SPACs: o que são e como funcionam?

As SPACs são um caminho mais rápido para levar empresas à bolsa por meio de uma fusão, em vez do IPO tradicional.

19 de junho de 2026 - por Diogo Silva


As SPACs passaram a chamar atenção no mercado financeiro por oferecerem um caminho diferente para empresas que querem chegar à bolsa de valores. Em vez de seguir o processo tradicional, que costuma ser mais longo e cheio de etapas, esse modelo funciona como uma alternativa mais direta para viabilizar a abertura de capital.

Com o aumento do interesse por novas formas de investimento, as SPACs acabaram ficando mais conhecidas e debatidas nos últimos anos. Entender esse mecanismo ajuda a enxergar melhor como o mercado evoluiu e quais são as opções que existem além do IPO tradicional.

Veja também: Mitos sobre a Bolsa de Valores – perca o medo de investir!

O que são Special Purpose Acquisition Companies (SPACs)?

Special Purpose Acquisition Companies (SPACs) são um tipo de estrutura criada com o objetivo de captar dinheiro no mercado para, depois, comprar ou se fundir com uma empresa já existente. Em vez de uma empresa fazer o processo tradicional de abertura de capital na bolsa, a SPAC entra como uma espécie de “atalho”, facilitando e acelerando esse caminho até o IPO.

Investidores colocam dinheiro em uma empresa que ainda não tem operação definida, confiando na equipe responsável para encontrar um negócio promissor no futuro. Esse capital levantado é então usado para adquirir uma empresa que faça sentido para essa estratégia. Sem esse modelo, o processo de levantar recursos e abrir capital costuma ser mais demorado e depende diretamente dos sócios e do crescimento da própria empresa ao longo do tempo.

Apesar de parecer algo mais recente, as SPACs já existem há bastante tempo. O que mudou foi a popularidade, principalmente nos Estados Unidos, onde elas passaram a ser mais usadas nos últimos anos por oferecerem uma alternativa mais rápida e flexível ao IPO tradicional.

Como funcionam as SPACs?

As SPACs funcionam como um caminho alternativo para levar uma empresa à bolsa de valores, mas com uma ordem diferente do processo tradicional.

Tudo começa com a criação de uma empresa vazia, formada por investidores e gestores experientes. Essa empresa não tem produtos nem operações próprias. O único objetivo dela, nesse primeiro momento, é captar dinheiro no mercado com a promessa de que, no futuro, esse capital será usado para comprar uma empresa promissora.

Depois que o dinheiro é levantado, os responsáveis pela SPAC passam a procurar uma empresa que já existe e que tenha potencial de crescimento. Quando encontram essa empresa, acontece a fusão entre as duas. A empresa escolhida passa a ocupar o lugar da SPAC e começa a ser negociada na bolsa, como se tivesse feito um IPO.

Existe também um prazo para essa busca acontecer. Se nenhum negócio for fechado dentro desse período, o dinheiro normalmente volta para os investidores. É por isso que o sucesso desse modelo depende muito da capacidade dos gestores em encontrar boas oportunidades e fechar acordos interessantes dentro do tempo certo.

Exemplos de SPACs

Um exemplo bastante conhecido de SPAC é a Virgin Galactic, empresa que trabalha com turismo espacial. Em vez de abrir capital pelo caminho tradicional, ela chegou à bolsa por meio de uma fusão com a SPAC Social Capital Hedosophia. Isso deixou o processo mais rápido e também ajudou a empresa a ganhar visibilidade, já que o setor espacial ainda é algo recente e desperta muita curiosidade.

Outro exemplo que podemos usar é a DraftKings, que atua com apostas esportivas e jogos online. Ela também chegou ao mercado de ações por meio de uma SPAC, a Diamond Eagle Acquisition Corp. Esse modelo permitiu que a empresa se tornasse listada de forma mais ágil e aproveitasse melhor o momento de crescimento forte do setor, sem precisar passar por todo o processo mais demorado de um IPO tradicional.

Vantagens das SPACs

As SPACs chamam atenção porque deixam o caminho até a bolsa mais rápido e menos complicado. Em vez de passar por todo o processo longo de um IPO tradicional, a empresa consegue chegar ao mercado por meio de uma fusão, o que ajuda a economizar tempo e aproveitar melhor uma fase de crescimento.

Outro ponto positivo é que existe mais previsibilidade em algumas etapas. No IPO tradicional, o preço das ações pode oscilar bastante na estreia, dependendo da reação dos investidores. Já na SPAC, muitas condições são definidas antes da fusão, o que traz mais clareza sobre o valor captado e como a entrada na bolsa vai acontecer.

Além disso, esse modelo facilita o acesso ao mercado de capitais para empresas em expansão. Em vez de lidar com toda a burocracia de um IPO, elas utilizam uma estrutura já pronta para se listar na bolsa. Em muitos casos, também contam com gestores experientes, que ajudam a conduzir o processo e encontrar boas oportunidades de fusão.

