Nearshoring: o que é, como funciona, impactos, exemplos

Nearshoring é a terceirização de serviços para um país vizinho ou próximo geograficamente. Veja como funciona, impactos e exemplos.

6 de janeiro de 2026 - por Sidemar Castro


Nearshoring é uma estratégia empresarial de transferência de operações para países geograficamente próximos, em vez de locais distantes. Essa prática difere do offshoring por priorizar a proximidade geográfica e cultural, o que facilita a logística, reduz o tempo de entrega e melhora a comunicação, pois muitos países parceiros compartilham fusos horários semelhantes.

Neste artigo, entenda o que é e seus impactos e exemplos.

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O que é nearshoring?

Suponha que uma empresa, em vez de mandar parte de sua produção para um país muito distante, decida relocá-la para uma nação vizinha ou mesmo a algumas horas de voo. Isso é o que chamamos de nearshoring.

A ideia central é aproveitar a proximidade, proximidade geográfica, cultural e de fuso horário. para tornar mais eficiente a cadeia produtiva ou de serviços. No contexto brasileiro, o nearshoring aparece como uma oportunidade para reduzir o tempo de transporte e melhorar a coordenação entre matriz e fornecedores.

Por outro lado, essa escolha exige que se analise bem o ambiente: mesmo próximo, pode haver desafios como infraestrutura logística, regime regulatório ou custo de mão de obra que afetem os resultados.

Como funciona o nearshoring?

Quando uma empresa decide adotar o nearshoring, ela está basicamente dizendo: “vamos mover parte da produção ou dos serviços para um local mais próximo geograficamente do nosso mercado final”. Esse local pode ser outro país da região ou, em alguns casos, uma localidade dentro do mesmo país que ofereça melhores condições.

O processo normalmente começa com a empresa avaliando quais etapas da cadeia produtiva ou serviço interno são candidatas para serem deslocadas: isso pode ir de montagem física, manufatura, desenvolvimento de software, suporte técnico ou terceirização de back-office. Em seguida ela escolhe a localização que oferece melhor combinação entre custo, proximidade, fuso horário, cultura, infraestrutura etc.

Depois vem a implementação: mudar fornecedores, ajustar logística, garantir que no novo local exista ou se forme mão de obra qualificada, infraestrutura de transporte ou telecomunicações, e ainda assegurar que a comunicação e o controle de qualidade não se deteriorem com a nova estrutura. É nessa fase que a proximidade (menos fuso, menos barreiras culturais) se torna um diferencial real.

Por fim, a empresa monitora os resultados: reduções de custo, menores tempos de entrega, melhor alinhamento com o mercado consumidor, e também avalia se os riscos, como instabilidade regulatória, infraestrutura insuficiente ou custos escondidos, estão sendo bem gerenciados.

No Brasil, por exemplo, enxergar o nearshoring como parte de um plano maior (modernização logística, mudança de fornecedores, política industrial) ajuda a que o modelo funcione de fato.

Vantagens e desvantagens do nearshoring

Dentre as suas principais vantagens, destaca-se a significativa redução nos custos logísticos e no tempo de entrega, já que a distância física é menor. A proximidade de fuso horário facilita a comunicação em tempo real, permitindo reuniões e ajustes mais ágeis.

Além disso, a afinidade cultural tende a minimizar mal-entendidos e a criar uma sinergia mais natural entre as equipes. Do ponto de vista estratégico, ter operações em um país vizinho ou da mesma região mitiga riscos associados a crises globais ou a rotas marítimas muito longas.

Por outro lado, o nearshoring não é uma solução perfeita. O custo operacional pode ser mais alto comparado ao offshoring em países com mão de obra extremamente barata. Encontrar o parceiro ideal, com a capacidade técnica e a infraestrutura necessárias, pode ser um desafio em algumas regiões.

Apesar da relativa proximidade, ainda existem barreiras linguísticas e diferenças legais e tributárias que exigem um cuidado especial na gestão do projeto.

Fatores que impulsionam o crescimento do nearshore

1) A geopolítica e a reavaliação de riscos

As tensões comerciais entre grandes potências e a instabilidade em rotas marítimas tradicionais forçaram as corporações a diversificar suas operações. Estabelecer bases em países politicamente alinhados e geographicamente próximos é visto como uma estratégia de proteção contra turbulências internacionais.

2) A demanda do consumidor por velocidade e customização

No mundo atual, os clientes esperam entregas rápidas e produtos cada vez mais personalizados. Cadeias longas são lentas e inflexíveis. O nearshoring permite que as empresas respondam com mais agilidade às tendências de mercado e às demandas específicas de cada região.

3) A sinergia operacional como facilitadora

A proximidade permite visitas frequentes das equipes, auditorias in loco e uma transferência de conhecimento muito mais prática. Gerenciar uma operação a algumas horas de voo é incrivelmente mais simples e menos custoso do que supervisionar uma fábrica do outro lado do mundo.

