23 de janeiro de 2026 - por Diogo Silva
O BTG Pactual ultrapassou o valor de mercado dos gigantes Bradesco e Santander! É importante destacar que é o valor de mercado, não o número de clientes ou agências físicas espalhadas pelo Brasil. Isso é algo para nos deixar atentos e que atrai os olhares de investidores de todo o mundo.
Mas o que significa essa ultrapassagem e como é possível desfrutar disso? E, acima de tudo, qual o peso disso para o mercado como um todo? Vem comigo que eu te explico a seguir. Bora lá.
Como o BTG ultrapassou o Bradesco e o Santander?
Antes de começar a pontuar, vale colocar as coisas no lugar certo. Quando se diz que o BTG Pactual ultrapassou o Bradesco e o Santander, estamos falando principalmente de valor de mercado, não de tamanho operacional, número de clientes ou volume total de crédito.
E valor de mercado é uma métrica volátil, que reflete expectativas sobre o futuro, humor do investidor e capacidade de crescimento, especialmente em momentos em que os bancos tradicionais enfrentam desafios estruturais como custos altos, menor crescimento e pressão regulatória.
Agora que deixamos bem claro, você vai poder entender melhor por que o BTG ganhou tanto espaço.
1. Mudança no que o mercado passou a valorizar
O mercado deixou de premiar apenas tamanho e tradição e passou a olhar com mais atenção para crescimento, eficiência e retorno sobre capital. Assim os bancos grandes e pesados perderam parte do encanto, enquanto modelos mais ágeis, como o do BTG, passaram a parecer mais atraentes.
2. Modelo de negócios mais leve e rentável
Enquanto bancos tradicionais carregam estruturas enormes, milhares de agências físicas e custos elevados, o BTG opera com um modelo muito mais enxuto. Isso significa margens melhores, menos desperdício e maior capacidade de transformar receita em lucro, algo que todo investidor adora ver.
3. Foco em clientes de alta renda e empresas
O BTG concentrou sua atuação em wealth management, investment banking, crédito estruturado e grandes empresas. São segmentos que, apesar de atenderem menos clientes, geram ticket médio alto e margens mais robustas, o que impulsiona resultados mesmo sem precisar crescer em volume massivo.
4. Crescimento consistente, mesmo em cenários difíceis
Enquanto bancos tradicionais sofreram com inadimplência, compressão de margens e menor demanda por crédito, o BTG conseguiu continuar crescendo receitas e lucros, inclusive em ambientes macroeconômicos mais desafiadores. Isso reforçou a narrativa de resiliência do negócio.
5. Forte presença no mercado de capitais
O BTG se posicionou como um dos principais protagonistas em ofertas de ações, debêntures, fusões, aquisições e estruturações financeiras. Em períodos de maior atividade no mercado de capitais, isso vira uma vantagem competitiva clara frente aos bancos mais focados no varejo tradicional.
6. Narrativa de banco do futuro
Mesmo sendo um banco já consolidado, o BTG conseguiu construir a imagem de uma instituição moderna, digital e conectada às novas dinâmicas financeiras, sem carregar o peso histórico dos grandes bancos Narrativa conta, e muito, quando se fala em valor de mercado.
– Presença e eficiência digital
A presença do banco no meio digital sempre foi menos sobre aparência e mais sobre boa funcionalidade. O BTG já nasceu integrado à tecnologia, sem precisar de muito esforço para se adaptar estruturas antigas, o que deixou o processo bem mais simples, rápido e eficiente logo de cara. Isso reflete no dia a dia interno e na experiência de quem utiliza as plataformas.
Para o cliente, o digital do banco significa autonomia e agilidade. Investir, acompanhar posições ou contratar soluções acontece fluidamente, sem excesso burocrático ou muitas etapas. Ao mesmo tempo, a tecnologia ajuda o banco a manter seu atendimento personalizado, compreendendo melhor o perfil de seus clientes sem perder escala.
Bom, essa eficiência no meio digital reduz custos, evita desperdícios e permite um crescimento sem inflar a estrutura. Um dos motivos do sucesso do BTG é que o digital da instituição não aparece como inovação, mas sim como algo natural, quase invisível. Justamente por isso é tão poderoso.
– Modelo de negócios e cultura
O modelo de negócios do BTG Pactual foge do padrão dos bancões tradicionais. Como já falamos antes, em vez de apostar no varejo massificado, o banco escolheu atuar em áreas de maior valor agregado, como investment banking, gestão de recursos, wealth management, crédito corporativo e investimentos.
Isso permite atender menos clientes, mas com relações mais profundas, margens melhores e resultados mais consistentes.
Essa diversificação não é aleatória. As áreas se complementam e conversam entre si, o que ajuda o banco a atravessar diferentes ciclos econômicos com mais equilíbrio. Quando um segmento desacelera, outro tende a sustentar o desempenho. É um crescimento mais orgânico, baseado em relacionamento e confiança, não apenas em volume.
Tudo isso é sustentado por uma cultura de partnership muito forte. No BTG, muitos líderes são sócios do negócio, o que cria uma mentalidade real de dono. As decisões são mais responsáveis, o foco é de longo prazo e o desempenho importa de verdade.
