Trump declara emergência nacional sobre o Brasil

12 de agosto de 2026 - por raulsena1


Faz mais de um ano que os Estados Unidos vivem, oficialmente, uma “emergência nacional” por causa do Brasil. Parece exagero, mas é isso mesmo que está escrito nos documentos assinados por Donald Trump. E como esse assunto voltou a bombar depois da prorrogação da medida, vale a pena recapitular tudo o que aconteceu desde o começo, porque a história tem muito mais camadas do que parece nas manchetes.

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Como tudo começou

Em julho de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. O anúncio veio, como sempre, pela rede social dele, e a justificativa oficial foi o tratamento dado a Jair Bolsonaro pelo governo brasileiro. Trump também citou o caso do STF pedindo a remoção de publicações de redes sociais, apontando o ministro Alexandre de Moraes como o responsável por essas decisões.

O detalhe curioso é que, pouco antes do anúncio oficial, alguém fez uma aposta bilionária contra o real. Horas depois, quando a tarifa foi confirmada, essa posição foi encerrada com lucro. A movimentação passou de 4 bilhões de dólares, o que levantou suspeitas de uso de informação privilegiada. A AGU pediu investigação, o STF abriu um inquérito sigiloso e Eduardo Bolsonaro chegou a ser apontado como suspeito de vazar a informação. Até hoje, um ano depois, não existe nenhuma condenação, e a cooperação dos órgãos americanos nessa apuração nunca aconteceu de fato.

A primeira emergência nacional

No fim de julho de 2025, Trump formalizou uma ordem executiva declarando emergência nacional em relação ao Brasil, com base na lei de poderes econômicos (IEEPA), e aplicou uma tarifa de 40%. Só que, com o tempo, a relação foi esfriando. Trump chegou a sinalizar abertura para negociar, enquanto Lula manteve o discurso público mais firme contra as tarifas.

E aqui vale um ponto que passa despercebido: essa tarifa acabou sendo boa para a popularidade de Lula. As primeiras taxas atingiram alimentos, o que ajudou a segurar a inflação por aqui e, ao mesmo tempo, encareceu produtos como suco de laranja e carne para o consumidor americano. Para o eleitor brasileiro, ficou a imagem de um presidente defendendo o país. Para os Estados Unidos, sobrou o efeito colateral nos próprios preços.

Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA decidiu que o IEEPA não dava a Trump autoridade para impor esse tipo de tarifa. A medida caiu, e não só para o Brasil, mas para todos os países que tinham sido tarifados pela mesma lei.

O retorno das tarifas em 2026

A vitória durou pouco. No primeiro semestre de 2026, uma nova tarifa de 25% entrou em vigor, agora baseada na seção 301 da lei de comércio de 1974, uma base jurídica diferente e mais bem construída. Dessa vez, Trump excluiu produtos sensíveis à inflação americana, como carne e suco de laranja, evitando repetir o erro anterior.

Em julho de 2026, veio mais uma camada: uma sobretaxa de 12,5% ligada a investigações sobre suposto trabalho forçado no Brasil, o que levou o governo brasileiro a acionar a Organização Mundial do Comércio. Ao todo, mais de 2.100 produtos brasileiros entraram na lista, cerca de 18% do nosso comércio com os Estados Unidos.

A prorrogação mais recente

No fim de julho de 2026, Trump prorrogou por mais um ano a emergência nacional sobre o Brasil, repetindo as justificativas de 2025: perseguição a Bolsonaro, críticas ao STF e restrições à liberdade de expressão. É importante entender que essa renovação não cria novas sanções por si só, é basicamente uma exigência legal para manter a base jurídica ativa. Mas o simbolismo político continua forte.

Outro ponto que gerou barulho foi a tentativa dos Estados Unidos de enviar observadores próprios para acompanhar as eleições no Brasil. O Itamarati negou o pedido, mas isso não significa que o Brasil rejeite observadores internacionais, muito pelo contrário. O país já recebeu, em eleições anteriores, missões da OEA, do Parlasul, da CPLP e de organizações americanas como o Carter Center. O que não é comum é um único país mandar representantes isolados, sem fazer parte de uma missão conjunta e multilateral.

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O que isso significa para a economia?

Apesar do barulho todo, o impacto direto dessas tarifas na economia brasileira como um todo é limitado. Estamos falando de uma fatia específica das exportações para o segundo maior parceiro comercial do país, não de um problema estrutural. Claro que, para empresas exportadoras de itens específicos, como celulose, o efeito é bem mais sensível.

Vale lembrar também que o Brasil está longe de ser inocente nesse jogo. As tarifas que praticamos sobre produtos importados, sobretudo eletrônicos, costumam ser bem mais altas do que qualquer coisa aplicada pelos Estados Unidos ou pela China contra nós. E décadas de protecionismo não geraram uma indústria nacional forte de tecnologia, o que sugere que esse caminho também tem seus limites.

O que está por vir?

O mundo está claramente caminhando para um cenário mais protecionista, com cada país priorizando sua economia interna. Nesse contexto, talvez seja hora do Brasil rever sua diplomacia tradicionalmente mais passiva e negociar com mais firmeza, principalmente considerando o peso que temos como fornecedor de commodities essenciais, alimentos, minérios e terras raras, para o resto do mundo.

Esse é um ativo estratégico que poucos países possuem, e que o Brasil ainda não usa com toda a força que poderia. Independente de quem estiver no poder daqui a alguns anos, esse é um debate que vai continuar relevante e é importante estar atento a isso!

Quer entender melhor sobre toda essa situação entre os EUA e o Brasil? Então, assista ao vídeo em que explico detalhadamente desde o começo da história.

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