Contrato de opção: o que é, como funciona, tipos

Um contrato de opção é um acordo que dá ao comprador o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo a um preço previamente definido dentro de um prazo determinado. Saiba mais!

9 de março de 2026 - por Sidemar Castro


Um contrato de opção é um derivativo financeiro que dá ao comprador, o titular, o direito, mas não a obrigação, de comprar ou vender um ativo por um preço fixo até uma data futura, o vencimento, pagando um prêmio ao vendedor.

Funciona como uma aposta na direção do mercado ou proteção, com alta alavancagem, mas risco de perda total do prêmio. Leia o artigo e entenda em detalhes.

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O que é contrato de opção?

Um contrato de opção funciona como uma aposta ou uma garantia negociada no mercado financeiro. Nele, uma pessoa compra de outra o direito de comprar ou vender um bem, como ações, ouro ou dólar, em uma data futura, por um valor que já fica estabelecido no começo da negociação.

A parte que compra esse direito paga um preço por ele, mas não é obrigada a usá-lo se não quiser. Já a parte que vende recebe esse pagamento, mas fica comprometida a cumprir o acertado caso o comprador resolva exercer seu direito.

É uma ferramenta muito usada tanto para buscar lucros com a variação dos preços quanto para proteger investimentos contra quedas inesperadas.

Componentes do contrato de opção

Todo contrato de opção é formado por algumas peças fundamentais. O ativo subjacente é o item sobre o qual o contrato é feito, podendo ser ações de empresas, índices de bolsa, commodities como café e petróleo, ou moedas estrangeiras.

O preço de exercício, também chamado de strike, é o valor combinado pelo qual o ativo poderá ser comprado ou vendido lá na frente.

A data de vencimento é o prazo final para a decisão do comprador, depois dela o contrato perde a validade.

O prêmio é o preço pago pelo comprador ao vendedor para ter esse direito, um valor que fica com o vendedor independentemente de o comprador levar ou não o negócio adiante.

Como funciona o contrato de opção?

A dinâmica é mais simples do que parece. O comprador paga o prêmio e adquire o direito de comprar ou vender o ativo pelo preço combinado até o vencimento.

Se o preço de mercado for favorável, ele exerce a opção e ganha a diferença. Se for desfavorável, ele deixa o contrato expirar e perde apenas o prêmio que pagou.

O vendedor, por sua vez, recebe o prêmio na hora, mas fica na berlinda: se o comprador exercer a opção, ele tem que cumprir o trato, mesmo que isso signifique vender algo por um preço muito abaixo do mercado ou comprar algo por um preço muito acima.

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Tipos de contrato de opção

1) Opção de compra, a call

Quem compra uma call quer ter o direito de comprar o ativo por um preço fixo no futuro. É uma posição de quem acredita que o preço vai subir, pois assim poderá comprar barato pelo contrato e vender caro no mercado.

Exemplo: Um investidor paga 4 reais de prêmio por uma opção de compra de ações da empresa Gama com strike de 30 reais. Se a ação chegar a 50 reais, ele exerce a opção, compra por 30, vende por 50 e embolsa 16 reais de lucro por ação. Se a ação cair para 20 reais, ele deixa a opção de lado e perde apenas os 4 reais do prêmio.

2) Opção de venda, a put

Quem compra uma put adquire o direito de vender o ativo pelo preço combinado. É uma proteção contra quedas ou uma aposta na baixa, já que permite vender algo por um valor mais alto do que o mercado está pagando.

Exemplo: Uma pessoa tem ações da empresa Delta compradas por 80 reais e compra uma put com strike de 80 reais pagando 6 reais de prêmio. Se as ações despencarem para 50 reais, ela exerce a put e vende por 80, escapando do prejuízo maior. Se as ações subirem para 100 reais, ela não exerce a opção, vende no mercado por 100 e lucra, tendo pago apenas os 6 reais pela tranquilidade.

3) Opção americana

A opção americana dá ao comprador a liberdade de exercer seu direito a qualquer instante até o vencimento, o que oferece mais flexibilidade para aproveitar momentos favoráveis do mercado.

Exemplo: Alguém compra uma opção americana de compra com vencimento em março. Se em janeiro a ação já disparou, o investidor pode exercer a opção na hora e garantir o lucro, sem precisar esperar até março.

4) Opção europeia

Na opção europeia, o direito só pode ser exercido exatamente na data de vencimento, nem antes nem depois. É um formato mais rígido, mas que atende bem a certos tipos de estratégia.

Exemplo: Um investidor compra uma opção europeia de venda com vencimento em 15 de junho. Mesmo que o preço caia drasticamente em maio, ele só poderá vender pelo strike no dia 15 de junho, conforme o combinado.

Vantagens e riscos do contrato de opção

Vantagens do contrato de opção

Os contratos de opção oferecem uma alavancagem interessante, permitindo controlar muitos ativos com pouco dinheiro.

O risco limitado para o comprador é um dos maiores atrativos, já que ele sabe de antemão que o máximo que pode perder é o prêmio pago.

As opções também são extremamente versáteis, dando margem para criar estratégias das mais variadas, desde as mais conservadoras até as mais agressivas. E o custo para entrar nesse mercado costuma ser acessível, com lotes de opções sendo negociados por valores relativamente baixos.

Riscos do contrato de opção

Quanto aos riscos, o comprador precisa estar ciente de que, na maioria das vezes, as opções viram pó e ele perde todo o prêmio investido.

É um mercado onde o lucro pode ser alto, mas a frequência de ganhos costuma ser baixa para quem não domina bem o assunto.

Para o vendedor, o risco é ainda mais sério, podendo ser teoricamente infinito, já que ele é obrigado a honrar o contrato mesmo em cenários extremos de mercado.

Além disso, a complexidade desses instrumentos é alta, exigindo estudo dedicado e não sendo nada recomendável para quem está começando a investir ou não tem tempo para acompanhar o mercado de perto.

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