Agências reguladoras: o que são, como funcionam e exemplos

23 de abril de 2025 - por Diogo Silva


Em um país onde os serviços essenciais afetam diretamente o cotidiano das pessoas, existe um conjunto de órgãos que desempenha um papel fundamental, mas muitas vezes invisível. Essas são as agências reguladoras. Elas operam nos bastidores, garantindo que setores como energia, saúde e telecomunicações funcionem de maneira justa e equilibrada. Mas como elas fazem isso? E quem garante que suas decisões são justas para todos?

Esses órgãos não só regulam e fiscalizam, mas também asseguram que o poder público e as empresas sigam as regras do jogo. Contudo, há mais por trás disso do que parece. No post de hoje, vamos desvendar o papel crucial dessas entidades e entender o impacto que elas têm em nossas vidas, longe dos holofotes.

O que são agências reguladoras?

As agências reguladoras são órgãos públicos criados para fiscalizar e controlar serviços essenciais, como energia, saúde, telecomunicações, transportes e saneamento. Elas garantem que esses serviços sejam prestados com qualidade, segurança e preços justos, protegendo os direitos dos consumidores.

Cada agência atua em um setor específico: a Anatel cuida das telecomunicações, a ANEEL da energia elétrica, a ANS dos planos de saúde, a ANVISA da vigilância sanitária e a ANTT do transporte terrestre, por exemplo.

Com autonomia técnica, essas agências tomam decisões baseadas em critérios legais e especializados, sem interferência política direta. Elas também promovem consultas públicas para ouvir a sociedade. Em resumo, funcionam como árbitros que asseguram o bom funcionamento e a justiça na prestação de serviços fundamentais à população.

Lei das agências reguladoras

As agências reguladoras no Brasil são regidas por leis específicas que definem sua criação, funcionamento e competências. A principal delas é a Lei nº 13.848/2019, conhecida como Lei Geral das Agências Reguladoras.

Essa lei padronizou regras para todas as agências, garantindo mais transparência, eficiência e independência técnica. Ela trata de temas como mandatos fixos para os diretores, critérios técnicos para nomeações, regras de gestão e prestação de contas, além de reforçar a necessidade de consultas públicas antes de decisões importantes.

Além dessa, cada agência também foi criada por uma lei específica, que detalha suas funções dentro do setor correspondente. Por exemplo, a Lei nº 9.472/1997 criou a Anatel (telecomunicações), a Lei nº 9.427/1996 criou a Aneel (energia elétrica), e a Lei nº 9.961/2000 criou a ANS (planos de saúde).

Essas leis definem exatamente o que cada agência pode e deve fazer, como fiscalizar empresas, aplicar multas e criar normas técnicas.

Qual a função das agências reguladoras?

As agências reguladoras têm a função de fiscalizar, controlar e regular serviços públicos essenciais, como energia, saúde, transportes e telecomunicações. Elas garantem que esses serviços sejam prestados com qualidade, segurança e preços justos, protegendo os direitos dos consumidores.

Entre suas principais atividades estão: criar normas técnicas, fiscalizar empresas do setor, aplicar sanções quando necessário e mediar conflitos. Também promovem consultas públicas para dar transparência às decisões e permitir a participação da sociedade.

Além disso, oferecem segurança jurídica ao mercado, criando um ambiente mais estável e confiável para investimentos.

Características das agências reguladoras

As agências reguladoras possuem algumas características fundamentais que garantem seu funcionamento eficaz. Elas têm autonomia técnica, administrativa e financeira, o que significa que podem tomar decisões baseadas em critérios técnicos, sem interferência direta do governo.

Outra característica importante é a especialização, pois são compostas por profissionais com conhecimento profundo nos setores que regulam.

As agências também têm poder normativo, podendo criar regras que devem ser seguidas pelas empresas do setor, e poder fiscalizador, permitindo aplicar multas e sanções em caso de descumprimento das normas.

Além disso, atuam com transparência, realizando consultas públicas e prestando contas à sociedade. Essas características garantem que as agências atuem com imparcialidade, estabilidade e foco na proteção do interesse público.

O Brasil tem quantas agências reguladoras?

Atualmente, o Brasil possui 11 agências reguladoras federais, responsáveis por supervisionar e regular setores estratégicos da economia e dos serviços públicos. Essas agências foram criadas por leis específicas e são regidas pela Lei nº 13.848/2019, que estabelece normas gerais para seu funcionamento.

As 11 agências reguladoras federais são:​

Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA)

Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC)

Agência Nacional do Cinema (ANCINE)

Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL)

Agência Nacional de Mineração (ANM)

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP)

Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS)

Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL)

Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ)

Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT)

Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA)

Essas agências atuam com autonomia técnica, administrativa e financeira, garantindo a regulação eficiente dos setores sob sua responsabilidade.

