7 de agosto de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Previdência privada é burrice da classe média? Essa é uma pergunta que ouço com frequência. Principalmente, por conta do aumento de empresas oferecendo planos de previdência como benefício aos colaboradores. Além disso, muitos trabalhadores se interessam por esse tipo de investimento ao descobrirem que ele pode ajudar a economizar no imposto de renda. Mas será que compensa? É isso que vou explicar hoje!
Vale a pena ter previdência privada?
O primeiro caso e um dos mais comuns é o plano patrocinado pela empresa, quando a empresa complementa sua contribuição. Quando a empresa oferece plano patrocinado (com match), ela contribui junto com você. Por exemplo, se você investe R$ 500, a empresa também deposita R$ 500. É o chamado match, que pode ser de 100%, 50% ou algum percentual definido.
É como dobrar o seu investimento sem esforço. Nesse caso, vale muito a pena esse tipo de previdência, é como se fosse um benefício.
No entanto, quando a empresa oferece plano averbado (sem match), ela oferece apenas a estrutura, mas não coloca dinheiro nenhum. Você investe sozinho e, em geral, não compensa. É melhor investir por conta própria, com mais liberdade e potencial de rentabilidade.
Cuidado com o Vesting
Muita atenção ao famoso vesting! Você só consegue pegar o dinheiro da sua parte, depois de um tempo mínimo necessário. É uma forma que algumas empresas usam para te amarrar à empresa.
Exemplo: se a regra for de 10 anos, mas você sair após 8, pode levar apenas 30% da contribuição da empresa. Isso significa que, mesmo que tenha economizado durante anos, uma saída antecipada pode fazer você perder boa parte do que foi investido pela empresa. É a famosa “algema de ouro”.
O que acontece se você sair da empresa?
Se você tiver um plano de previdência empresarial e decidir sair da empresa, você terá basicamente três opções:
- Resgatar o valor: normalmente só o que você investiu e o imposto pode chegar a 35% se o investimento for recente.
- Deixar o dinheiro rendendo (benefício proporcional diferido): mas talvez sem acesso à parte da empresa.
- Portar para outro plano: sem pagar IR no momento, mas pode perder o valor do match se não cumpriu o vesting.
E atenção! Se você portar de um plano fechado para um aberto, o saldo só poderá ser resgatado em forma de renda mensal vitalícia ou em prazo mínimo de 15 anos, por força de lei.
Previdência individual
Fora do ambiente corporativo, você também pode contratar um plano de previdência individual. Os dois modelos mais comuns são o PGBL e o VGBL e a escolha entre eles depende basicamente do seu perfil tributário.
O PGBL costuma ser mais vantajoso para quem faz a declaração completa do Imposto de Renda e contribui para o INSS. Ele permite abater até 12% da renda bruta anual da base de cálculo do IR. Ou seja, se você ganha R$ 100 mil por ano, pode investir até R$ 12 mil num PGBL e pagar menos imposto naquele ano.
No entanto, na hora de resgatar, o imposto incide sobre o valor total acumulado (contribuição + rendimento), o que pode pesar no longo prazo. Ainda assim, para quem está na faixa mais alta do IR (27,5%), quase sempre vale a pena.
Já o VGBL é indicado para quem faz a declaração simplificada, é isento ou já atingiu o limite de dedução. Nesse modelo, o imposto só incide sobre os rendimentos e não sobre o valor total. Ele também costuma ser a escolha ideal para planejamento sucessório, já que permite a transmissão dos recursos sem passar por inventário e, em muitos estados, sem cobrança de ITCMD.
Há quem utilize os dois planos ao mesmo tempo: coloca até 12% da renda no PGBL para aproveitar a dedução, e o que sobrar, no VGBL. Essa combinação pode ser bem inteligente, especialmente para quem tem renda mais alta, desde que as regras sejam bem compreendidas.
Tributação: progressiva ou regressiva?
Outro ponto importante na previdência privada é a escolha do regime de tributação. Aqui, você pode optar entre a tabela progressiva e a regressiva.
A progressiva funciona como a do Imposto de Renda convencional: varia de 0% a 27,5% conforme o valor que você resgata no mês. Ela permite ajustes na declaração anual e costuma ser mais vantajosa para quem pretende sacar valores baixos ou no curto e médio prazo.
Já a regressiva começa com uma alíquota mais alta, 35% e vai diminuindo com o tempo, até chegar a 10% após 10 anos. Nesse caso, a tributação é definitiva e não permite ajustes na declaração. É a opção ideal para quem pretende manter o dinheiro investido por um longo período, buscando pagar o mínimo de imposto no resgate.
A boa notícia é que desde 2024 você não precisa mais escolher o regime no momento da contratação. Agora, a decisão pode ser feita apenas no momento do primeiro resgate, o que oferece mais flexibilidade ao investidor.
Riscos da previdência privada
Entre as principais ciladas estão os planos com taxas de administração abusivas (às vezes superiores a 2% ao ano), cobrança de taxa de carregamento, fundos com performance ruim ou gestão duvidosa e falta de clareza nas regras de resgate.
Evite planos vendidos em agências bancárias sem análise prévia, especialmente os que investem apenas em Tesouro Direto, mas cobram taxas altas. Por isso, nesses casos, é mais inteligente investir direto em um título público como o Tesouro Renda+.
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