28 de agosto de 2025 - por Millena Santos
No mercado, existem dois conceitos importantes: concorrência perfeita e concorrência imperfeita. Um representa a ideia de equilíbrio, em que ninguém tem poder isolado para controlar preços, enquanto o outro mostra a realidade do dia a dia, com empresas que se destacam, criam barreiras e até influenciam as escolhas dos consumidores.
Neste texto, a gente te explica mais sobre isso. Vamos lá?
O que é concorrência perfeita?
A concorrência perfeita é um conceito usado na economia para explicar como funcionaria um mercado “ideal”. Nessa situação, existe um grande número de vendedores oferecendo produtos muito parecidos entre si e, ao mesmo tempo, um grande grupo de compradores interessados.
Como há tanta oferta e procura, nenhuma empresa consegue controlar os preços sozinha, já que eles acabam sendo definidos pela dinâmica do mercado.
Outro ponto importante é que, no longo prazo, as receitas das empresas nesse modelo tendem a se igualar aos seus custos totais. Ou seja, não sobra espaço para lucros exagerados, porque a competição constante “equilibra o jogo”.
Mas aí vem a parte curiosa: esse tipo de concorrência é mais uma referência teórica do que algo que acontece de fato no mundo real.
Sempre existem detalhes que impedem que um mercado seja 100% enquadrado nesse modelo, seja pela diferenciação de produtos, pela força de grandes marcas ou até por barreiras de entrada que dificultam a participação de novos concorrentes.
Na prática, é como se a concorrência perfeita fosse um “norte” para entender melhor o funcionamento dos mercados, mas quase impossível de encontrar em sua forma pura.
Característica da concorrência perfeita
Quando se fala em concorrência perfeita, as principais características são as seguintes:
- Produtos muito parecidos: as mercadorias ou serviços oferecidos são praticamente iguais, sem grandes diferenças que façam um consumidor preferir uma marca em especial. Isso faz com que a escolha acabe sendo guiada mais pelo preço do que por qualquer outra coisa.
- Livre entrada e saída do mercado: qualquer empresa pode começar a vender nesse espaço ou desistir dele sem grandes barreiras. Essa liberdade é um dos pontos que mais reforçam a competição constante.
- Muitos vendedores e compradores: a quantidade de participantes é tão grande que nenhum agente, isoladamente, tem poder para ditar preços ou manipular o equilíbrio do mercado.
- Qualidade sempre em foco: mesmo com produtos muito parecidos, as empresas buscam entregar algo confiável e de boa qualidade, já que não têm como se diferenciar tanto em outros aspectos.
- Facilidade para novos concorrentes: não existem obstáculos tão pesados que impeçam novas empresas de entrar nesse mercado.
- Transparência nas informações: todos os participantes têm acesso às mesmas condições, como preços, custos e regras. Isso, em teoria, evita surpresas e garante um funcionamento mais justo.
O que é concorrência imperfeita?
A concorrência imperfeita aparece justamente como contraponto ao modelo da concorrência perfeita. Nesse caso, já não existe aquele equilíbrio ideal entre oferta e demanda. Em vez de um mercado cheio de empresas dividindo espaço de forma igual, o que se vê é a presença de um ou poucos agentes econômicos com mais poder para influenciar preços e até ditar as regras do jogo.
Essa concentração dá a essas empresas a possibilidade de dominar um nicho, criando barreiras para novos concorrentes e diminuindo a liberdade de escolha dos consumidores.
Por isso, nesse tipo de mercado, o preço de bens e serviços muitas vezes não é resultado apenas da competição, mas também da força que determinadas companhias exercem.
Diferente da concorrência perfeita, que fica mais no campo das ideias, a concorrência imperfeita é parte do dia a dia e está presente em vários setores. Supermercados que lideram em determinadas regiões, grandes redes de fast food, companhias aéreas e até gigantes da tecnologia são bons exemplos de como esse modelo funciona na prática.
Característica da concorrência imperfeita
Entre as características da concorrência perfeita, vale a pena citar:
- Diferenciação de produto: as empresas procuram criar produtos ou serviços que tenham alguma característica única, seja na qualidade, na marca, no design ou até na experiência oferecida. Isso faz com que o consumidor perceba diferenças e, muitas vezes, pague mais caro por elas.
- Menos concorrentes: ao contrário da concorrência perfeita, aqui não existe uma multidão de empresas disputando espaço. O número de competidores é menor, e isso já dá a algumas companhias mais influência dentro do mercado.
- Poder de mercado: como não há tantos concorrentes, algumas empresas conseguem definir preços, controlar a quantidade de oferta e até ditar tendências, influenciando diretamente o comportamento do setor.
- Entrada e saída mais difíceis: nesse cenário, não é tão simples começar ou desistir de atuar no mercado. Custos elevados, patentes, exigências legais ou até a força de grandes marcas podem ser barreiras que dificultam a entrada de novos concorrentes e mantêm os já estabelecidos por mais tempo.
Tipos de concorrência imperfeita
1- Monopólio
Nesse modelo, existe apenas um vendedor para muitos compradores. Como não há concorrência direta, essa empresa detém o poder de controlar os preços e a oferta do bem ou serviço. Exemplos clássicos são companhias que administram serviços públicos exclusivos, como fornecimento de água ou energia em determinadas regiões.
2- Monopsônio
Aqui acontece o contrário. Existem muitos vendedores, mas apenas um comprador relevante. Nesse caso, quem define os preços é justamente o comprador, que concentra poder de barganha. Um exemplo seria quando o governo é o único comprador de determinados produtos, como armamentos militares.
3- Oligopólio
Nesse cenário, há um pequeno grupo de empresas dominando as vendas para muitos consumidores. Como poucas companhias concentram a oferta, acabam tendo bastante influência na formação dos preços. O setor automobilístico e o de combustíveis costumam ser bons exemplos desse tipo de mercado.
4- Duopólio
Aqui, a competição se resume a apenas duas empresas que dividem o mercado entre si. Esse tipo de disputa é mais raro, mas pode ser visto em determinados setores de tecnologia ou em linhas aéreas específicas, quando apenas duas companhias dominam a rota.
5- Oligopsônio
É o oposto do oligopólio. Nesse caso, há muitos vendedores, mas poucos compradores. Assim, o poder de decisão sobre preços e condições de compra fica concentrado nas mãos de um pequeno grupo de consumidores. Esse modelo pode aparecer em setores agrícolas, quando poucos distribuidores compram a produção de muitos pequenos produtores.
Qual a diferença entre concorrência perfeita e concorrência imperfeita?
Na concorrência perfeita, o cenário idealizado é de muitos compradores e muitos vendedores oferecendo produtos praticamente idênticos. Nesse ambiente, ninguém tem poder isolado para controlar preços, já que eles são definidos naturalmente pela relação entre oferta e demanda. É como se fosse um “mercado de manual”, usado pela economia como referência teórica.
Já na concorrência imperfeita, esse equilíbrio se perde. Falta pelo menos um dos elementos da concorrência perfeita: pode ser que existam poucos vendedores, produtos diferenciados ou até barreiras que dificultam a entrada de novas empresas. Nesse caso, algumas companhias ou até consumidores acabam concentrando poder e influenciando preços.
Enquanto a concorrência perfeita é um modelo que ajuda a entender como os mercados poderiam funcionar de maneira totalmente equilibrada, a concorrência imperfeita é o que realmente acontece no dia a dia, no supermercado, na escolha da companhia aérea ou até na hora de decidir qual celular comprar. Faz todo sentido, né?
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Fonte: ABContent, Investopedia, testbook.