O que é um CDB na prática e quais são os RISCOS de investir nisso?

Descubra o que é um CDB na prática e quais os tipos de risco que esse investimento pode representar para quem ainda não entende o que ele é.

4 de julho de 2024 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)


Hoje você vai descobrir o que é o CDB na prática e quais os riscos de fazer esse tipo de investimento. De uns tempos para cá, as pessoas tem falado muito em CDB por todos os lados, a ponto da popularidade desse investimento superar a da poupança e a da conta-corrente, onde até então as pessoas deixavam seu dinheiro.

Com a crescente adesão à esse tipo de investimento de renda fixa, sem terem muita certeza do que fazem, as pessoas podem estar correndo riscos que desconhecem.

Neste artigo falaremos mais sobre o que é um CDB e se vale a pena fazer esse tipo de investimento ou se é um risco que poucos conhecem.

O que é um CDB?

CDB é a sigla para Certificado de Depósito Bancário. Para entender o motivo de sua existência, é simples. Os bancos vivem de empréstimos, ou seja, eles sempre estão emprestando dinheiro para alguém, mas isso é de conhecimento comum.

O que nem todo mundo sabe é de onde vem todo o dinheiro que o banco empresta. E não é da própria instituição. Mas então, de onde vem o valor utilizado para os empréstimos?

O dinheiro que as pessoas tomam emprestado sai da conta dos próprios correntistas, isto é, o banco pega o valor disponível nas contas correntes e utiliza para se alavancar. Contudo, existe um limite que o banco possui de dinheiro para emprestar. Mas como se proteger de quebrar fazendo esse tipo de movimentação?

Por determinação do Banco Central, toda instituição financeira deve ter mais depósitos do que saques ao final de um dia operacional. Como de vez em quando isso dá errado, os bancos se veem obrigados a pedirem emprestado de outras instituições financeiras para cobrir os saques a mais.

Caso isso ocorra com muita frequência, o banco acaba entrando em insolvência, porque tem apenas uma pequena parcela de todo o dinheiro que emprestou.

Por isso, é necessário os bancos respeitarem o índice de porcentagem disponível de dinheiro dos correntistas. Por exemplo, se você tem R$ 100 mil em um banco, ele precisa disponibilizar pelo menos R$ 12 mil desse valor para saque. Isso significa que se todo mundo resolvesse sacar os valores que possui em sua conta, os bancos quebrariam, porque eles não existem.

Como funciona o CDB na prática?

Quando um banco precisa de mais dinheiro para emprestar, ele pode emitir um CDB. Por exemplo, se um cliente deseja um financiamento imobiliário, mas o banco não tem fundos suficientes, ele emite um CDB e oferece esse título aos investidores. Estes compram o CDB e, em troca, recebem uma taxa de juros. A instituição financeira então usa o dinheiro para conceder o empréstimo e paga uma pequena parte dos juros recebidos aos investidores.

Quais investimentos o FGC cobre?

Um dos principais riscos ao investir em CDBs é a insolvência do banco emissor. Se ele falir, os investidores podem perder o dinheiro que aplicaram. No entanto, no Brasil, existe o Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege os aportes em CDBs até R$ 250.000 por instituição financeira.

Esse fundo foi criado pelos próprios bancos para garantir que, em caso de falência de um deles, os clientes dos outros não percam a confiança no sistema financeiro. Por conta disso, o FGC cobre diversos tipos de investimentos, incluindo:

Depósitos à vista, poupança, Letras de Câmbio (LC), Letras Hipotecárias (LH), Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), Depósitos a Prazo (RDB), Certificados de Depósito Bancário (CDB).

É seguro investir em CDB?

Dependendo de quanto você tem investido, CDBs podem ser seguros, já que a cobertura do FGC é limitada a R$ 250.000 por instituição e por CPF ou CNPJ.

Portanto, se você tem um valor superior para investir, é recomendável distribuir em até quatro diferentes bancos para garantir a cobertura total do seu investimento, que se limita a R$ 1 milhão, a cada quatro anos.

O FGC é seguro?

O FGC é considerado uma instituição sólida, com um patrimônio significativo. Segundo um relatório de 2023, o FGC fechou o ano com um patrimônio de R$ 125 bilhões, acima dos R$ 108 bilhões do fechamento de 2022, o que lhe permite cobrir uma vasta gama de depósitos.

No entanto, é importante entender que, em caso de falência de uma grande instituição financeira como o Itaú, Nubank, Banco do Brasil ou qualquer outra, o FGC não possui patrimônio suficiente para resolver esse problema. Em situações assim, o governo precisaria intervir para evitar um colapso no sistema financeiro.

É seguro investir em uma cooperativa?

É importante saber que o FGC não cobre investimentos em cooperativas de crédito. Nesses casos, a proteção é oferecida pelo FGCoop, que tem regras e limitações próprias.

Além disso, investir em cooperativas pode trazer responsabilidades adicionais, como a necessidade de cobrir dívidas da empresa em caso de falência. Você responde como sócio e não como cliente diante da lei.

Dá uma olhada neste meu vídeo onde mostro todas as outras coberturas que o FGC também não faz:

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