Adam Smith: biografia e teoria do pai do liberalismo


O filósofo escocês Adam Smith foi um dos pensadores e economistas mais importantes da história. Sendo que ele é considerado o pai do liberalismo.

A obra de Adam Smith influenciou várias áreas, tais como: economia, educação, ética, livre concorrência, evolução social, divisão do trabalho e etc.

Além disso, vale destacar ainda que Adam Smith é tido como um dos formadores do atual estágio de globalização que vivemos.

Isso porque sua obra, A Riqueza das Nações, contribui com vários conceitos que são usados na sociedades moderna como, por exemplo, a valorização do individual e a limitação do papel do estado.

Infância e juventude

Adam Smith nasceu no dia 16 de junho de 1723, em Kirkcaldy, na Escócia. Tendo como pais o advogado Adam Smith e de Margaret Douglas.

Kirkcaldy era uma pequena cidade portuária, onde quase não havia atividade industrial, apenas uma fábrica de alfinetes.

Portanto, foi nessa fábrica que Smith observou a organização e o funcionamento e teve contato com as novas formas de produção.

Com apenas dois meses de vida, Adam perdeu o seu pai. Além disso, quando tinha cerca de 4 anos, ele foi raptado por ciganos, mas conseguiu ser resgatado.

Pouco se sabe sobre a vida íntima de Smith. Ele nunca se casou e faleceu aos 67 anos de idade, em Edimburgo.

Formação e carreira

Com 14 anos de idade, Smith começou a estudar filosofia moral na Universidade de Glasgow. No ano de 1740, Smith entrou para o Balliol College da Universidade de Oxford, mas acabou abdicando de sua bolsa em 1746.

Já em 1748 ele passou a dar aulas em Edimburgo. Posteriormente, em 1740, Adam Smith expôs pela 1ª vez a filosofia econômica do “sistema simples e óbvio da liberdade natural”.

Em torno de 1750, Smith conheceu o filósofo David Hume, que exerceu uma forte influência em seu pensamento. Os dois se tornaram amigos próximos.

Um ano depois, em 1751, Smith foi nomeado professor de Lógica na Universidade de Glasgow e, no ano seguinte, passou a dar aula de filosofia moral.

No ano de 1759, Smith publicou a Teoria dos sentimentos morais, uma das suas obras mais conhecidas. Sendo que na obra ele incorporou algumas das suas aulas de Glasgow.

Posteriormente, no final de 1763, Smith conseguiu um posto bem remunerado como tutor do jovem duque de Buccleuch. Com isso, ele deixou o cargo de professor.

Entre os anos de 1764 e 1766, Adam Smith viajou com o seu protegido, principalmente pela França, onde conheceu líderes intelectuais como Turgot, d’Alembert, André Morellet, Helvétius e François Quesnay.

Ao voltar para Kirkcaldy, ele dedicou boa parte do seu tempo, nos 10 anos seguinte, à sua magnum opus, que surgiu em 1776.

Por fim, em 1778, Smith recebeu um posto como comissário da alfândega da Escócia e foi viver com a sua mãe em Edimburgo.

Influência intelectual

O filósofo escocês David Hume foi uma das grandes influências no pensamento de Adam Smith. Em resumo, para Hume, a sobrevivência era a principal razão para o ser humano agir de forma correta.

Portanto, pensar em si mesmo, muitas vezes, acaba por beneficiar as pessoas que estão em volta. Ou seja, o egoísmo seria positivo, pois pode beneficiar o entorno também.

Enfim, na obra Teoria dos sentimentos morais, publicada em 1759, Adam Smith fala justamente sobre a moral do seu tempo e da natureza humana. Isso com o intuito de entender as motivações para atuar na sociedade.

Principais Obras de Adam Smith

As principais obras de Adam Smith são:

  • Teoria dos Sentimentos Morais (1759)

  • Uma investigação sobre a natureza e as causas da riqueza das nações (1776)

  • Ensaio sobre Temas Filosóficos (1795).

Principais ideias de Adam Smith

As principais ideias de Adam Smith foram:

1- Natureza econômica

Em resumo, de acordo com Smith, o que move a economia é o interesse privado das pessoas. Por exemplo, um trabalhador não levanta cedo somente porque gosta do seu trabalho.

Na verdade, ele precisa de uma ocupação para sobreviver. Desse modo, ao trabalhar por causa de um interesse próprio, ele acaba ajudando toda a sociedade.

Portanto, Smith acreditava que, mesmo não sendo intencional, o egoísmo das pessoas resultava em benefícios para as outras pessoas.

2- Mão invisível

A mão invisível é uma metáfora usada por Smith e que se tornou uma das metáforas mais conhecidas da economia e o lema do liberalismo econômico.

Em resumo, essa metáfora foi criada para explicar o que leva as pessoas a optarem por consumir produtos da indústria nacional e não da estrangeira.

