É o fim do trabalho e do capitalismo? As IAs estão destruindo a organização mundial

14 de janeiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)


A inteligência artificial deixou de ser apenas uma promessa tecnológica e passou a ocupar o centro de debates econômicos e sociais no mundo todo. Em países como Estados Unidos e na Europa, o tema já é tratado com seriedade por acadêmicos, formuladores de políticas públicas e até por bilionários diretamente envolvidos no desenvolvimento dessas tecnologias, como Elon Musk.

A discussão não gira apenas em torno de cenários apocalípticos ou ficção científica. O ponto central é mais simples e mais concreto: o impacto da IA sobre o emprego, a renda e sobre o próprio funcionamento do capitalismo.

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Automação e desemprego estrutural

Nos primeiros anos da IA generativa, já é possível observar a substituição de profissionais em funções de nível básico, especialmente nos primeiros empregos. Exemplos práticos estão em redes de fast food, como o McDonald’s, onde painéis digitais e sistemas automatizados reduziram drasticamente a necessidade de atendentes humanos.

Hoje, em muitos lugares, o cliente faz o pedido diretamente em uma máquina, que envia a solicitação automaticamente para a produção. Isso diminui custos, aumenta a eficiência e reduz o número de trabalhadores envolvidos no processo.

As estimativas variam bastante. Cenários mais otimistas falam em uma substituição de cerca de 30% das vagas de trabalho, enquanto projeções mais pessimistas chegam a 60% da força de trabalho global impactada pela automação.

À primeira vista, a substituição de pessoas por máquinas parece positiva para as empresas, já que reduz custos e aumenta margens de lucro. No entanto, surge um problema estrutural: quem vai consumir os produtos se uma parcela significativa da população estiver desempregada?

O capitalismo depende de um ciclo básico: trabalhadores recebem renda, consomem produtos e serviços, e as empresas lucram. Se esse ciclo é rompido, a própria lógica do sistema entra em risco.

Renda básica universal

Diante desse dilema, cresce a discussão sobre a renda básica universal ou como alguns defendem, uma renda média universal. A ideia é simples: independentemente da ocupação profissional, as pessoas receberiam uma quantia mínima para garantir sua sobrevivência e participação na economia.

Defensores argumentam que a humanidade encontraria novas formas de se ocupar, criar e contribuir para a sociedade. Críticos, por outro lado, afirmam que isso poderia gerar uma crise de propósito, deixando o ser humano sem função clara no mundo.

O impacto da IA no mercado financeiro

No mercado financeiro, a IA já começa a substituir funções iniciais. Profissionais em início de carreira, especialmente em cargos júnior, tendem a ser os mais afetados.

Ainda assim, a substituição não ocorre de forma abrupta. Muitas decisões não dependem apenas da informação, mas de quem a interpreta e valida. A opinião de grandes nomes do mercado continua tendo peso significativo, algo difícil de automatizar completamente.

A humanidade já enfrentou outras revoluções tecnológicas. Da mecanização agrícola à Revolução Industrial, passando pelo ludismo, sempre houve resistência à substituição do trabalho humano por máquinas.

A diferença agora é a complexidade e a velocidade do avanço. Pela primeira vez, a tecnologia ameaça não apenas funções braçais, mas também atividades cognitivas.

Ainda assim, é importante manter perspectiva histórica: essas transformações não acontecem da noite para o dia. A adoção em massa depende de confiança, regulação, adaptação cultural e econômica.

O capitalismo vai acabar?

Na minha opinião, é improvável que o capitalismo simplesmente deixe de existir. O cenário mais plausível é uma reorganização do sistema, com maior presença de mecanismos na redistribuição de renda, seja por meio de impostos, benefícios sociais ou modelos híbridos de renda básica.

Países desenvolvidos já operam com sistemas semelhantes. Na Noruega, por exemplo, cidadãos recebem benefícios apenas por nascerem em um país extremamente rico. No Brasil, programas de transferência de renda já existem, ainda que em valores modestos.

A inteligência artificial não é motivo para pânico imediato, mas sim para reflexão estratégica. As mudanças serão graduais e haverá tempo para adaptação, tanto de pessoas quanto de empresas e governos.

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