Diferença entre TIR e TIRM

Descubra o que são TIR e TIRM, entenda suas diferenças e veja como esses indicadores ajudam a avaliar a rentabilidade e o risco dos investimentos.

22 de setembro de 2025 - por Millena Santos


A TIR (Taxa Interna de Retorno) e a TIRM (Taxa Interna de Retorno Modificada) são indicadores financeiros essenciais para quem deseja investir de forma mais consciente, principalmente se a ideia for evitar grandes dores de cabeça no futuro.

Neste texto, vamos explicar de maneira a importância da TIR e da TIRM, entre outros pontos, destacando como elas podem apoiar decisões mais seguras no mundo dos investimentos.

O que é Taxa Interna de Retorno (TIR)?

A Taxa Interna de Retorno (TIR) é um dos principais indicadores financeiros utilizados para analisar a viabilidade de um investimento ou projeto. Logo, trata-se de uma métrica que permite avaliar, de forma percentual, qual será a rentabilidade esperada de um capital aplicado ao longo do tempo.

Na prática, a TIR mostra a relação entre o investimento inicial realizado e os fluxos de caixa futuros que o projeto ou negócio deverá gerar, considerando tanto os custos como as receitas esperadas. Dessa forma, o investidor consegue verificar se o retorno do empreendimento compensa o valor aplicado no início.

Tecnicamente, a TIR corresponde à taxa de desconto que torna o Valor Presente Líquido (VPL) de um projeto igual a zero. Isso significa que ela representa o ponto de equilíbrio entre o que se investe e o que se obtém de retorno no futuro.

Quanto maior for a TIR, maior tende a ser a atratividade do investimento, especialmente quando comparada a outras alternativas de aplicação ou ao custo de capital da empresa.

Além disso, a TIR é usada em análises de projetos de longo prazo, investimentos em ativos financeiros e até mesmo em decisões empresariais, uma vez que ajuda a medir não apenas a viabilidade, mas também o potencial de crescimento do negócio.

Como funciona a Taxa Interna de Retorno (TIR)?

A Taxa Interna de Retorno (TIR) trata da taxa de desconto que faz com que o valor presente dos retornos futuros de um projeto seja exatamente igual ao investimento inicial realizado.

Em outras palavras, é a taxa que zera o Valor Presente Líquido (VPL).

De forma prática, a TIR mostra qual é a rentabilidade percentual esperada de um investimento, considerando todos os fluxos de entrada e saída de caixa ao longo do tempo.

Assim, se a TIR encontrada for maior do que a taxa mínima de atratividade definida pelo investidor, o projeto tende a ser considerado viável.

Como calcular a TIR?

A fórmula para calcular a TIR é a seguinte:

Diferença entre TIR e TIRM
  • Σ: soma dos fluxos de todos os períodos que se deseja avaliar
  • i: o tempo do fluxo de caixa
  • n: período final do investimento
  • FC: fluxos de caixa do período determinado

Exemplos

Pense em um investimento inicial de R$ 1.000,00 gera um retorno único de R$ 1.300,00 após 1 ano. Aplicando a fórmula:

Diferença entre TIR e TIRM

Agora, considere um investimento inicial de R$ 5.000,00 gera fluxos de caixa de R$ 3.000,00 no ano 1, R$ 2.500,00 no ano 2 e R$ 1.000,00 no ano 3.

Aplicando a fórmula:

Diferença entre TIR e TIRM

Fazendo o cálculo, a TIR encontrada é aproximadamente:

Diferença entre TIR e TIRM

O que é a Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM)?

A Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) é uma espécie de variação da TIR tradicional, criada justamente para corrigir algumas de suas limitações e oferecer uma análise mais realista sobre a viabilidade de um investimento.

Isso porque esse indicador também busca medir a rentabilidade de um projeto, mas utiliza premissas diferentes no tratamento dos fluxos de caixa.

Enquanto a TIR convencional considera que todos os fluxos de caixa positivos podem ser reinvestidos à própria taxa de retorno do projeto (o que, muitas vezes, é irreal), a TIRM parte de uma lógica mais prática.

Nela, inclusive, os fluxos de caixa negativos são trazidos ao valor presente líquido (VPL), enquanto os fluxos de caixa positivos são projetados para o valor futuro a uma taxa de reinvestimento considerada mais adequada, geralmente, o custo de capital da empresa ou uma taxa de mercado factível.

Com isso, a TIRM consegue oferecer uma visão mais consistente e conservadora, pois elimina a suposição de que todos os retornos possam ser reinvestidos à mesma taxa da TIR.

Quando a gente vai pra vida real, na prática, isso ajuda o investidor ou gestor a avaliar se o projeto é realmente viável em condições financeiras mais próximas da realidade.

A TIRM também é utilizada em análises de investimentos de longo prazo, comparações entre diferentes projetos e em situações onde se deseja reduzir o risco de distorções no cálculo do retorno. Assim, ela se torna uma ferramenta essencial para decisões empresariais mais consistentes.

Como funciona a Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM)?

A Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) é uma versão mais completa da TIR que procura trazer uma visão mais realista da viabilidade de um investimento.

