18 de fevereiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
À medida que o calendário eleitoral de 2026 se aproxima, o debate político começa a ganhar intensidade e com ele, cresce também o interesse do mercado financeiro em antecipar possíveis cenários. Mais do que tentar prever vencedores, os investidores buscam compreender quais caminhos econômicos podem emergir a partir das escolhas políticas.
Antes de qualquer análise, é importante estabelecer um ponto essencial: quando política e mercado são analisados juntos, o recorte inevitavelmente parte da lógica econômica.
O mercado tende a priorizar estabilidade, previsibilidade fiscal e segurança institucional. Isso não significa que essa visão seja neutra ou universal, apenas que ela é construída a partir de interesses diretamente ligados ao desempenho econômico.
Com esse recorte em mente, é possível avançar para o cenário atual.
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Um cenário eleitoral aparentemente previsível
Entre investidores e analistas, existe hoje uma percepção relativamente consolidada: o Brasil caminha para uma eleição previsível na forma, mas incerta na dinâmica.
O entendimento mais recorrente é que o presidente Lula entra no próximo ciclo eleitoral como favorito. Essa leitura não representa uma previsão definitiva, mas reflete a avaliação de que, neste momento, o atual governo reúne estrutura política, capacidade de articulação e presença institucional suficiente para iniciar a corrida eleitoral em posição de vantagem.
Ao mesmo tempo, a oposição ainda aparece fragmentada, o que dificulta a consolidação de uma alternativa competitiva no curto prazo.
Estratégia política e preservação de liderança
Um aspecto frequentemente discutido nos bastidores é a lógica que orienta decisões dentro dos campos políticos.
Nem sempre a escolha de candidaturas segue exclusivamente o critério eleitoral. Muitas vezes, preservar a liderança e a hegemonia dentro de um grupo político se torna prioridade.
Lançar um nome diretamente ligado à família, como Flávio Bolsonaro, pode ter menos relação com viabilidade eleitoral imediata e mais com a preservação do protagonismo político do grupo.
Se um nome externo ao núcleo bolsonarista assumisse a liderança e eventualmente governasse com sucesso, haveria o risco de migração natural do eleitorado para essa nova referência. Em política, quem governa tende a consolidar liderança e isso pode deslocar antigos protagonistas.
Por isso, mesmo que existam nomes considerados mais competitivos eleitoralmente, preservar a liderança do campo político pode ser visto como prioridade estratégica.
No campo governista, a leitura segue uma direção semelhante, mas com outra finalidade: maximizar as condições de continuidade do projeto político liderado por Lula.
O que o mercado realmente procura
Apesar da atenção às eleições, a principal preocupação do mercado não costuma ser a identidade do vencedor, mas sim o direcionamento econômico do próximo governo.
Entre os pontos considerados fundamentais estão:
- Controle das contas públicas
- Previsibilidade fiscal
- Redução gradual da taxa de juros
- Segurança jurídica
- Continuidade de reformas econômicas
Em outras palavras, a estabilidade institucional costuma pesar mais do que a ideologia. Nesse contexto, a principal preocupação não é necessariamente quem vence, mas como será o próximo governo e quais políticas econômicas serão adotadas.
Apesar das discussões técnicas sobre economia, o voto do eleitor costuma ser influenciado por fatores muito mais práticos, como o preço dos alimentos, da gasolina, a estabilidade econômica, etc. Por isso, debate técnico sobre dívida pública ou política monetária raramente chega às urnas com a mesma força que o impacto direto no bolso da população.
O paradoxo atual
Curiosamente, mesmo diante das incertezas eleitorais, o mercado brasileiro vive um momento positivo.
Nos últimos anos, o país tem se beneficiado da entrada de capital estrangeiro, reformas estruturais recentes, novos acordos comerciais, expectativa de queda de juros no médio prazo e possibilidade de retomada do clico de IPOs.
Esse conjunto de fatores sustenta uma percepção de oportunidade, mesmo em um ambiente político ainda indefinido.
O cenário atual sugere que o Brasil oferece oportunidades relevantes, especialmente para estratégias de longo prazo e construção gradual de patrimônio. Em vez de tentar antecipar eventos políticos, a recomendação recorrente é focar em consistência, diversificação e visão estratégica.
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