12 de junho de 2025 - por Sidemar Castro
Embargo econômico é o que acontece quando um país decide cortar relações comerciais com outro, como se estivesse dizendo: “Com você eu não faço mais negócio”. Basicamente, é uma ferramenta poderosa que um ou mais países usam para pressionar um estado ou grupo de estados a mudar alguma atitude.
Nesta matéria, vamos mergulhar fundo no mundo dos embargos. Você vai entender o que é e exemplos práticos. Leia!
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O que é embargo econômico?
Embargo econômico é quando um país decide “dar um puxão de orelha” em outro, cortando relações comerciais para pressionar por alguma mudança.
Na prática, é tipo uma punição que trava ou restringe forte o comércio, serviços e outras trocas econômicas com o país visado. A ideia é apertar o cerco, limitando ao máximo as relações comerciais, para forçar uma mudança de postura.
E esses bloqueios podem ser bem pesados. Às vezes proíbem até itens essenciais, como comida, remédios ou combustível. Em casos mais radicais, o embargo bloqueia investimentos, serviços específicos e ainda congela contas bancárias e linhas de crédito do país afetado.
Por ser uma medida extrema, o embargo costuma abalar a economia do país punido de forma direta e profunda. Geralmente rola em meio a crises políticas, quando parte da comunidade internacional acha que o país está violando leis, tratados ou princípios globais. O objetivo é claro: apertar pra ver se o comportamento muda, seja pra respeitar direitos humanos, sair de um território ocupado ou cumprir acordos.
Os embargos podem ser totais (fechar tudo) ou parciais (só alguns setores), e se dividem em dois tipos principais:
- Estratégico: Bloqueia a venda de equipamentos militares e qualquer coisa que fortaleça o poder de defesa, ou ataque, do país.
- Comercial: Foca em estrangular a economia, travando comércio, serviços financeiros, investimentos e até o sistema bancário.
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Para que serve o embargo econômico?
Na maioria das vezes, quando um país aplica um embargo, a ideia é isolar o outro e apertar o cerco. O governo que impõe a sanção espera que as dificuldades criadas forcem o país alvo a recuar naquilo que motivou a punição.
Um dos exemplos mais famosos (e duradouros) disso foi o embargo que os EUA colocaram em Cuba desde 1958, uma resposta direta à Revolução Cubana e à implantação do socialismo na ilha.
Como foi dito antes, esses embargos podem ser totais (parar praticamente tudo) ou parciais (atingir setores específicos). E como é que eles funcionam na prática? Através de um pacote de medidas duras, como:
- Cortar exportações e importações (totalmente ou só de certos produtos);
- Impor cotas (limites rígidos) na quantidade de mercadorias que pode circular;
- Criar taxas e impostos especiais (muitas vezes abusivos) sobre o que ainda é permitido;
- Congelar grana (bloquear contas bancárias e aplicações financeiras);
- Proibir o transporte de cargas (frete marítimo, aéreo, etc.).
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Como funciona o embargo?
Poder negociar com o mundo todo é, muitas vezes, o pulo do gato pra um país crescer e prosperar. Por isso, quando alguém aplica um embargo (que é uma medida pesada, diga-se), o objetivo declarado costuma ser nobre: forçar o país alvo a tomar medidas humanitárias ou a parar de ameaçar a paz mundial.
Quem aplica? Bem, se um país age sozinho, chamamos de embargo unilateral. Agora, se um grupo de nações (como a ONU ou um bloco econômico) se junta pra impor a sanção, aí é embargo multilateral.
Mas afinal, e qual é o papel da ONU? Para um embargo multilateral “pegar” de verdade, é comum que a Organização das Nações Unidas (ONU) dê seu aval. A lógica dos países membros é simples: um embargo, por mais duro que seja, ainda é menos pior que uma guerra. É aquele “dos males, o menor”.
Mas será que funciona? Aqui entra a polêmica. Muitos especialistas criticam os embargos, argumentando que eles quase não dão resultado político e, pior, esmagam justamente a população mais pobre do país afetado.
Ainda assim, embargos seguem sendo usados, muitas vezes por falta de opção melhor. E essa história é antiga, viu? O primeiro registro é de 433 a.C., na Grécia Antiga! O governante ateniense Péricles proibiu os comerciantes da cidade rival de Megara de fazer negócios em Atenas. Motivo? Eles teriam usado terras sagradas pra plantar. Ou seja: até nos tempos de toga e sandália, já se usava o comércio como arma política!
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Lista de 8 países que sofreram embargo econômico
1) Cuba
O embargo econômico de Cuba é uma espécie de clássico dos embargos. Os EUA impuseram o bloqueio em 1962, logo depois que o país nacionalizou empresas americanas na Revolução Cubana. Até hoje, o bloqueio corta comércio, finanças e relações diplomáticas entre os dois, e ainda pesa na economia cubana.
2) Irã
O país dos aitatolás sofre sanções desde 1979 (quando houve a Revolução Islâmica, seguida da crise dos reféns). Mas o bicho realmente pegou com o programa nuclear. As restrições travam importações básicas e o petróleo (a galinha dos ovos de ouro do país), afetando direto o bolso do povo iraniano. Muito mais do que dos aitatolás e a elite do país…
3) Coreia do Norte
Esse é um caso de isolamento máximo. Embargos acontecem no país desde a Guerra da Coreia (anos 50), e a ONU entrou pesado em 2006 por causa dos testes nucleares. Resultado? Praticamente sem exportar e importar, bens de luxo ou culturais, a Coreia do Norte virou uma ilha flutuante de restrições.
4) Síria
Acusada de violar direitos humanos e alimentar conflitos, a Síria levou embargo dos EUA e aliados. As sanções atingem petróleo, finanças e tecnologia, e só pioram a crise humanitária que já assola o país, após longos anos de guerra civii.
5) Venezuela
O país entrou na mira em 2015, quando os EUA a declararam “ameaça à segurança”. No governo Maduro, as sanções apertaram o cerco no petróleo, ouro e sistema financeiro, jogando gasolina na fogueira da crise econômica e social do país.
6) Rússia
O mais recente e complexo embafgo econômico. Começou em 2014 com a anexação da Crimeia (União Europeia e Estados Unidos cortaram setores financeiros, energia e militar). Com a guerra na Ucrânia, virou um isolamento econômico quase total destes aliados: ativos congelados, tecnologia vetada, e uma pressão sem precedentes.
7) Iraque
Esse foi o caso mais brutal dos anos 90. Após invadir o Kuwait em 1990, o Iraque levou um embargo super-restritivo: só entrava comida e remédios, e o petróleo saía sob vigilância internacional. O embargo arrasou a economia, causando uma crise humanitária pesada. Durou até 2003, quando os EUA invadiram o Iraque na Guerra do Golfo.
8) África do Sul
Aqui um exemplo de um embargo que deu certo. Durante o apartheid, o regime de discriminação racial na África do Sul, o mundo apertou o cerco. A ONU vetou armas em 1977 e petróleo, além de sanções econômicas e diplomáticas. A pressão internacional ajudou a derrubar o regime racista no início dos anos 90.
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Fontes: Infoescola, Institucional Upis, Relações Exteriores e Mais Retorno.