22 de setembro de 2025 - por Millena Santos
Empresas em fase de crescimento costumam enfrentar um grande desafio: a dificuldade de acesso ao crédito. É justamente nesse cenário que surge o risco cedente, uma solução financeira que permite ao fornecedor antecipar os valores de suas vendas a prazo.
Mas afinal, como funciona essa operação, quais são seus benefícios e em que situações pode ser a chave para manter o caixa saudável e impulsionar o desenvolvimento do negócio? Neste texto, a gente te explica como ele funciona. Vem com a gente!
O que é risco cedente?
O risco cedente está diretamente relacionado às operações em que um fornecedor antecipa os valores de suas vendas a prazo, recebendo o pagamento antes da data de vencimento da fatura.
Na prática, funciona como uma espécie de linha de crédito, muito utilizada por empresas que ainda estão em fase inicial e não possuem grande capital de giro ou um histórico consolidado no mercado.
Esse mecanismo é especialmente vantajoso porque permite que o fornecedor tenha acesso imediato aos recursos financeiros das suas contas a receber, em vez de esperar o prazo integral de pagamento estabelecido pelo cliente.
Dessa forma, a empresa consegue manter a saúde do caixa, cumprir compromissos de curto prazo, investir em novas oportunidades de negócio e até negociar melhores condições com seus próprios fornecedores.
Além disso, o risco cedente também contribui para fortalecer o crédito da empresa no mercado. Como muitas vezes o nome do fornecedor ainda não é amplamente reconhecido, essa ferramenta ajuda a transmitir mais segurança para instituições financeiras e parceiros comerciais, que passam a enxergar menor risco na operação.
Em outras palavras, trata-se de uma alternativa que apoia tanto a liquidez da empresa quanto a sua reputação financeira.
Como funciona a operação de risco cedente?
Na prática, a operação de risco cedente funciona como um mecanismo de antecipação financeira. Ou seja, uma instituição financeira ou uma empresa especializada compra os direitos creditórios do fornecedor, que são valores que ele tem a receber no futuro, e adianta esse montante antes do prazo acordado com o cliente.
Esse adiantamento, porém, não é feito pelo valor total da fatura. As instituições aplicam taxas de juros e encargos administrativos, o que faz com que o fornecedor receba um valor um pouco menor do que o nominal.
Ainda assim, o benefício está no acesso rápido ao capital, que pode ser usado para manter o fluxo de caixa saudável, pagar despesas imediatas ou até realizar novos investimentos.
Isso significa, portanto, que o fornecedor (cedente) transforma contas a receber em dinheiro disponível de forma ágil, enquanto a instituição financeira assume o risco de crédito, ou seja, a responsabilidade de cobrar o pagamento do cliente (sacado) na data do vencimento.
Para entender melhor, alguns pontos centrais do risco cedente são:
- Sistema: trata-se da estrutura operacional que viabiliza a negociação, registro e liquidação das operações, garantindo transparência e segurança.
- Fonte de crédito: é a origem do pagamento que será antecipado, geralmente ligada a notas fiscais, duplicatas ou contratos firmados entre fornecedor e cliente.
- Sacado: é o cliente final que tem a obrigação de pagar o título no prazo de vencimento; é sobre ele que recai a análise de crédito feita pela instituição financeira.
- Cedente: é a empresa ou fornecedor que transfere seus direitos creditórios para a instituição financeira em troca do recebimento antecipado do valor.
Exemplos de risco cedente
O risco cedente pode se manifestar em diferentes tipos de operações financeiras, todas voltadas para a antecipação de recebíveis e a melhora do fluxo de caixa das empresas.
Alguns exemplos são:
- Desconto de duplicatas com recurso: nessa modalidade, a empresa apresenta suas duplicatas (títulos que representam vendas a prazo) a uma instituição financeira para receber o valor de forma antecipada.
- Securitização com garantia: nesse caso, os recebíveis de uma empresa são agrupados e transformados em títulos negociáveis no mercado financeiro. O cedente recebe o valor antecipado, e os investidores que compram esses títulos passam a ter direito sobre os pagamentos futuros.