“O indivíduo, ao preferir dar apoio à indústria de seu país, mais do que à estrangeira, se propõe unicamente buscar sua própria segurança (…) em este como em muitos outros casos, uma mão invisível o leva a fomentar uma atividade que não entrava nos seus propósitos”.

Portanto, o conceito de mão invisível é usado para explicar tanto as leis de mercado, quanto o ajuste entre a oferta e procura.

3- Divisão do trabalho

Para Adam Smith, o trabalho deveria ser feito por etapas. Desse modo, cada trabalhador poderia aperfeiçoar e melhorar o seu empenho ao longo da produção.

Ele também levou essa ideia para as nações. Sendo assim, para ele era preciso que cada país se especializasse em fabricar apenas certos produtos com o intuito de vendê-los no mercado.

Enfim, o resultado disso seria uma mão de obra qualificada e um conhecimento técnico difícil de superar.

4- Mercantilismo

No século XVIII, acreditava-se que a quantidade de ouro e prata estocados em cofres era a riqueza de uma nação. Nesse sentido, era preciso de uma intervenção estatal e os entraves ao comércio exterior.

Esse conjunto de medidas é chamado de mercantilismo. Smith foi contra essa ideia e explicou que a riqueza de um país está, na verdade, na habilidade de produzir bens. 

Portanto, é preciso de cidadãos capacitados e um Estado que não seja interventor.

5- Fisiocracia

Durante o tempo que viajou para a França, de 1764-1766, Adam Smith conheceu os mais importantes fisiocratas da época: François Quesnay e Anne Robert Jacques Turgot. Foi a partir daí, que Smith se interessou por economia.

Em síntese, os fisiocratas tinham como base a primazia do direito natural, do poder da terra e dos proprietários. Ou seja, a liberdade de vender e comprar.

Sendo assim, eles acreditavam que a melhor maneira de governo seria aquela onde as coisas se resolveriam por si mesmas. Essa ideia era resumida na expressão francesa “laissez-faire” (deixai fazer).

Adam Smith e o liberalismo

Adam Smith é considerado o pai do liberalismo. Sendo que ele influenciou, e ainda influência, várias gerações com sua ideia de estado e mercado.

Em resumo, o liberalismo é uma doutrina política, econômica e social que visa a liberdade individual e mercantil.

Desse modo, Adam Smith defende que a sociedade só funciona se for com base na vontade própria de cada indivíduo. Nesse sentido, não é a força do estado que faz a sociedade funcionar.

Smith acreditava que a divisão do trabalho era muito importante para que houvesse um crescimento da produção e do mercado. Essa ideia é expressa por meio da sua obra A Riqueza das Nações.

Contudo, para que essa teoria funcionasse, seria preciso uma livre concorrência de mercado, pois ela proporcionaria a busca pelo aperfeiçoamento, o que resultaria em maior qualidade dos produtos e diminuição dos custos de produção.

Em síntese, a convicção na livre concorrência, está baseada na ideia de que a lei da oferta e procura, proporciona sucesso econômico e prosperidade.

Em outras palavras, sem a intervenção do Estado, as empresas seriam obrigadas a buscar novas técnicas que proporcionassem o aumento da sua qualidade e competitividade frente às demais empresas.

Frases de Adam Smith

Por fim, algumas frases de Adam Smith que podem te inspirar são:

  • É injusto que toda a sociedade contribua para custear uma despesa cujo benefício vai a apenas uma parte dessa sociedade.

  • É o medo de perder seu emprego que restringe suas fraudes e corrige sua negligência.

  • O verdadeiro valor das coisas é o esforço e o problema de as adquirir.

  • Nenhuma nação pode florescer e ser feliz enquanto grande parte de seus membros for formada de pobres e miseráveis.

  • O que vai gerar a riqueza das nações é o fato de cada indivíduo procurar o seu desenvolvimento e crescimento econômico pessoal.

  • A ciência é o grande antídoto contra o veneno do entusiasmo e da superstição.

LEIA MAIS

Neoliberalismo, o que é? Origem, características, ideário e liberalismo

Liberdade econômica: o que é a MP da liberdade econômica?

Daniel Goldberg: quem é e trajetória

Luiza Helena Trajano: A Empresária que Transformou a Magazine Luiza

Jose Carlos Semenzato, quem é? Biografia do presidente da SMZTO

Larry Page, quem é? Biografia, carreira e fundação do Google

Lara Brenner: biografia e criação do Expressando Direito

Raul Sena, quem é? Vida, carreira e como investe o Investidor Sardinha

Fontes: Toda matéria, Suno e, por fim, Wikipédia.

Bibliografia

  • Adam Smith. Suno. Acesso em 17 de agosto de 2022.
  • Bezerra, Juliana. Adam Smith. Toda matéria. Acesso em 17 de agosto de 2022.
Conte-nos a sua opinião...