18 de maio de 2026 - por raulsena1
O Ibovespa se aproximando dos 200.000 pontos, fluxo estrangeiro entrando forte no Brasil e todo mundo falando em bolsa. Parece o momento perfeito para investir, não é? Mas é exatamente aqui que mora o perigo.
Para entender o que está acontecendo, é preciso olhar para o cenário global. Com o conflito entre Estados Unidos e China, a Rússia em guerra com a Ucrânia, o México com 70% da balança comercial dependente dos americanos e boa parte dos mercados emergentes sob pressão, os investidores do mundo todo precisam colocar dinheiro em algum lugar seguro. E o problema é que 90% das pessoas que estão no mercado agora, provavelmente vão arrumar um problema e perder dinheiro.
Enquanto o mundo está nesse verdadeiros caos, o Brasil parece estar em um bom momento. Nosso país tem um histórico diplomático sólido, não está envolvido em nenhum conflito, alimenta boa parte do planeta com proteína, soja e minério de ferro, tem autossuficiência energética e um mercado interno robusto.
Todo esse conjunto faz o investidor estrangeiro olhar para cá e enxergar uma estabilidade que ele não encontra em outros lugares do mundo e esse fluxo externo está puxando o índice para cima.
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O sinal de alerta que aparece em todo ciclo
Quem está no mercado há mais de 7 anos já viu esse filme antes, em 2019. O investidor pessoa física que diversificava a carteira entre renda fixa e variável começou a chamar renda fixa de perda fixa. Voltaram os cursos de trade, os banners prometendo dinheiro fácil, os grupos de WhatsApp com dicas de ação.
Todo mundo ganhou dinheiro no último ano porque qualquer coisa que você comprou no Brasil subiu. No entanto, isso não significa que você sabe analisar, significa que o vento estava a favor.
Quando o mercado começa a ter mais gente comprando por euforia do que por análise, é hora de acender o alerta. Esse dinheiro sem compromisso entra rápido e sai rápido, e quem entrou sem entender o que estava fazendo não aguenta a correção quando ela vem.
O risco eleitoral que ninguém consegue precificar
Além do fluxo estrangeiro e da concentração da alta, tem um terceiro fator de risco relevante para quem investe no Brasil agora: as eleições.
O mercado está operando com dois cenários, continuidade com Lula ou mudança com Flávio Bolsonaro, e cada pesquisa eleitoral vai gerar oscilações. Para quem investe com base em fundamentos, essas oscilações podem criar janelas de compra. Para quem está no mercado por impulso, cada notícia vai parecer um sinal para comprar ou vender na hora errada.
O que fazer nesse cenário
A primeira coisa é não desprezar a renda fixa. Com títulos pagando 15%, 16%, 17% ao ano e com a perspectiva de queda de juros no futuro, títulos longos de renda fixa são uma posição estratégica muito relevante agora. Quando a Selic cair, quem estiver posicionado em títulos prefixados ou IPCA+ vai ter uma valorização expressiva na carteira.
A segunda é olhar para setores que não participaram da alta mas que vão se beneficiar, caso a economia continue crescendo. Energia elétrica, saneamento, processamento de alimentos, indústrias com décadas de história e lucro consistente. São empresas que não dão tesão, não aparecem nos grupos de WhatsApp, mas que entregam resultado independente do humor do mercado.
A terceira coisa a se fazer é: evitar aventura. IPOs de empresas sem histórico, setor aéreo, varejo frágil, tecnologia cara demais, qualquer coisa que pareça a nova grande oportunidade do momento.
O Brasil já viu companhias aéreas diluírem tanto os acionistas que quem tinha 100.000 ações ficou com o equivalente a 10.000. E isso acontece quando você aposta em narrativa em vez de fundamento.
A lógica que nunca muda
Uma coisa que eu sempre falo é: patrimônio é igual sabonete, quanto mais você mexe, menor ele fica.
O investidor que entra em pânico quando cai e vende; e compra de volta quando sobe, está sempre no timing errado. A estratégia que funciona no longo prazo é simples: comprar empresas boas e com lucro consistente, em momentos de desconto, e ter paciência para esperar.
O Brasil está num momento interessante, tem fundamento real por trás da alta. Mas tem também muita euforia misturada, e saber separar uma coisa da outra é o que vai determinar quem vai construir patrimônio de verdade nesse ciclo e quem vai apenas surfar a onda até a próxima correção.
Quer entender melhor sobre todo esse raciocínio e como não ficar no prejuízo? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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