Desvantagens e riscos das SPACs

Apesar de parecerem uma forma mais prática de chegar à bolsa, as SPACs também têm seus riscos. Um dos principais é a falta de clareza no começo. O investidor coloca dinheiro em uma empresa que ainda não tem um negócio definido, confiando basicamente na experiência dos gestores que vão escolher a futura empresa da fusão. Isso abre espaço para decisões que nem sempre são as melhores.

Outro ponto de atenção é que muitas vezes existe uma expectativa muito alta em cima dessas empresas depois da fusão. Como tudo acontece de forma mais rápida, é comum que projeções otimistas sejam usadas para atrair investidores. Quando a realidade não acompanha essas expectativas, o valor das ações pode cair e gerar perdas.

Também existe a pressão do tempo. A SPAC precisa encontrar uma empresa para se fundir dentro de um prazo específico. Isso pode acabar levando a escolhas feitas com pressa, só para não perder o dinheiro já levantado. Além disso, nem sempre os interesses de quem criou a SPAC estão totalmente alinhados com os dos investidores, o que pode gerar decisões que não são as melhores para todos.

SPACs no Brasil

As SPACs ainda não são algo comum no mercado brasileiro. Aqui não tem um ambiente tão ativo para esse tipo de estrutura como acontece nos Estados Unidos, onde elas ganharam muito espaço nos últimos anos. Aqui, o processo de abertura de capital na bolsa, a B3, ainda segue mais o modelo tradicional de IPO, com regras mais rígidas e maior participação dos órgãos reguladores.

Isso não significa que o conceito seja totalmente distante. Investidores e empresas brasileiras acompanham esse movimento lá fora e, em alguns casos, companhias com ligação ao Brasil acabam chegando ao mercado internacional por meio de SPACs em bolsas estrangeiras. Mesmo assim, no cenário local, esse modelo ainda é pouco usado, tanto por questões regulatórias quanto pela própria forma como o mercado de capitais brasileiro é estruturado.

Spacs nos EUA

Nos Estados Unidos, as SPACs ficaram muito populares e acabaram virando uma alternativa ao IPO tradicional. Esse modelo chamou atenção porque permite que empresas cheguem à bolsa de forma mais rápida, sem todo o processo longo e burocrático que normalmente envolve uma abertura de capital.

Funciona de um jeito simples, onde os investidores criam uma SPAC, levantam dinheiro no mercado e depois usam essa estrutura para encontrar uma empresa privada para se fundir. Quando essa fusão acontece, a empresa escolhida passa a ser negociada na bolsa americana, já com recursos captados e mais visibilidade.

Esse movimento cresceu bastante em pouco tempo e chegou a movimentar grandes volumes de dinheiro, principalmente em momentos de otimismo no mercado. Com isso, também passou a ser mais acompanhado por reguladores, já que nem sempre os resultados dessas operações corresponderam às expectativas criadas.

Origem das SPACs

As SPACs surgiram nos Estados Unidos como uma forma diferente de levar empresas para a bolsa de valores. Em vez de uma empresa fazer todo o processo tradicional de abertura de capital, a ideia foi criar uma estrutura que primeiro levanta dinheiro com investidores e depois usa esse recurso para encontrar uma empresa privada e trazer ela para o mercado.

No começo, isso era algo bem de nicho, pouco comentado e usado em situações mais específicas. Com o tempo, o modelo foi sendo refinado e acabou chamando mais atenção de investidores, principalmente por parecer um caminho mais rápido em comparação com o IPO tradicional.

A partir dos anos 2010, as SPACs ganharam força de verdade, especialmente nos Estados Unidos, quando o mercado passou a buscar alternativas mais ágeis para abrir capital. Isso ajudou a popularizar o modelo e colocá-lo no radar de mais empresas e investidores.

Diferenças entre as SPACs e os IPOs

A principal diferença entre SPACs e IPOs está no caminho que a empresa percorre até chegar à bolsa. No IPO tradicional, a própria empresa passa por um processo longo de preparação, com auditorias, apresentação ao mercado e definição do preço das ações com base na demanda dos investidores.

Já na SPAC, esse caminho é encurtado, porque a empresa não abre capital sozinha, ela entra na bolsa por meio de uma fusão com uma estrutura que já existe.

Outra diferença importante está na forma como o valor da empresa é definido. No IPO, o preço final das ações depende bastante da negociação com o mercado no momento da abertura, o que pode trazer mais variação. Nas SPACs, grande parte dessas condições é discutida antes da fusão, o que dá uma sensação de maior previsibilidade no processo.

Também muda o nível de participação do mercado na construção da oferta. No IPO, há uma interação mais direta com investidores durante todo o processo, o que ajuda a ajustar expectativas. Nas SPACs, essa relação é mais indireta, já que a empresa entra no mercado já dentro de uma estrutura pronta, o que acelera a listagem, mas muda a dinâmica de formação de preço e percepção inicial do negócio.

Leia também: IPO vs. ICO: o que é e quais as diferenças?

Acordos comerciais que o Brasil faz parte

Seguro empresarial: o que é, tipos, importância

ETFs de buffer: o que são e como funcionam?

Smart Beta: o que é, como funciona, exemplos