado em que já está acostumado a operar. Isso faz com que companhias como Petrobras, Vale e Itaú possam chegar muito mais longe do que apenas aos investidores brasileiros.
As ADRs ajudam a colocar o Brasil no radar de investidores do mundo inteiro. Quanto mais interesse essas empresas despertam lá fora, maior tende a ser a visibilidade delas no mercado internacional. É uma relação em que todos podem sair ganhando! As empresas ampliam seu alcance, os investidores passam a ter mais opções de investimento e o mercado brasileiro ganha ainda mais espaço no cenário global.
Qual a diferença entre ADR e BDR?
Embora os nomes sejam parecidos, a lógica das duas é exatamente oposta. A ADR foi criada para levar empresas de outros países ao mercado americano. Já a BDR faz o caminho inverso; ela traz empresas estrangeiras para o mercado brasileiro. Em outras palavras, a diferença não está no investimento em si, mas em quem está investindo e em qual bolsa a negociação acontece.
Pense em uma empresa como a Apple. Um investidor brasileiro pode investir nela por meio de uma BDR negociada na B3, sem precisar abrir conta nos Estados Unidos. Agora imagine uma empresa brasileira, como a Petrobras. Um investidor americano pode investir nela comprando uma ADR negociada na bolsa dos Estados Unidos, sem precisar operar na Bolsa brasileira.
Os dois ativos cumprem praticamente a mesma função, que é aproximar investidores de empresas estrangeiras. A única diferença é a direção dessa ponte. A BDR leva empresas de fora para o investidor brasileiro, enquanto a ADR leva empresas de outros países para o investidor americano.
Vale a pena investir em ADRs
As ADRs costumam fazer bastante sentido para quem quer construir uma carteira mais diversificada e ter acesso a empresas de outros países sem enfrentar toda a burocracia de investir diretamente no exterior. Elas ampliam as possibilidades de investimento e permitem participar do crescimento de grandes companhias internacionais de uma forma bem mais simples.
Ao mesmo tempo, vale lembrar que a ADR é apenas o caminho até a empresa, e não o investimento em si. O que realmente faz diferença é a qualidade do negócio por trás daquele certificado. Quando a escolha é feita com cuidado e pensando no longo prazo, as ADRs podem ser uma excelente forma de expandir a carteira e aproveitar oportunidades que vão muito além do mercado local.
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