27 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro
Resseguro e cosseguro são mecanismos para distribuir riscos, mas de maneiras diferentes: no cosseguro, várias seguradoras dividem o risco de um mesmo seguro e o segurado sabe quem são elas. Já no resseguro, a seguradora original transfere parte do risco para outra empresa, a resseguradora, sem que o segurado precise ser informado.
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O que é resseguro?
Você pode imaginar que o resseguro age como quando alguém contrata um guarda-costas pessoal, mas esse guarda também chama um amigo para garantir a retaguarda. A seguradora é o “guarda-costas” principal, que cuida de tudo para você: recebe pagamentos, dá suporte, lida com sinistros.
A resseguradora é como um “segundo guarda-costas” chamado para ajudar se a coisa for feia demais. Você, que comprou o seguro, normalmente nem sabe que existe esse “segundo guarda-costas”, e nem precisa saber.
Só importa que, se der ruim, há alguém com mais estrutura para garantir que tudo será pago. Isso dá mais segurança para que a seguradora ofereça seguros maiores e para que os segurados fiquem tranquilos.
Função do resseguro
Veja o resseguro como o alicerce que permite a construção de arranha-céus no mundo dos seguros. Sem ele, as seguradoras teriam que se limitar a riscos menores, com os quais pudessem arcar sozinhas.
A função essencial do resseguro é fornecer essa base sólida de capital e confiança. Ele capacita as seguradoras a assumirem responsabilidades gigantescas que, sozinhas, seriam impensáveis, desde a proteção de grandes obras de infraestrutura até o seguro de vidas de personalidades globais.
Ao transformar um risco imenso e incerto em uma obrigação gerenciável e compartilhada, o resseguro não só protege as seguradoras da insolvência como também fomenta a inovação, permitindo a criação de novos produtos e a cobertura de riscos cada vez mais especializados, o que beneficia toda a economia e a sociedade.
Como funciona o resseguro?
Quando alguém contrata um seguro, decide transferir para a seguradora a incerteza, o risco de algo ruim acontecer (um acidente, um sinistro, um desastre). A seguradora, por sua vez, pode assumir esse risco sozinha… ou decidir compartilhar parte dele com outra empresa especializada: a resseguradora.
Esse mecanismo de transferência de risco é o resseguro. A seguradora original se chama “cedente”; a que assume a parte transferida é a “resseguradora”. O contrato de resseguro é independente do contrato de seguro do cliente.
No resseguro, o segurado (cliente final) nem percebe, ele contrata o seguro com a seguradora e continua lidando com ela. A resseguradora opera nos bastidores, ajudando a seguradora a ter estrutura financeira para arcar com sinistros grandes ou muitos sinistros juntos.
Existem diferentes modalidades de resseguro: proporcional (quota-parte, surplus) e não proporcional (excesso de danos, stop-loss). Dependendo do perfil do risco e da carteira de seguros, a seguradora pode optar por uma ou outra, buscando o equilíbrio entre assumir risco e garantir a capacidade de pagamento.
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O que é cosseguro?
O cosseguro está previsto na legislação aplicável ao mercado segurador: é definido como uma operação em que duas ou mais seguradoras, com a anuência do segurado, dividem entre si, proporcionalmente, os riscos de uma mesma apólice. Cada seguradora tem responsabilidade limitada à sua cota-parte, sem solidariedade além dessa fatia.
Na prática, isso significa que o segurado pode ter, formalmente, um contrato de seguro onde aparecem várias seguradoras. Em geral, existe uma seguradora-líder que administra a apólice, ela coordena o seguro, recebe os pagamentos e representa as demais seguradoras em eventuais acertos de sinistro. As demais apenas participam da cobertura da parte de risco que assumiram.
Essa divisão entre seguradoras torna viável oferecer proteção em casos de riscos elevados ou valores muito altos, algo que poderia ser inviável ou arriscado para uma única seguradora. Ao mesmo tempo, essa estrutura ajuda a distribuir o risco no mercado segurador de forma equilibrada.
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Função do cosseguro
A essência do cosseguro é tornar possível a contratação de seguros para riscos considerados gigantes, como grandes frotas, aeronaves ou projetos que movimentam somas altíssimas.
Quando o valor envolvido ou a complexidade do risco é muito elevada, uma única seguradora pode não ter capacidade, ou simplesmente não querer assumir toda a exposição. O mecanismo do cosseguro permite, então, que diversas seguradoras aceitem uma quota-parte desse risco.
Ao invés de uma empresa responder por 100%, ela pode ficar com 30% e outras parceiras dividirem o restante. Isso não só proporciona maior segurança para as próprias seguradoras, equilibrando o impacto financeiro de um eventual sinistro, mas, principalmente, garante ao cliente (o segurado) que ele conseguirá a proteção de que precisa.
No fim das contas, a função primordial do cosseguro é dar capacidade ao mercado para cobrir o que é grande demais.
Como funciona o cosseguro?
O cosseguro é um mecanismo de divisão de risco que funciona de forma bastante organizada.
Tudo começa quando um cliente busca um seguro para um risco de grandes proporções. A seguradora contratada, em vez de arcar sozinha, convida outras seguradoras para participarem da operação.
Cada uma delas, então, define qual percentual do valor total ela está disposta a garantir. Na prática, é criado um único contrato de seguro, assinado por todas as cosseguradoras, onde cada uma se compromete com a sua parte.
Caso ocorra um sinistro, o cliente não precisa correr atrás de cada empresa. Ele aciona a seguradora líder, que centraliza a comunicação e gerencia o processo de indenização.
Após a apuração, o valor da indenização é rateado entre todas as participantes, e cada uma paga a sua parte correspondente. Dessa forma, o risco é pulverizado, dando mais segurança financeira para as seguradoras e, consequentemente, para o próprio segurado.
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Quais as diferenças entre resseguro e cosseguro?
O resseguro é um contrato entre seguradora e resseguradora. A seguradora continua responsável perante o segurado, mas transfere parte do risco para outra empresa especializada. O segurado não tem relação direta com a resseguradora.
No cosseguro, por sua vez, duas ou mais seguradoras dividem formalmente os riscos de uma apólice, com anuência do cliente. Cada uma responde apenas pela fração que assumiu, sem solidariedade entre elas. Normalmente, uma seguradora líder administra o contrato e representa as demais.
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Fontes: Baeta, Tex Tecnologia, Jus Brasil, Suhais Seguradora e Migalhas.