Trump ficou doidão e taxou o Brasil agressivamente

7 de agosto de 2026 - por raulsena1


Mais um capítulo da novela mais imprevisível da geopolítica atual: Trump tarifou o Brasil novamente. Se você está tentando acompanhar essa história desde o início, respira fundo, porque o roteiro muda quase toda semana. Mas antes de entrar nos números, vale recapitular a linha do tempo, porque sem contexto fica impossível entender o tamanho real do impacto pro Brasil.

Veja também: Barreiras tarifárias: o que são e como funcionam?

Como começou essa história?

Lá em julho e agosto de 2025, Trump anunciou uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Na prática, ele ameaçou tarifar tudo, mas no dia em que a medida entrou em vigor, abriu 700 exceções, deixando de fora vários produtos importantes. Café e carne, que eram os principais itens de exportação naquele momento, ficaram na mira.

Foi um caos inclusive cheguei a comentar, em outro programa, que não acreditava que aquela tarifa ia durar, porque estava batendo em produtos de consumo básico dos americanos. Não fazia sentido os EUA criarem inflação interna por conta própria.

E foi mais ou menos isso que aconteceu. Entre setembro e novembro, Lula e Trump se encontraram na ONU e a pressão do consumidor americano fez os EUA liberarem 238 produtos brasileiros, incluindo o café. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte americana considerou inconstitucional a base legal usada para aplicar as tarifas recíprocas, derrubando tudo. Entre maio e junho, Lula foi recebido na Casa Branca e rolou até uma “lua de mel” diplomática, com direito a elogios públicos de Trump.

Só que a paz durou pouco. Em 15 de julho de 2026, veio um novo tarifaço de 25%, oficializado depois que o USTR concluiu uma investigação alegando práticas relacionadas ao Pix, à regulação das bigtechs, à propriedade intelectual e ao desmatamento.

Pix e bigtechs: por que os EUA estão de olho nisso?

A alegação mais curiosa é sobre o Pix. Segundo o USTR, o sistema seria “anticompetitivo” porque não cobra taxas, o que estaria prejudicando empresas como Visa e Mastercard. Mas o ponto real, na minha opinião, não é o Pix ser gratuito. É que essas empresas usavam os dados de transações como uma espécie de consultoria em tempo real para outras empresas americanas, tipo o McDonald’s, que pagava para saber como estava o consumo e a concorrência no mercado brasileiro. Com o crescimento do Pix, esse fluxo de informação mudou de mãos, e esses dados hoje, valem tanto quanto petróleo.

a questão das bigtechs tem a ver com o histórico brasileiro de pedir remoção de conteúdo político das redes sem muita transparência sobre os critérios usados. É um problema real, mas que não é exclusividade do Brasil. Alemanha, França e vários países democráticos estão caminhando para regular mais as redes sociais, justamente porque ninguém sabe ao certo como os algoritmos decidem o que cada um vê, e isso tem um peso enorme em período eleitoral.

O que o Brasil respondeu?

A resposta brasileira foi um repúdio formal, acionamento da lei de reciprocidade (aprovada por unanimidade) e o encaminhamento do caso para a Organização Mundial do Comércio. Nada muito agressivo, e provavelmente por recomendação do Itamarati. Retaliar tarifas, geralmente piora a situação.

Vale lembrar que o argumento de déficit comercial não se sustenta. Em 15 anos, os Estados Unidos acumularam superávit de 424,5 bilhões de dólares em bens e serviços com o Brasil. Ou seja, o motivo real por trás da tarifa é mais político do que econômico.

Quem sai perdendo (e quem escapou)

Desta vez, mais de 2 mil produtos ficaram de fora do tarifaço, incluindo praticamente toda a cesta básica que interessa aos consumidores americanos: carne, café, laranja. Isso não é acaso, é para não pressionar a inflação nos Estados Unidos.

Os setores mais afetados são aço, alumínio, calçados e têxteis, que já vêm sentindo suspensão de embarques em estados como Mato Grosso, Espírito Santo e Paraná. Ao todo, cerca de 80 bilhões de dólares em exportações estão ameaçados, segundo a CNI. É um impacto setorial real, mas não sistêmico: a economia como um todo não está em risco.

Como isso afeta seus investimentos

O mercado reagiu com relativa calma. O dólar ficou perto de R$ 5, o Ibovespa fechou em torno de 174 mil pontos, e o fluxo estrangeiro na B3 somou 67 bilhões em 2026. A Selic segue em 14,5%.

Na prática, se você tem uma carteira diversificada entre Brasil, Estados Unidos, China e Europa, com aportes regulares, esse tipo de notícia não deveria mudar sua estratégia. Renda fixa continua sendo uma base sólida, com juros altos favorecendo CDBs e títulos pré-fixados. Se o dólar cair, é oportunidade de compra. Se subir, quem já tinha posição dolarizada sai ganhando.

No fim das contas, esse tarifaço parece muito mais uma jogada política de ano eleitoral do que uma medida econômica consistente. E, como toda decisão do Trump nos últimos meses, pode mudar de novo a qualquer momento.

Quer entender melhor sobre as motivações para esse novo tarifaço? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!

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