Quais agências reguladoras existem no Brasil?

1. ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica

Regula e fiscaliza a geração, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica no país, garantindo que o serviço seja prestado com qualidade e tarifas justas.

2. ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações

Cuida dos serviços de telefonia, internet e TV por assinatura. Regula as operadoras, define normas técnicas e fiscaliza a qualidade dos serviços.

3. ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Atua na área da saúde, fiscalizando medicamentos, alimentos, cosméticos, saneantes e serviços de saúde. Garante a segurança e a qualidade desses produtos e serviços.

4. ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar

Regula os planos de saúde no Brasil. Fiscaliza operadoras, define regras para cobertura, reajustes e atendimento ao consumidor.

5. ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil

Regula e fiscaliza o setor de aviação civil, incluindo companhias aéreas, aeroportos e a formação de pilotos, promovendo segurança e qualidade no transporte aéreo.

6. ANTAQ – Agência Nacional de Transportes Aquaviários

Supervisiona o transporte de cargas e passageiros por vias navegáveis (rios, mares, portos), promovendo eficiência e segurança na navegação.

7. ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres

Regula o transporte rodoviário e ferroviário de cargas e passageiros, além de fiscalizar concessões de rodovias federais.

8. ANP – Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

Regula as atividades do setor de petróleo, gás e biocombustíveis, desde a exploração até a comercialização, promovendo o uso racional dos recursos energéticos.

9. ANCINE – Agência Nacional do Cinema

Regula e fomenta a produção, distribuição e exibição de obras audiovisuais brasileiras. Apoia o desenvolvimento do setor cinematográfico e audiovisual.

10. ANM – Agência Nacional de Mineração

Regula a exploração e a produção de recursos minerais no Brasil, garantindo que a atividade mineradora siga padrões técnicos e ambientais.

11. ANA – Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico

Responsável por implementar a política de gestão dos recursos hídricos e regular serviços de saneamento básico, promovendo o uso sustentável da água no país.

Diferenças entre agências reguladoras e agências executivas

As agências reguladoras têm a função de regular, fiscalizar e controlar setores essenciais, como saúde, energia e telecomunicações. Elas têm autonomia técnica, tomando decisões baseadas em critérios especializados, e atuam como “árbitros” entre o governo, empresas e sociedade.

Já as agências executivas são responsáveis por executar políticas públicas e gestionar serviços específicos como educação e infraestrutura. Elas têm menos autonomia e seguem mais diretamente as orientações dos ministérios, sendo focadas na implementação de programas do governo.

Em resumo, as agências reguladoras supervisionam e garantem o cumprimento das regras, enquanto as agências executivas implementam políticas públicas de forma operacional.

Como as agências reguladoras são controladas?

As agências reguladoras no Brasil são controladas por mecanismos internos e externos. Internamente, elas possuem auditoria interna para verificar a conformidade das atividades com as normas e garantir boa gestão.

Externamente, o Tribunal de Contas da União (TCU) fiscaliza a execução orçamentária, e o Congresso Nacional acompanha as ações das agências por meio de relatórios e audiências públicas.

Além disso, as agências promovem consultas públicas para garantir transparência e participação da sociedade nas decisões. O Poder Judiciário também pode reavaliar as decisões das agências se alguém se sentir prejudicado.

Por fim, embora as agências tenham autonomia técnica, elas são vinculadas ao Poder Executivo, que tem o poder de nomear seus diretores, mas com mandatos fixos para garantir estabilidade.

Esses mecanismos buscam garantir que as agências atuem de forma transparente, eficiente e imparcial.

Qual a importância das agências reguladoras?

As agências reguladoras são essenciais para garantir que serviços fundamentais, como energia, saúde, telecomunicações e transporte, sejam prestados com qualidade, segurança e preços justos.

Elas têm o papel de proteger os direitos dos consumidores, fiscalizando as empresas para que cumpram as normas estabelecidas. Além disso, essas agências ajudam a promover uma competição saudável, evitando abusos por parte das empresas e assegurando que todas sigam regras claras.

As agências também são importantes para garantir transparência nas decisões governamentais, permitindo que a sociedade participe ativamente do processo regulatório, por meio de consultas públicas e audiências.

Elas contribuem para a eficiência econômica, garantindo que os serviços sejam prestados de forma sustentável, otimizando recursos e promovendo o crescimento dos setores regulados.

Fontes: Gran Cursos Online; Suno; Idec; Estratégia

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