Essa combinação de foco, diversificação e alinhamento ajuda a explicar por que o banco conseguiu crescer com tanta consistência, sem perder identidade no caminho.
– Aquisições e expansão internacional
A estratégia de aquisições e expansão internacional do BTG Pactual sempre foi mais discreta do que espalhafatosa. O banco nunca saiu comprando ativos só para crescer rápido. Cada movimento foi pensado para somar competências, ganhar eficiência e fortalecer áreas-chave, sem perder controle nem identidade.
No Brasil, as aquisições ajudaram a ampliar o alcance e acelerar estratégias já em andamento, especialmente em investimentos, gestão de recursos e soluções digitais. Em vez de começar do zero, o BTG preferiu integrar negócios que já funcionavam bem e adaptá-los à sua cultura e tecnologia.
Fora do país, a expansão aconteceu com o mesmo cuidado. O banco passou a marcar presença em centros financeiros estratégicos para acompanhar clientes, acessar capital global e conectar investidores ao Brasil. Não é uma expansão baseada em quantidade de países, mas em qualidade de atuação.
Tanto nas aquisições quanto no crescimento internacional, o BTG mostrou um estilo claro de crescer com método, manter a cultura de dono e construir valor no longo prazo, sem pressa, mas com direção.
Por que o BTG ultrapassar o Bradesco e Santander impressiona?
O que torna tão impressionante o BTG Pactual ultrapassar Bradesco e Santander Brasil em valor de mercado é o contraste enorme entre as histórias desses bancos. Bradesco e Santander são gigantes formados ao longo de décadas, cresceram junto com o Brasil, se tornaram bancos milhões de pessoas, atravessaram crises, planos econômicos e mudanças profundas no sistema financeiro. Eles representam o banco tradicional, pesado, estável e essencial.
O BTG vem de outro lugar. É um banco bem mais jovem, que nunca tentou ser tudo para todo mundo. Cresceu focado em especialização, eficiência e decisões rápidas, sem a herança de estruturas gigantescas e custos difíceis de reduzir. Enquanto os bancões construíram tamanho, o BTG construiu retorno.
Quando o mercado passa a atribuir mais valor ao BTG, o recado não é sobre quem é melhor, mas sobre o que o investidor acredita que vai funcionar melhor daqui para frente. Valor de mercado é expectativa, não fotografia do presente. E a expectativa passou a favorecer um banco mais enxuto, flexível e alinhado a um sistema financeiro em transformação.
O que realmente impressiona não é ver os gigantes ficarem para trás, mas perceber que um banco com outra lógica, outra cultura e outro ritmo conseguiu mudar o jeito como o mercado enxerga valor. É menos sobre passado e mais sobre para onde o dinheiro acredita que o futuro está indo.
Quais são os 5 maiores bancos do Brasil em 2026?
1. Itaú
O Itaú segue como o banco privado mais sólido e lucrativo do país. Em 2026, ele continua liderando em qualidade de resultado, com lucro anual na casa dos R$ 40 bilhões.
Sua base gira em torno de 100 milhões de clientes, entre pessoas físicas e jurídicas. O Itaú conseguiu algo raro no setor, que foi manter escala gigantesca sem perder eficiência, combinando tecnologia, crédito e serviços financeiros de forma muito bem integrada.
2. Caixa Econômica
A Caixa é um caso único no sistema financeiro brasileiro. Mesmo não sendo um banco privado, ela ocupa posição central no ranking por atender a maior base do país, com algo em torno de 150 milhões de clientes, muito impulsionados por programas sociais, FGTS e habitação.
O lucro anual costuma variar, mas permanece na casa das dezenas de bilhões de reais. É um banco enorme, com papel social forte e presença praticamente universal no território nacional.
3. Banco do Brasil
É claro que Banco do Brasil estaria no top 5, já que ele combina tradição, escala e rentabilidade. Em 2026, segue entre os mais lucrativos do país, com lucro anual próximo de R$ 35 a 40 bilhões, competindo diretamente com o Itaú nesse quesito.
Sua base de clientes gira em torno de 80 milhões, com grande força no agronegócio, no crédito empresarial e no setor público. É um banco clássico, mas que conseguiu se modernizar sem perder identidade.
4. Bradesco
Esse continua sendo um dos maiores bancos do Brasil em número de clientes, com algo próximo de 110 milhões. O lucro, porém, vem abaixo dos líderes, girando na faixa de R$ 15 a 20 bilhões.
O Bradesco é um banco que carrega uma estrutura muito grande, construída ao longo de décadas, o que traz força, mas também desafios. Ainda assim, sua relevância no varejo bancário segue impressionante.
5. Nubank
O queridinho das pessoas fecha esse ranking mais pelo número de clientes do que pelo lucro absoluto. Em 2026, já ultrapassa a marca de 110 milhões de clientes, sendo uma das maiores bases do sistema financeiro brasileiro.
O lucro existe e cresce ano após ano, mas ainda é menor que o dos grandes bancões, ficando na casa de alguns bilhões de reais. Mesmo assim, sua presença é simbólica e nenhum outro banco cresceu tão rápido em tão pouco tempo.
Fontes: Creditas; Poder 360; Bloomberg Línea; Kaza Capital; Roberto Moreira; BTG Pactual; Exame