Rent-seeking: o que é, como funciona e exemplos

Rent-seeking é prática de aumentar riqueza sem criar valor ou benefícios para a sociedade. Veja como funciona e exemplos.

28 de abril de 2025 - por Sidemar Castro


Rent-seeking é um termo utilizado para descrever a prática em que agentes privados tentam obter vantagens econômicas não por meio da produção de riqueza, mas manipulando o ambiente institucional e político a seu favor. Essa manipulação geralmente ocorre por meio de lobby, influência política ou corrupção.

Esses benefícios indevidos podem incluir, por exemplo, empréstimos subsidiados, elevação de tarifas de importação para proteger produtos nacionais ou contratos públicos superfaturados. Com isso, determinados grupos conseguem controlar setores específicos da economia, protegendo seus próprios interesses às custas do bem-estar coletivo.

Saiba mais sobre essa prática e como combatê-la.

O que é Rent-seeking?

Rent-seeking, ou busca de renda, é quando uma pessoa, empresa ou grupo tenta aumentar sua própria riqueza sem criar valor ou benefícios para a sociedade. Em vez de investir em inovação, melhorar produtos ou prestar serviços melhores, o Rent-seeker usa meios como lobby, influência política ou manipulação de regras para obter vantagens, como subsídios, isenções fiscais ou proteção contra concorrentes.

Por exemplo, imagine uma empresa que prefere gastar dinheiro contratando lobistas para convencer o governo a criar uma lei que dificulte a entrada de novos concorrentes no mercado, em vez de investir em tecnologia ou qualidade. Assim, ela garante lucros maiores, mas não contribui para o crescimento econômico ou o bem-estar coletivo.

O termo “rent” aqui não se refere ao aluguel tradicional, mas sim a qualquer ganho obtido sem esforço produtivo, apenas pelo controle de algum recurso ou privilégio. Rent-seeking é criticado porque reduz a eficiência da economia, aumenta a desigualdade e pode gerar corrupção, já que recursos são desviados para influenciar decisões políticas em vez de serem usados para gerar riqueza real.

No Brasil, há diversos exemplos de Rent-seeking. Entre eles, o pagamento de propinas por grandes construtoras para vencer licitações fraudulentas, o uso de recursos do BNDES com juros abaixo do mercado, e disputas regulatórias como a dos taxistas contra os aplicativos de transporte. Essas práticas, além de distorcerem o mercado, geram prejuízos sociais e econômicos significativos.

Como funciona o Rent-seeking?

O Rent-seeking funciona assim: em vez de se concentrarem em inovar, aumentar a produtividade ou oferecer produtos e serviços de mais qualidade para conquistar clientes no mercado, indivíduos ou grupos que adotam essa prática direcionam seus esforços para o ambiente político e regulatório. Eles buscam obter leis, subsídios, proteções ou outras vantagens que limitem a concorrência ou garantam lucros de forma artificial.

É como se, em vez de fazer um bolo maior para todos aproveitarem, alguém gastasse energia tentando mudar as regras para ficar com uma porção maior do bolo que já está pronto. Em outras palavras, isso muitas vezes acontece através de lobby, financiamento de campanhas políticas ou outros meios para influenciar quem toma as decisões no governo.

Essa prática desvia recursos e talentos que poderiam estar sendo usados para inovar e produzir riqueza real. Além disso, o Rent-seeking distorce o mercado, prejudica a concorrência e, no fim das contas, quem paga a conta é a sociedade, seja através de preços mais altos, menos opções, menor qualidade ou o uso ineficiente do dinheiro público.

Exemplos

Veja alguns exemplos comuns de Rent-seeking:

  • Tarifas de importação elevadas: Uma indústria local pode pressionar o governo para aumentar os impostos sobre produtos importados. Com menos concorrência de fora, eles conseguem vender seus produtos mais caros no mercado interno, mesmo que não tenham melhorado nada na produção.
  • Subsídios governamentais: Um setor específico pode conseguir que o governo lhe dê ajuda financeira ou isenções fiscais. Isso coloca as empresas desse setor em vantagem competitiva sem que necessariamente se tornem mais eficientes.
  • Regulamentações que dificultam a entrada de novos competidores: Grupos estabelecidos no mercado podem influenciar a criação de regras complexas ou caras que dificultam o surgimento de novas empresas. Isso protege a posição dominante de quem já está no setor, mesmo que isso limite a inovação e as opções para os consumidores.
  • Favorecimento em licitações públicas: Empresas podem usar de influência política para conseguir contratos com o governo em condições mais vantajosas do que seus concorrentes, mesmo que suas propostas não sejam as melhores para o interesse público.

