22 de abril de 2026 - por raulsena1
Poucas pessoas estão falando sobre isso, mas existe um risco real e concreto rondando a espinha dorsal da economia brasileira. E isso está 100% relacionado ao que está acontecendo no estreito de Ormuz. Pouquíssima gente tem comentado sobre isso, por isso, hoje quero explicar melhor sobre o assunto!
Antes de entrar no problema, é importante entender o que está em jogo. O agronegócio representa 27% de todo o PIB brasileiro. Não estamos falando só da comida que chega à sua mesa, mas de uma fatia enorme de tudo que move a nossa economia. E quando esse setor vai mal, o impacto se espalha por todos os outros.
Além disso, 48% de todas as exportações brasileiras estão diretamente ligadas ao agro. É essa balança comercial positiva que mantém o dólar em um patamar mais controlado. Sem ela, os produtos importados ficariam mais caros para todo mundo. O setor ainda gera direta ou indiretamente 74 milhões de empregos e alimenta mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.
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O problema que ninguém está contando
Para produzir tudo isso, o agronegócio brasileiro depende de fertilizantes e aqui começa o problema.
Cerca de 85% de todos os fertilizantes usados no Brasil são importados, apenas 15% são produzidos internamente. Isso não aconteceu do dia para a noite e não é culpa de um governo específico. É resultado de décadas de escolhas estratégicas equivocadas, onde o Brasil decidiu focar na produção e confiar no multilateralismo, acreditando que o mundo permaneceria em paz para sempre.
Quando você olha de onde vêm esses fertilizantes, a situação fica ainda mais preocupante, 80% do nitrogênio usado aqui é importado, 30% vem do Irã. Além disso, 96% do potássio vem da Rússia e da Bielorrússia, dois países que já enfrentam sanções internacionais por causa da guerra na Ucrânia. E 45% do fósforo vem do Marrocos, passando pelo estreito de Ormuz.
E quando o estreito fica instável ou bloqueado, toda a cadeia de abastecimento que depende daquela rota sofre.
Desindustrialização do Brasil
Quando o conflito começou a dar sinais de que poderia afetar as rotas de fertilizantes, a Índia agiu rápido. Antecipou as importações, diversificou as rotas de compra, aumentou a produção interna de ureia em 23% e hoje está com estoque recorde dos principais fertilizantes. Ou seja, Índia não deve sofrer nessa safra.
Enquanto isso, o Brasil ficou parado. Não tinha reserva estratégica, não antecipou compras e o Plano Nacional de Fertilizantes lançado em 2022, depois de uma alta gigantesca de preços naquele período, avançou muito pouco até agora.
A única coisa que foi feita é que há poucos dias o Brasil aprovou a zeragem de imposto sobre a importação de fertilizantes, o que era uma medida óbvia, mas chegou tarde demais.
O que pode acontecer a partir de agora
Diante dessa situação, existem dois cenários possíveis.
Se o estreito de Ormuz reabrir nos próximos 60/90 dias, o Brasil consegue redirecionar as compras pelo Canadá e por Marrocos. A safra de 2026 e 2027 terá uma queda de margem, mas nada catastrófico. O tema vai ganhar urgência política e o Brasil finalmente acelera o Plano Nacional de Fertilizantes.
Se a restrição durar de 4 a 5 meses, o cenário muda de patamar. A ureia pode chegar a mais de R$ 700 por tonelada e a produtividade da soja pode cair entre 15% e 25%. O PIB do agro pode recuar e arrastar o PIB geral com ele.
Com isso o câmbio sobe, a inflação de alimentos acelera e o brasileiro começa a pagar mais caro pelo feijão, pela carne, pelo pão e por boa parte do que consome.
O Brasil vai quebrar?
Não, e é importante deixar isso claro. O Brasil é um dos poucos países do mundo que não está diretamente envolvido em nenhum conflito.
Os investidores de Dubai, dos Estados Unidos, da China e da Europa estão alocando dinheiro aqui exatamente por isso. O Brasil alimenta grande parte do Oriente Médio, da China e de vários outros mercados. Não é estratégico para ninguém pressionar o Brasil por muito tempo.
A China precisa da nossa soja e o Oriente Médio precisa da nossa carne. Além disso, os EUA sabem que qualquer embargo prolongado vai chegar no bolso deles também, porque aumenta o preço dos alimentos globalmente. Ou seja, uma pressão prolongada não é sustentável para ninguém.
O que o investidor deve fazer
Em momentos como esse surgem as melhores oportunidades para quem sabe o que está fazendo. Quando o mercado entra em pânico por riscos reais, mas temporários, empresas boas ficam baratas.
E se o Brasil usar essa crise para finalmente aprovar a reserva estratégica de fertilizantes, acelerar o licenciamento das minas de potássio do Amazonas e escalar os biofertilizantes da Embrapa, pode sair daqui com uma dependência externa bem menor do que tem hoje.
E tomara que isso aconteça! Quer entender melhor sobre toda essa situação e como ela nos afeta? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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