- Factoring convencional: trata-se de uma operação em que uma factoring adquire os direitos creditórios de um fornecedor. A diferença é que, além da antecipação dos valores, a factoring pode oferecer serviços de gestão de crédito e cobrança, ajudando a reduzir a inadimplência e a dar suporte administrativo à empresa cedente.
Vantagens do risco cedente
Durante a fase de estruturação de uma empresa, é comum enfrentar algumas dificuldades para acessar linhas de crédito tradicionais. Isso acontece porque, em geral, o negócio ainda não possui histórico sólido no mercado ou garantias suficientes para conquistar a confiança das instituições financeiras.
Nesse cenário, a antecipação de recebíveis por meio do risco cedente surge como uma alternativa para o empreendedor. Esse mecanismo considera que a empresa já possui valores a receber no futuro e, por isso, merece uma linha de crédito baseada nesse fluxo.
A grande vantagem é justamente essa: reconhecer o potencial do negócio e a baixa probabilidade de inadimplência, permitindo que os recursos cheguem de forma rápida.
Além disso, o risco cedente oferece outros benefícios importantes:
- Investimento no crescimento da empresa
- Pagamento de contas
- Vantagem para negociação no mercado
- Desenvolvimento de novos projetos
Desvantagens do risco cedente
Assim como qualquer outra modalidade de crédito, o risco cedente não é isento de pontos negativos e precisa ser avaliado com cautela antes da contratação.
Algumas desvantagens relevantes são:
- Alto risco financeiro: nessa operação, a empresa cedente assume a possibilidade de inadimplência por parte do cliente. Caso o pagamento não seja realizado, o impacto recai diretamente sobre o fluxo de caixa e pode comprometer a saúde financeira do negócio.
- Responsabilidade pelo pagamento: no modelo “com recurso”, se o cliente (sacado) não cumprir a obrigação, o fornecedor (cedente) deve arcar com o valor devido junto à instituição financeira. Isso significa que, além de não receber do cliente, ainda terá que devolver os recursos antecipados, ampliando o risco de endividamento.
- Custos da operação: as taxas de juros e encargos cobrados pelas instituições financeiras podem reduzir consideravelmente o valor líquido recebido pelo cedente, tornando a operação menos atrativa em alguns cenários.
- Impacto na credibilidade e no acesso a crédito: caso a empresa precise cobrir sucessivas inadimplências ou enfrente dificuldades para honrar as operações, sua reputação no mercado pode ser prejudicada. Isso afeta não apenas a imagem perante fornecedores e clientes, mas também a relação com bancos, limitando a concessão de crédito futuro.
Logo, embora o risco cedente seja uma ferramenta útil para garantir liquidez, ele exige uma análise criteriosa sobre o perfil dos clientes e a capacidade da empresa de lidar com possíveis inadimplências.
Qual a diferença entre o risco cedente e o risco sacado?
Embora ambos estejam ligados à antecipação de recebíveis, o risco cedente e o risco sacado apresentam diferenças importantes no modo como a operação é estruturada.
No risco cedente, a empresa que possui valores a receber transfere esses direitos creditórios para uma instituição financeira. Assim, ela recebe antecipadamente o valor das suas vendas a prazo, enquanto o banco ou a instituição assume o risco de cobrança junto ao cliente.
Essa operação é muito usada por empresas em fase de crescimento, já que facilita o acesso ao capital de giro sem depender do histórico de crédito do fornecedor.
Já o risco sacado, também chamado de antecipação a fornecedores, funciona de maneira um pouco diferente. Nesse caso, o foco está no cliente que fez a compra (sacado).
A instituição financeira oferece a opção de antecipar o pagamento ao fornecedor em nome do cliente, que por sua vez quitará a dívida diretamente com o banco no prazo acordado.
Assim, o fornecedor recebe antes do vencimento, mas quem assume o compromisso com a instituição financeira é o comprador.
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Fonte: Líber Capital, Monkey, J17 Bank.