9 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Depois de mais de 20 anos de negociações, a União Europeia (UE) e o Mercosul finalmente chegaram a um acordo comercial. O anúncio reacendeu debates intensos e até interpretações equivocadas. Por isso hoje vou explicar melhor sobre esse acordo e como ele realmente impactará em nossas vidas.
Veja também: O que são blocos econômicos? Tipos, principais blocos, prós e contras
O que é o Mercosul?
O Mercosul é um bloco econômico formado por países da América do Sul, com o objetivo de promover a livre circulação de bens, redução de tarifas e fortalecimento das relações comerciais entre seus membros. Atualmente, Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai compõem o bloco, enquanto países como Chile, Colômbia, Peru e Equador participam como associados.
O novo acordo com a União Europeia prevê:
- Redução ou eliminação de tarifas comerciais
- Definição de cotas agrícolas
- Abertura de mercados de bens, serviços e compras públicas
- Exigências mais rigorosas em regras ambientais e de produção
O acordo ainda precisa de ratificação, pode demorar para que isso ocorra. No entanto, politicamente ele já existe e conta com o apoio da maioria dos países europeus.
Benefícios para o agronegócio
Um dos setores mais beneficiados tende a ser o agronegócio. Hoje, produtos como carne, soja, açúcar, etanol, café, frutas e celulose enfrentam tarifas elevadas para entrar no mercado europeu. Com o novo acordo, esse acesso se torna mais fácil e competitivo.
Do ponto de vista econômico, significa uma abertura para um dos maiores mercados consumidores do mundo, responsável por cerca de 25% da renda global. Isso amplia as oportunidades de exportação, gera empregos e fortalece empresas brasileiras já consolidadas no comércio internacional.
No entanto, isso pode causar um efeito colateral: a maior facilidade para exportar, pode pressionar os preços desses produtos no mercado interno.
Consumidor brasileiro
Por outro lado, o acordo também tende a reduzir o preço de produtos importados da Europa no Brasil. Alimentos como trigo, queijos, vinhos e azeites devem se tornar mais acessíveis com a queda de impostos.
O mesmo ocorre com produtos industrializados. Automóveis, roupas, calçados, relógios, eletrônicos e outros bens de origem europeia que são extremamente caros no Brasil (devido à alta carga tributária). Com a redução dessas barreiras, esses produtos tendem a ficar mais baratos.
Para o consumidor, isso significa mais concorrência, preços menores e aumento da qualidade média. Ou seja, o mercado brasileiro vai ter que se adaptar para conseguir competir com os produtos europeus.
Regras ambientais
Um ponto sensível do acordo é a questão ambiental. Para exportar à Europa, produtores brasileiros precisarão atender a padrões ambientais mais rígidos, especialmente no setor agropecuário. O impacto dependerá de como essas regras serão aplicadas e fiscalizadas.
União Europeia x Brasil
Talvez o maior risco para o Brasil seja a chamada reprimarização econômica: exportar cada vez mais commodities e importar produtos industrializados.
Se o país não criar políticas para atrair investimentos produtivos, estimular a industrialização local e integrar cadeias globais de valor, o acordo pode reforçar um modelo econômico pouco sofisticado e dependente.
Por outro lado, existe uma oportunidade real de o Brasil se tornar um polo industrial atrativo, com custos de produção menores e acesso direto ao mercado europeu. Ou seja, é um jogo de mão dupla. Se o Brasil souber se beneficiar bem desse acordo, muita coisa pode mudar positivamente.
Quer conferir mais detalhes sobre esse novo acordo e as armadilhas que ele tem? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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