4) Vantagens fiscais e de incentivos governamentais

Muitos países, identificando uma janela de oportunidade, estão criando políticas e incentivos para atrair empresas que queiram se relocalizar para suas regiões. Esses benefícios, somados a uma carga tributária potencialmente mais favorável, tornam a equação do nearshoring ainda mais atrativa.

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Impactos do Nearshore

Hoje, muitas empresas estão repensando onde produzir ou prestar serviços, e o nearshoring surge como resposta para os tempos de instabilidade global. Ao colocar suas operações mais perto dos mercados consumidores, ganham eficiência: logística mais fácil, prazos menores, menos surpresas.

No caso do Brasil, esse movimento abre uma janela especial: temos tamanho de mercado, temos localização estratégica, temos mão de obra qualificada. Isso pode se traduzir em mais exportações, mais investimentos estrangeiros, produção mais local.

Por outro lado, se o contexto interno (infraestrutura, regulação, estabilidade) não acompanhar, os benefícios podem ficar aquém do esperado.

Assim, os impactos são duplos: para a empresa, mais agilidade, menor custo de distância e maior proximidade com o cliente. Para o país, chance de geração de empregos, fortalecimento da indústria, maior protagonismo global. É uma mudança que exige olhar estratégico, não basta apenas “trazer produção para perto”, é necessário estruturar o ecossistema ao redor.

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Indústrias que mais se encontra nearshoring

Hoje vemos que indústrias como a automotiva, a têxtil e a de tecnologia estão entre as que mais se beneficiam do nearshoring, ou seja, de aproximar a produção dos mercados-consumidores. No setor automotivo, por exemplo, há uma forte movimentação para realocar fornecedores e fábricas mais próximas ao mercado das Américas, reduzindo riscos logísticos e aumentando a agilidade.

Já na têxtil e de confecções, esse movimento aparece com força: produzir mais próximo ao mercado final significa prazos menores, melhor controle de qualidade e menor impacto ambiental.

E no setor de tecnologia e semicondutores, o Brasil começa a ganhar atenção como hub para empresas que desejam ter operações mais próximas dos EUA e mercados vizinhos, com vantagens de fuso horário, talento local e proximidade geográfica.

Esse conjunto mostra que a tendência de realocação produtiva não é restrita a um setor único, mas está ocorrendo em áreas em que o Brasil e a América Latina têm algum diferencial competitivo ou estratégico.

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Nearshoring no Brasil

O nearshoring no Brasil pode, de fato, ser uma virada estratégica para quem quer produção mais ágil, cadeia mais curta e proximidade com o mercado. Empresas já percebem que ao levar operações para mais perto, seja em termos geográficos ou de fuso horário, ganham flexibilidade, inteligência e rapidez.

No nosso contexto, há vantagens claras: mercado interno de mais de 200 milhões de pessoas, centros de tecnologia que crescem, massa de profissionais de TI cada vez mais preparada. Isso coloca o Brasil em condição vantajosa para se tornar hub de serviços e manufatura regional.

Mas, ao mesmo tempo, não se pode ignorar. As questões regulatórias, a complexidade tributária, a infraestrutura ainda com muitos gargalos, tudo isso pode frear o crescimento ou aumentar os custos.

Portanto, quem opta pelo nearshoring no Brasil precisa encarar isso como projeto de médio/longo prazo, com parcerias, planejamento e visão de melhoria contínua. Se isso for feito, pode significar um salto para o país e para empresas que querem operar de maneira mais inteligente.

Diferença entre nearshoring, reshoring e offshoring

Para entender as estratégias de relocalização de produção, é útil pensar em um mapa. O offshoring é a prática mais antiga e conhecida: significa levar processos produtivos ou serviços para um país muito distante, geralmente do outro lado do oceano, buscando os menores custos operacionais possíveis, especialmente com mão de obra. O exemplo clássico são as fábricas na Ásia.

O nearshoring é como um ajuste de curso nessa estratégia. Em vez de ir para o outro lado do mundo, a empresa busca um país vizinho ou da mesma região. A ideia não é necessariamente encontrar o preço mais baixo absoluto, mas sim um equilíbrio entre economia, proximidade geográfica, facilidade de comunicação e menor risco logístico.

Já o reshoring é um movimento de volta para casa. Também chamado de onshoring, consiste em repatriar atividades que antes eram realizadas no exterior, trazendo-as de volta para o país de origem da empresa. O foco aqui é fortalecer a produção doméstica, garantir maior controle sobre a cadeia e responder a pressões por geração de empregos locais.

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Fontes: Rangel, Portal do Comércio Exterior, Exame, Aliança, Descartes, Modal Connection,

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