20 de dezembro de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Uma das perguntas que mais recebo é sobre como investir, quando sobra pouco dinheiro. Vale a pena começar a investir, mesmo com pouco ou existe outra estratégia? É isso que vou explicar hoje!
Mas, antes de tudo, é importante entendermos o cenário, a realidade na qual estamos inseridos. No Brasil, o endividamento não é exceção, é regra. Dados mostram que uma parcela significativa da população gasta todo o salário em poucos dias após o recebimento. Isso acontece, em grande parte, por causa do uso indiscriminado do crédito parcelado.
Parcelar virou hábito, infelizmente. Isoladamente, essas parcelas parecem inofensivas. O problema surge quando elas se acumulam. Com o tempo, uma parte relevante da renda mensal passa a ser comprometida com parcelas do cartão de crédito, reduzindo drasticamente a capacidade de poupar.
Muitas pessoas acreditam que têm dinheiro guardado porque existe um saldo positivo na conta. No entanto, quando colocam na ponta do lápis todas as parcelas futuras, percebem que as dívidas superam, e muito, o montante disponível.
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Prioridade: quite suas dívidas
Se você tem um valor guardado, mas não conseguiria quitar todas as parcelas do cartão de crédito hoje, a realidade é simples: você ainda não está pronto para investir.
O primeiro passo não é aplicar dinheiro, mas eliminar todas as suas dívidas, especialmente aquelas com juros altos, como o cartão de crédito. Os juros cobrados nesse tipo de dívida crescem muito mais rápido do que qualquer investimento conservador seria capaz de compensar.
Enquanto houver dívidas ativas, qualquer tentativa de investir será ineficiente e arriscada. Uma falha no pagamento, uma demissão inesperada ou um imprevisto já são suficientes para empurrar a pessoa novamente para o endividamento.
Organize suas finanças
Superada a fase das dívidas, o próximo desafio é comportamental. Muitas pessoas se sentem confortáveis apenas quando veem dinheiro disponível na conta corrente. No entanto, hábito facilita o gasto impulsivo.
A construção de patrimônio começa quando o dinheiro deixa de estar facilmente acessível. Por isso, nessa fase é muito importante que você crie o hábito de guardar dinheiro. E para isso, é importante que você busque por formas de investimento que não permitam o saque imediato.
Onde investir no começo?
Para quem está começando, a renda fixa é a opção mais adequada. Investimentos como: CDBs sem liquidez diária, LCIs e LCAs e aplicações com vencimento de médio prazo
Esses produtos ajudam porque criam uma “barreira psicológica”, pois o dinheiro não pode ser retirado a qualquer momento, o que reduz a chance de uso impulsivo.
Evitar investimentos com liquidez diária, nesse momento, é essencial. Quando o resgate é fácil, o dinheiro acaba sendo usado para qualquer justificativa cotidiana e o hábito de poupar não se consolida.
Evite a renda variável no início
Embora a renda variável faça parte de uma estratégia de longo prazo, ela exige preparo emocional. Oscilações de preço são naturais, mas para quem está começando, podem gerar ansiedade, sensação de erro e abandono precoce dos investimentos.
Por isso, antes de pensar em ações, fundos imobiliários ou outros ativos de risco, o ideal é construir uma base sólida, criar consistência de aportes e desenvolver a visão de longo prazo.
O poder do acúmulo
Guardar dinheiro é um hábito que se fortalece com o tempo. Quando alguém passa a ver x valor economizado, a relação com o dinheiro muda. A régua da pessoa cresce e ela começa a pensar “não posso ter menos de R$ 5 mil” ou “não posso ter menos de R$ 10 mil na conta”. Dessa forma, o consumo passa a ser mais consciente e novos padrões financeiros são estabelecidos.
Quem aprende a juntar dinheiro, dificilmente volta a viver sem reserva nenhuma. Mesmo quando ocorre um imprevisto, a existência de uma reserva transforma completamente a forma como a situação é enfrentada.
Quando pensar em renda variável?
Após consolidar o hábito de poupar e construir uma reserva, é possível começar a estudar a renda variável. Nesse momento, o foco deve estar em empresas sólidas, estáveis e difíceis de substituir. Aquelas que, assim como empregos considerados seguros, tendem a atravessar crises com mais resiliência.
O mais importante é entender que investir não é sobre pressa, é na verdade um processo que exige muita paciência e consistência.
Quer entender melhor sobre esse passo a passo que expliquei aqui? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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