Antes de sair do Brasil, leia isso

24 de agosto de 2026 - por raulsena1


Todo ano eleitoral tem uma onda de conteúdo do tipo “vou sair do Brasil, não aguento mais”. E olha, não tenho nada contra quem decide viver em outro lugar e encontra ali uma vida melhor. O mundo é vasto e nem sempre o país onde a gente nasceu é o que combina com a nossa vida. Mas tem um monte de coisa sobre esse assunto que ninguém fala na internet, e é isso que eu quero trazer aqui.

Hoje existem mais de 5,29 milhões de brasileiros vivendo fora do Brasil, segundo o Itamaraty (e aposto que o número real é bem maior). Os destinos favoritos são Estados Unidos (2,1 milhões), Portugal (628 mil), Paraguai (270 mil), Japão (210 mil), Espanha (196 mil), além de Reino Unido e Alemanha.

Vale reparar que boa parte desses fluxos tem raiz histórica. Muitos japoneses e alemães imigraram para o Brasil no passado e agora os descendentes estão voltando, já que a legislação costuma ser mais simples para quem tem ascendência.

Um detalhe importante: os números oficiais nem sempre batem com a realidade. Nos Estados Unidos, por exemplo, o registro formal é de 725 mil brasileiros, bem abaixo dos 2,1 milhões estimados. Em Portugal a diferença é pequena, porque a legislação de lá é mais simples para regularizar quem tem algum parente português.

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Quanto ganham os brasileiros nos Estados Unidos

Aqui vem um dado que pouca gente comenta. A renda média domiciliar de quem nasceu nos Estados Unidos é de 82.400 dólares por ano. E a dos brasileiros que migraram para lá? 87.500 dólares, a média mais alta entre os três grupos comparados (nascidos no país, imigrantes em geral e brasileiros).

Isso acontece porque o brasileiro costuma sair daqui disposto a trabalhar muito mais horas, buscando qualidade de vida e segurança que não encontrava por aqui.

Pobreza e mercado de trabalho americano

Só que a renda alta não conta a história toda. Nos Estados Unidos, 12% dos nascidos no país vivem abaixo da linha da pobreza. Entre os imigrantes em geral, esse número sobe para 14%, e entre os brasileiros é de 13%.

Ou seja, mesmo com a renda média mais alta, a taxa de pobreza entre os brasileiros também é maior que a dos nativos. Isso tem a ver com o período de adaptação: leva tempo para se assentar, aprender o idioma e conseguir um emprego estável. E nesse meio tempo, é comum passar por dificuldades.

Vale lembrar também que a legislação trabalhista americana é bem mais frouxa que a brasileira ou a europeia. Você pode ser demitido de um dia para o outro, sem os direitos trabalhistas que temos por aqui.

A realidade de quem vive sem documentos

Um estrangeiro com documentos nos EUA ganha bem menos que um nativo. E quem trabalha sem documentação costuma encarar jornadas de 8 a 12 horas por dia, sem nenhum benefício e com renda ainda mais baixa.

E tem outro detalhe pesado: muita gente assume uma dívida de 100 mil reais ou mais para migrar de forma ilegal, dando a própria casa como garantia. Dependendo da renda que sobra no fim do mês, pode levar de 1,3 a mais de 3 anos só para quitar essa dívida.

Só em 2025, os Estados Unidos registraram 234 mil deportações, 229 mil prisões e 60 mil detenções. E 71% dos detidos não tinham nenhum antecedente criminal, eram apenas pessoas trabalhando sem autorização. Depois de uma ordem de deportação, ainda rola multa de quase mil dólares por dia de permanência irregular, cobrada de forma retroativa por até cinco anos. Ou seja, quem ficou de forma ilegal dificilmente consegue voltar a entrar no país, nem para turismo.

Salários e custo de vida em Portugal

Em Portugal o salário mínimo líquido gira em torno de 819 euros e o custo essencial de um casal fica perto de 1.900 euros por mês. Ou seja, dois salários mínimos nem cobrem o básico.

Entre os brasileiros, a mulher costuma ganhar em média 801 euros e o homem 1.164 euros, uma diferença bem grande. A média geral dos brasileiros fica em 946 euros, contra 1.081 euros do trabalhador português médio. Viver em Portugal custa cerca de 54% a mais que no Brasil, sem contar aluguel.

Imigrantes trabalham abaixo da própria qualificação

Outro ponto pouco falado é que 27% dos portugueses trabalham abaixo da própria formação. Entre os imigrantes, esse número sobe para 40%, quase o dobro. Então a ideia de que basta validar o diploma para continuar na mesma carreira lá fora nem sempre se confirma na prática.

E a cidadania portuguesa também ficou mais demorada. Antes eram 5 anos para quem vem de países da comunidade de língua portuguesa, agora a nova regra prevê 7 anos (e 10 para os demais países). A contagem só começa quando sai o cartão de residência, que pode levar de 12 a 36 meses para ser emitido na prática.

Imigração legal x ilegal: o que muda de verdade

Essa é talvez a diferença mais importante de todas. Quem tem visto ou residência consegue crescer na carreira, financiar casa, contribuir para a previdência e entrar e sair do país quando quiser. Quem está sem documentos fica travado no setor informal, sem histórico de crédito, sem previdência, e corre risco real de detenção e deportação.

Para as mulheres, existe ainda um risco adicional pouco comentado: engravidar de um estrangeiro sem documentação regular pode dificultar demais o retorno ao Brasil com a criança.

Vale a pena migrar?

Não é sobre otimismo nem pessimismo, é sobre encarar os números com sinceridade. Quem migra dentro da lei, com diploma reconhecido, moradia organizada e um planejamento mínimo, tem uma chance de dar certo bem mais alta. Quem vai de forma desorganizada, atrás só de “fazer uma grana rápida”, corre riscos muito maiores.

E antes de pensar em sair do Brasil, vale conhecer melhor o próprio país. Nem tudo se resume a São Paulo ou Rio de Janeiro. Tem cidades com ótima qualidade de vida, mercado aquecido e menos concorrência por profissionais qualificados, como Florianópolis, Curitiba, Goiânia, Campo Grande e várias outras. Às vezes a mudança que resolve o problema está bem mais perto do que parece.

Quer conferir mais detalhadamente esses números? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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