Enquanto a TIR assume que todos os fluxos de caixa positivos serão reinvestidos à própria taxa do projeto, a TIRM corrige essa limitação ao considerar uma taxa de reinvestimento mais plausível, geralmente o custo de capital ou uma taxa mínima de atratividade.

O cálculo da TIRM funciona em duas etapas:

  • os investimentos iniciais são trazidos a valor presente usando o custo de capital;
  • os fluxos de caixa positivos são projetados para o valor futuro com base na taxa de reinvestimento escolhida.

Tendo isso em vista, a taxa que iguala esses dois valores é a TIRM, que acaba refletindo um retorno mais ajustado e coerente com as condições de mercado.

Como calcular a TIRM?

O cálculo da TIRM segue alguns passos. A primeira etapa, inclusive, é calcular o valor futuro dos fluxos de caixa positivos:

Diferença entre TIR e TIRM

Em seguida, é preciso calcular o valor presente dos fluxos de caixa negativos:

Diferença entre TIR e TIRM

Por fim, o último passo é aplicar a fórmula da TIRM:

Diferença entre TIR e TIRM

Exemplos

Para calcular o VF, considere as seguintes informações:

Um investimento de 3 anos gera os seguintes fluxos de caixa:

  • Ano 1: R$ 2.000,00
  • Ano 2: R$ 3.000,00
  • Ano 3: R$ 4.000,00
  • Taxa de reinvestimento adotada: 10% ao ano
Diferença entre TIR e TIRM

Portanto, o valor futuro dos fluxos de caixa, considerando a reinversão a 10% ao ano, é de R$ 9.720,00.

Agora, para calcular o VP, considere:

Imagine que o projeto exige dois desembolsos:

  • Ano 0: R$ 5.000,00
  • Ano 1: R$ 2.000,00
  • Taxa de financiamento (custo de capital)= 10% ao ano.

Agora, a gente aplica na fórmula, que fica assim:

Diferença entre TIR e TIRM

Com essas informações, a gente consegue calcular o TIRM:

Diferença entre TIR e TIRM

Portanto, a TIRM é de ≈ 12,45% ao ano.

Qual a diferença entre TIR e TIRM?

A Taxa Interna de Retorno (TIR) é, como vimos, usada para medir a rentabilidade de um projeto ou investimento, mas nem sempre mostra a realidade completa.

a Taxa Interna de Retorno Modificada (TIRM) surge como uma alternativa que corrige algumas limitações da TIR, trazendo resultados mais realistas em determinados cenários.

Para entender melhor essa diferença, vale destacar alguns pontos:

Precisão e Realismo

A TIR pode superestimar a atratividade de um investimento porque considera que todos os fluxos de caixa intermediários são reinvestidos à própria TIR.

A TIRM, por outro lado, usa uma taxa de reinvestimento mais realista (como o custo de capital ou a taxa mínima de atratividade), trazendo uma visão mais fiel.

Cálculo e Aplicação

O cálculo da TIR exige resolver uma equação polinomial, geralmente feita por tentativa e erro ou em softwares/planilhas.

Já a TIRM, apesar de exigir alguns passos adicionais, costuma ser mais prática, pois se apoia em taxas conhecidas do mercado, como o custo de oportunidade.

Taxa de Reinvestimento

Esse é um dos pontos bem importantes, já que a TIR assume que os fluxos de caixa são reinvestidos à mesma taxa do projeto, o que nem sempre é realista.

A TIRM permite definir uma taxa de reinvestimento mais plausível, o que melhora a qualidade da análise.

Uso Prático

A TIR é muito popular por ser fácil de interpretar e comunicar, servindo como um bom “termômetro” inicial de atratividade.

Em contraposição, a TIRM é mais indicada em análises aprofundadas, sobretudo quando se busca maior precisão no resultado e se deseja comparar projetos de forma justa.

Importância da TIR e da TIRM para os investimentos

Quem investe sabe que não basta apenas aplicar o dinheiro e esperar resultados. É fundamental entender quais são as chances reais de retorno e se o esforço compensa.

Logo, é aqui que entram a TIR e a TIRM, dois indicadores fincanceiros que ajudam a enxergar melhor o potencial de cada decisão.

A TIRM tem um papel especial porque considera que, em muitos casos, os fluxos de caixa negativos precisam ser ajustados de acordo com o custo de capital, ou seja, o preço do dinheiro usado no investimento.

Além disso, ela leva em conta a taxa de reinvestimento, oferecendo uma visão mais realista do que acontece quando os ganhos obtidos ao longo do tempo são aplicados novamente.

a TIR é usada por investidores e gestores para medir a rentabilidade esperada de um projeto. Na prática, ela mostra se o retorno previsto é suficiente para compensar o valor aplicado inicialmente, levando em conta custos e o tempo de duração do investimento.

Por isso, a TIR também é uma ferramenta importante para simular cenários financeiros e apoiar o planejamento de longo prazo.

Dessa forma, tanto a TIR quanto a TIRM ajudam a transformar números em decisões mais conscientes, e mostra não apenas se um investimento vale a pena, mas também como ele se comporta em diferentes condições financeiras.

Fonte: Investopedia, akeloo, Top Invest, Tribeca Finanças.

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