Como crescer na carreira: o que aprendi de R$ 550 por mês a executivo

Como crescer na carreira, degrau por degrau: do primeiro salário de R$ 550 a executivo e empreendedor. Carteira de clientes, proatividade, várias rendas e entender de gente.

13 de setembro de 2026 - por Raul sena


Como crescer na carreira, na minha experiência, se resume a quatro coisas: oferecer o serviço antes de pedirem, fazer mais do que o combinado, nunca ter uma renda só e entender de gente mais do que de qualquer assunto. Meu primeiro salário registrado foi de R$ 550. Anos depois passei de R$ 100 mil por mês como executivo e, como empreendedor, faturei R$ 900 mil num único mês. O que aprendi em cada degrau está abaixo.

Atualizado em 29 de setembro de 2026. O texto parte do vídeo publicado em 31 de agosto de 2026.

A internet está cheia de história de quem “saiu do salário mínimo e ficou milionário”. Quase sempre falta a parte que importa: o que a pessoa teve de aprender em cada fase. Não escrevo para me vangloriar. Escrevo porque, se alguém tivesse me contado isso com sinceridade, eu teria chegado mais longe e mais rápido.

No vídeo eu mostro os registros da carteira de trabalho, no canal Investidor Sardinha.

Ganhar mais é metade do caminho. A outra metade é fazer o dinheiro trabalhar

Foi investindo o que sobrava de cada degrau que a carreira virou patrimônio. É isso que eu ensino na AUVP.
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A herança que não aparece no extrato

Muita gente que conta história de sucesso não começou do mesmo ponto que você. Recebeu dinheiro dos pais, herança, estrutura pronta. Eu não tenho essa história: a herança financeira que recebi foram dívidas.

Mas recebi outra, que só fui valorizar depois. Capital cultural. Nasci numa casa onde as pessoas liam e gostavam de estudar. Meu pai era designer gráfico e diagramador conhecido em Goiânia, e isso me colocou desde cedo perto do mercado editorial e de quem fazia livros. Ser “o filho do Sena” abriu portas nos primeiros trabalhos.

É por isso que certos sobrenomes se repetem por gerações, mesmo quando a família quebra. Educação e rede de contatos também se herdam. Se você não recebeu essa herança, dá para construir. Só é bom saber que ela existe e pesa.

R$ 550 por mês: a lição da carteira de clientes

Meu primeiro registro foi numa editora pequena, seis ou sete funcionários, que produzia livros e tinha contratos com o MEC. Na carteira digital consta trabalhador de manutenção de edificações, algo como zelador. Na prática eu cuidava dos sites, editava foto e fazia o que precisava, como em toda empresa pequena. O mínimo era R$ 510. Eu ganhava R$ 550.

Já fazia sites por fora, uns R$ 500 por projeto. O que mudou minha cabeça foi ver como a editora tratava os clientes: ela não esperava o cliente voltar. Quando um autor ia imprimir uma nova edição, alguém já tinha ligado oferecendo o próximo trabalho.

Parece pouco. Foi uma virada. Passei a oferecer meus serviços antes de as pessoas precisarem. Quando a editora entrou em dificuldade, fiquei com a carteira de sites dela para fazer a manutenção, e fazendo sites eu já ganhava mais do que em qualquer emprego registrado.

R$ 1.020 no arquivo do jornal: me pagavam para me ensinar

Mesmo ganhando bem com os sites, o dinheiro oscilava muito. E em família pobre o que vale é carteira assinada. Para dar estabilidade em casa fui trabalhar num jornal de Goiânia. Um ano depois do primeiro emprego, meu salário inicial já era de R$ 1.020, quase o dobro do mínimo.

Eu trabalhava no arquivo e tinha tempo livre. Usei esse tempo para sentar na mesa dos jornalistas e perguntar. Aprendi a escrever, aprendi o que é um lead, aprendi como funciona uma empresa com centenas de funcionários. Por ali passavam vereadores, deputados e governadores, e as pessoas me explicavam como o mundo funcionava.

Fui promovido muitas vezes. Poucos anos depois o fixo já passava de R$ 3.800, e o último registrado foi de R$ 4.488, fora comissão. Em salários mínimos da época, seria algo como R$ 11 mil a R$ 12 mil hoje, ainda muito jovem. Cheguei a cargo de direção, fiz o site do jornal crescer e fui premiado entre os influentes da comunicação. Se quiser ver quanto sobra de um salário desses, a calculadora de salário líquido faz a conta.

