25 de agosto de 2021 - por Sidemar Castro
Quando se fala em fundo fechado, é comum surgir a dúvida de por que investir em algo em que não pode simplesmente pegar seu dinheiro de volta quando quiser. A resposta está na própria estrutura desse tipo de fundo, pensada para investimentos que podem precisar de mais tempo para amadurecer.
Aqui nós vamos deixar o economês de lado para entender como um fundo fechado funciona, quais são suas características, seus pontos positivos e suas limitações. A ideia é mostrar, de forma simples, o que realmente muda para quem decide investir nesse tipo de fundo.
O que é fundo fechado?
Um fundo fechado é um tipo de fundo de investimento que reúne o dinheiro de vários investidores para aplicar em determinados ativos, mas funciona com regras de entrada e saída mais restritas. Em vez de poder pedir o dinheiro de volta a qualquer momento, como costuma acontecer em um fundo aberto, o cotista geralmente precisa esperar o prazo ou as condições previstas para o encerramento do fundo. Em alguns casos, também pode vender sua cota para outro investidor.
Pensando de um jeito simples, é como entrar em um investimento que já nasce com uma estrutura e um período definidos. O dinheiro fica sob a gestão de profissionais, que seguem a estratégia estabelecida pelo fundo. Assim, quem compra uma cota não está apenas colocando dinheiro em uma aplicação, mas entrando em uma estrutura que foi criada para seguir determinadas regras até que chegue o momento previsto para sua saída.
Características do fundo fechado
Um fundo fechado costuma ter uma estrutura mais rígida do que um fundo aberto. As cotas são distribuídas dentro de uma quantidade ou período de captação definidos, e depois disso não é possível simplesmente solicitar o resgate quando quiser.
A saída do investidor depende das regras do próprio fundo e, em alguns casos, pode acontecer pela venda das cotas para outra pessoa. Também é comum que esses fundos tenham um prazo de duração determinado, embora existam estruturas com características diferentes.
Outra característica é que o dinheiro dos investidores permanece reunido em um patrimônio coletivo, administrado de acordo com uma estratégia previamente estabelecida. Isso permite que o gestor trabalhe com uma visão mais voltada ao prazo definido pelo fundo, sem precisar lidar com pedidos constantes de resgate.
Para o investidor, isso significa ter mais previsibilidade sobre a estrutura do investimento, mas também menos liberdade para transformar a aplicação em dinheiro rapidamente.
Como funciona o fundo fechado?
1. O fundo começa reunindo o dinheiro dos investidores
Várias pessoas colocam seus recursos no fundo e, em troca, recebem cotas. Cada cota representa uma pequena parcela daquele patrimônio.
2. O dinheiro é investido
Depois de reunir os recursos, o gestor decide onde aplicar o patrimônio, sempre seguindo a estratégia definida para o fundo. Assim, o investidor não precisa escolher sozinho cada ativo que fará parte da carteira.
3. O investidor não pode simplesmente sacar quando quiser
Aqui está uma das diferenças mais importantes. Em um fundo fechado, o dinheiro fica preso às regras do fundo. Ou seja, não basta pedir o resgate hoje para receber os recursos amanhã.
4. A cota pode ser vendida para outra pessoa
Quando existe essa possibilidade, o investidor que precisa sair pode negociar sua cota com outro interessado. É parecido com vender uma participação que você possui, em vez de pedir que o próprio fundo devolva o dinheiro.
5. Chega o momento de encerrar o fundo
Quando o prazo ou a condição prevista no regulamento é alcançada, o fundo é encerrado conforme suas regras e os recursos são destinados aos cotistas. Por isso, quem entra em um fundo fechado precisa estar confortável com a ideia de deixar o dinheiro investido durante o período determinado.
Exemplos de fundo fechado
Um bom jeito de visualizar um fundo fechado é imaginar um grupo de pessoas juntando dinheiro para investir em algo que exige mais tempo para dar resultado. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) são um exemplo conhecido.