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Origem do Rent-seeking

O termo “rent-seeking” surgiu na economia em meados do século XX, mas o conceito está enraizado em teorias econômicas muito anteriores. Sua origem pode ser vinculada ao trabalho do economista francês François Quesnay, do século XVIII, que abordava a ideia de renda como um ganho derivado da propriedade de terras sem esforço produtivo.

Economistas como Adam Smith já exploravam esse conceito clássico de “renda” na economia. Ele não se referia apenas ao aluguel de imóveis, mas a um retorno sobre um recurso (como a terra) que excede o necessário para mantê-lo em uso. Ou seja, um ganho que vem de possuir algo escasso ou ter controle sobre ele, e não diretamente do trabalho ou do capital investido na produção.

Depois, chegamos à formulação moderna do conceito. O economista Gordon Tullock, em 1967, foi um dos primeiros a analisar as perdas de bem-estar que acontecem quando as pessoas usam recursos não para produzir, mas para buscar essas “rendas” ou privilégios através da influência no governo, como no caso de tarifas ou monopólios.

Contudo, o termo específico foi popularizado em 1974 pela economista Anne Krueger em seu artigo “The Political Economy of the Rent-Seeking Society”. Em um estudo sobre as economias de países que tinham muitas regulações governamentais, ela percebeu que, nesses lugares, as pessoas gastavam muitos recursos tentando conseguir licenças de importação ou outros favores do governo, em vez de se dedicarem a atividades produtivas.

Possíveis prejuízos que o Rent-seeking pode causar na economia

O Rent-seeking pode causar sérios danos à economia ao desviar recursos e enfraquecer o crescimento sustentável. Um dos principais prejuízos é a redução da eficiência econômica. Quando empresas ou indivíduos concentram esforços em influenciar políticas públicas para obter vantagens, como subsídios ou monopólios, eles deixam de investir em inovação, produtividade e melhoria de produtos ou serviços.

Além disso, o Rent-seeking pode agravar desigualdades sociais. Recursos que poderiam ser utilizados para beneficiar o coletivo, como investimentos em infraestrutura ou educação, acabam sendo canalizados para beneficiar interesses específicos. Isso limita o acesso da população em geral a oportunidades e piora as disparidades econômicas.

Outra consequência é o aumento de práticas corruptas. O Rent-seeking muitas vezes envolve o uso de influência política para obter vantagens privadas, o que pode levar à corrupção e prejudicar a confiança nas instituições públicas. Desse modo, isso cria um ambiente em que decisões econômicas são tomadas com base em interesses particulares, em vez de focarem no bem-estar geral.

Por fim, o Rent-seeking pode desacelerar o crescimento econômico. Ao concentrar recursos em atividades improdutivas, o desenvolvimento econômico perde força, dificultando o avanço e a competitividade de longo prazo. É como plantar sementes em solo infértil: não importa o quanto se invista, os resultados serão limitados.

Assim, o Rent-seeking não apenas prejudica a economia, mas também afeta negativamente a sociedade como um todo, criando barreiras para um futuro mais próspero e justo.

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Como combater o Rent seeking?

O enfrentamento do Rent-seeking exige uma abordagem multifacetada. É fundamental fortalecer as instituições responsáveis pela regulação da economia, garantir maior transparência e estabelecer mecanismos eficazes de controle e prestação de contas.

Reformas regulatórias que incentivem a concorrência e assegurem igualdade de condições são decisivas para desencorajar esse tipo de comportamento.

Além disso, informar a população sobre os prejuízos causados por essas práticas pode gerar pressão social por mudanças. A adoção de leis mais rigorosas contra a corrupção e a promoção de uma cultura de integridade também são passos importantes nesse processo

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Fontes: Empiricus, Suno, eInvestidor e Mais Retorno.

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