Ilustração de um quadro de cortiça com um jornal, um mouse, quadrinhos, uma camiseta, uma moeda, um trator e um prédio ligados por um fio vermelho
O jornal, os sites, os quadrinhos, as camisetas e os clientes do agro: cada ponto só fez sentido depois, olhando para trás.

Como ser promovido rápido: o que o funcionário exemplar faz de diferente

Eu era o funcionário que toda empresa gostaria de ter. Saía da escola, almoçava na cantina do jornal e subia direto para trabalhar, muito antes do meu horário. Ninguém pediu. Eu fazia porque queria.

Qualquer tarefa que me davam, eu tentava fazer da melhor maneira possível. Proatividade radical é o que faz alguém ser promovido rápido, e é muito mais rara do que parece. A maioria faz exatamente o que foi pedido. Nem um centímetro a mais.

Também aprendi que, numa empresa em dificuldade, pensar no que é melhor para o negócio é o que protege o emprego de todo mundo. Sempre olhei primeiro para a empresa. Isso me fez crescer rápido, mesmo quando não me tornava a pessoa mais querida da sala.

Nunca ter um trabalho só

Nesse tempo todo eu nunca estive em um lugar só. Larguei a faculdade de Geografia e usei o tempo livre para abrir negócio: uma empresa de sites, uma marca de camisetas, uma editora de quadrinhos. A maioria não deu muito dinheiro. Cada uma ensinou algo que levou à próxima.

Da editora de quadrinhos veio a renda de anúncios. Com ela aprendi a criar site de nicho. Dos sites de nicho fui para a mídia programática, e ali aprendi arbitragem de tráfego: comprar audiência por um valor e vender mais qualificada por outro. Os clientes foram crescendo até chegarem grandes empresas e portais de comunicação.

É o que Steve Jobs chamava de connecting the dots. Você só enxerga a linha olhando para trás. Os sites de Goiânia me levaram aos clientes do agro, que me levaram à mídia, que me levou aos portais. Por volta de 2018 meus sites já rendiam uns R$ 25 mil a R$ 30 mil por mês sem que eu precisasse trabalhar neles. Foi quando percebi que não dependia mais de emprego. Quem está pensando em fazer essa transição pode ler antes como eu penso a saída do emprego.

Quando só dinheiro deixa de bastar

Os primeiros milhões vieram da mídia, não dos investimentos, embora eu já investisse tudo o que sobrava. Passei anos procurando só dinheiro. Quando ganhei muito, percebi o quanto aquilo que eu fazia era insignificante para a sociedade.

Foi aí que comecei a olhar para o sistema financeiro e para quem ele servia de verdade. Criei o canal Investidor Sardinha em 2019. Logo depois nasceu a AUVP, e ela tinha algo que nada antes teve para mim: ganhar dinheiro mudando para melhor a vida de quem estava ao meu redor. Essa parte está em detalhe na minha biografia.

Carreira é feita de gente

Eu me considero estudioso, mas estudar não é o que mais explica o meu crescimento. O que mais pesou foi entender de gente. Empresa nenhuma tem regra sozinha; alguém definiu cada uma. Por isso sempre perguntei quem define a regra, e fui conversar com essa pessoa.

O que aprendi e uso até hoje:

  • Seja útil para muita gente. Fale bem de quem trabalha com você para o chefe dele. Apresente contatos. Ajude a fechar um negócio mesmo sem ganhar nada.
  • Nunca ofusque quem te ajudou. Quem te colocou num lugar precisa sentir que você vai empurrá-lo para cima, não passar por cima.
  • Troque favores e cobre os favores. Relação profissional é de mão dupla. Não tem nada de feio nisso.
  • Chegue em quem decide. Em qualquer hierarquia, descubra quem manda de verdade e como chegar nessa pessoa.
  • Investigue o que te incomoda. Pulga atrás da orelha? Vá atrás. Foi assim que cada negócio meu começou.

O ser humano não está nem aí para o quanto você sabe de um assunto. Tudo passa pelas relações. Se eu tivesse entendido isso aos 15 anos, teria ido muito mais longe.

Dúvidas que sobram

Qual foi o primeiro salário do Raul Sena?

R$ 550 por mês, numa editora de Goiânia, quando o mínimo era R$ 510.

Como crescer rápido na carreira?

Proatividade muito acima do que é pedido, oferecer o serviço antes de o cliente ou o chefe precisar, nunca depender de uma única renda e, acima de tudo, entender como as pessoas e as estruturas de decisão funcionam. Estudo ajuda, mas não foi o que mais pesou.

Ter mais de uma fonte de renda atrapalha o emprego?

Comigo foi o contrário. Os projetos paralelos ensinaram o que o emprego não ensinava e, com o tempo, passaram a render mais do que o salário.

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