O fundo reúne o dinheiro dos cotistas para investir em imóveis ou em ativos ligados ao mercado imobiliário. Quem entra recebe cotas e, se quiser sair, geralmente precisa vendê-las para outro investidor, em vez de simplesmente pedir o dinheiro de volta ao fundo.
Há também fundos fechados que investem em empresas, infraestrutura, recebíveis e outros ativos. Imagine, por exemplo, um fundo que reúne dinheiro para comprar participação em algumas empresas e pretende acompanhar esses investimentos durante alguns anos.
O investidor entra sabendo que não terá a mesma liberdade de resgate de um fundo aberto. Ele coloca o dinheiro, recebe suas cotas e deixa o gestor cuidar dos investimentos até chegar o momento previsto para a saída. É justamente essa combinação de prazo, estratégia e regras de saída que ajuda a explicar por que um fundo fechado funciona de maneira diferente.
Vantagens e desvantagens do fundo fechado
Um fundo fechado pode ser interessante justamente porque permite investir com uma visão mais tranquila e de prazo mais longo. Como o gestor não precisa lidar o tempo todo com pedidos de resgate, ele consegue seguir a estratégia do fundo com mais liberdade e pensar em investimentos que podem levar anos para amadurecer.
Isso pode ser especialmente útil em fundos que investem em imóveis, empresas, infraestrutura ou outros ativos que não fazem sentido comprar pensando em sair rapidamente. Para o investidor, também existe a possibilidade de acessar investimentos que seriam mais difíceis de alcançar sozinho.
Por outro lado, essa mesma característica pode virar uma desvantagem. O dinheiro não fica disponível para resgate a qualquer momento, então quem precisar dos recursos de repente pode ter dificuldade para sair.
Quando existe negociação das cotas, a venda também depende de encontrar outro investidor interessado, e o preço pode não ser exatamente o que você gostaria de receber. Por isso, fundo fechado costuma fazer mais sentido para quem entende o prazo do investimento e não pretende contar com aquele dinheiro no curto prazo.
Qual a diferença entre fundo aberto e fechado?
A principal diferença entre um fundo aberto e um fundo fechado está na forma como o investidor entra e sai do investimento. No fundo aberto, o cotista normalmente pode solicitar o resgate das suas cotas seguindo as regras e os prazos definidos pelo fundo. Já no fundo fechado, essa possibilidade é mais limitada; o investidor geralmente precisa esperar o prazo ou alguma condição prevista no regulamento para receber os recursos de volta, ou então vender suas cotas para outra pessoa quando houver essa possibilidade.
Isso muda bastante a experiência de quem investe. No fundo aberto, existe uma sensação maior de liberdade para movimentar o dinheiro. No fechado, é preciso entrar sabendo que os recursos podem ficar comprometidos por mais tempo.
Em compensação, essa estrutura permite que o gestor trabalhe com uma visão mais longa, sem precisar se preocupar constantemente com investidores pedindo resgate. Não existe um formato melhor em qualquer situação! A escolha depende de quanto tempo você pode deixar o dinheiro investido e de quanta liquidez precisa ter.
Como abrir um fundo de investimento fechado?
Abrir um fundo fechado não é muito diferente de montar uma empresa de investimentos do zero. Antes de pensar em captar dinheiro, é preciso saber exatamente qual será o propósito daquele fundo. Quem está por trás da estrutura define a estratégia, os investimentos que poderão ser feitos, o público que poderá participar, os prazos e as regras que vão orientar todo o funcionamento. É como montar um projeto antes de convidar outras pessoas a colocar dinheiro nele.
A partir daí, entram os profissionais que cuidam da parte técnica e regulatória. Eles ajudam a estruturar os documentos, organizar a administração e a custódia dos recursos e cumprir as exigências necessárias para que o fundo possa funcionar. Só depois de toda essa engrenagem estar pronta é que começa a captação. Em outras palavras, o dinheiro dos investidores é uma das últimas peças a entrar, porque primeiro é preciso construir uma estrutura capaz de recebê-lo e administrá-lo corretamente.