FGC não vai pagar Banco Master? Que rolo é esse?

12 de janeiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)


Muitas pessoas tem me questionado a respeito do Banco Master. A dúvida comum é: o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) vai ou não cobrir esses investimentos?

Para responder a isso, é necessário entender o que está acontecendo nos bastidores envolvendo e as investigações em curso.

O caso ganhou novos desdobramentos após a Polícia Federal colher depoimentos de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB (Banco de Brasília), instituição que tentou adquirir o Banco Master. O que não funcionou, pois a operação acabou sendo negada pelo Banco Central.

Segundo notícias, os depoimentos apresentaram informações contraditórias, o que levou à possibilidade de uma acareação. Além deles, o diretor de fiscalização do Banco Central, Aílton de Aquino Santos, também foi chamado para prestar esclarecimentos, embora não seja investigado.

Essas contradições aumentaram a tensão em torno do caso e levantaram questionamentos sobre a condução do processo.

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Liquidação do Banco Master e tentativa de reversão

O Banco Central determinou a liquidação do Banco Master, alegando problemas graves de solvência e irregularidades contábeis. No entanto, essa decisão passou a ser questionada judicialmente.

Caso a liquidação seja revertida, o banco voltaria a operar formalmente. À primeira vista, isso poderia parecer positivo, mas, na prática ,traria sérios riscos ao sistema financeiro.

Se o banco retornar às atividades, os títulos voltariam a render normalmente e o FGC não poderia realizar o pagamento, já que o banco estaria oficialmente ativo. No entanto, depois que tudo isso ocorreu, os investidores não confiam mais no banco. E o que ocorreria se ele voltasse a operar? A grande maioria iria vender seus títulos em massa, mesmo com grandes deságios. O que, por consequência, aumentaria o risco de uma quebra futura.

Pressões políticas e questionamentos institucionais

O caso se tornou ainda mais sensível após surgirem informações sobre pressões políticas para evitar a liquidação do banco.

Além disso, surgiram notícias afirmando que a esposa do ministro Alexandre de Moraes possuía contratos com o Banco Master de mais de R$3 milhões por mês, para representar o banco. Outro problema nessa história toda, é que ela não atuava em tantas coisas. E isso tornou tudo ainda estranho.

Em resposta, o ministro publicou notas oficiais esclarecendo que manteve reuniões com o presidente do Banco Central para tratar exclusivamente dos efeitos da aplicação da Lei Magnitsky, negando qualquer interferência relacionada ao Banco Master ou à tentativa de aquisição pelo BRB.

Ainda assim, a situação gerou desconforto no mercado, especialmente pela falta de transparência e pelo volume de reuniões envolvendo autoridades do sistema financeiro.

Papel do STF

O ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, tomou decisões que aumentaram a apreensão:

  • Avocou o processo para si;
  • Determinou sigilo total;
  • Indicou a possibilidade de revisão da liquidação determinada pelo Banco Central.

Nos bastidores, ministros do próprio STF reconhecem que a anulação da liquidação representaria um precedente perigoso, com impacto direto sobre a autonomia do Banco Central (um dos pilares da estabilidade do sistema financeiro brasileiro).

Especialistas alertam que essa interferência poderia enfraquecer a autoridade regulatória, aumentar o risco sistêmico, comprometer a confiança em bancos médios e ainda, prejudicar diretamente pequenos investidores.

Fraudes contábeis

De acordo com informações de mercado, o Banco Master vinha praticando maquiagem contábil, inflando ativos e oferecendo rentabilidades agressivas, chegando a pagar até 140% do CDI em um cenário de Selic elevada.

Esses indícios reforçam a avaliação técnica de que a liquidação não foi uma decisão política, mas sim uma medida necessária para conter riscos maiores.

O impacto para investidores e para o FGC

Caso a liquidação seja anulada:

  • O FGC ficaria impedido de pagar os investidores;
  • Não haveria lista oficial de credores;
  • O risco de falta de liquidez aumentaria;
  • Cerca de1,6 milhão de pessoas, com aproximadamente R$ 41 bilhões em jogo, poderiam ser afetadas.

Na prática, quem ganharia tempo seriam os controladores do banco, enquanto o pequeno investidor arcaria com a maior parte do prejuízo.

Até o momento, nenhuma decisão definitiva foi tomada. Ou seja, não existe motivo para pânico imediato. O cenário ainda depende da avaliação final do STF. A expectativa do mercado é que prevaleça o bom senso para manter a decisão técnica do Banco Central.

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