6 de agosto de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)

Por que o governo Lula está em crise? Você já reparou que o governo Lula está apanhando de tudo quanto é lado? Não é só o pessoal da direita, do mercado ou dos liberais que andam reclamando. Até quem votou nele e sempre defendeu o PT está frustrado. Mas por que será que isso está acontecendo?
A verdade é que Lula, nesse terceiro mandato, conseguiu a proeza de desagradar praticamente todo mundo, da Faria Lima ao pessoal da esquerda mais raiz. E pra entender isso, a gente precisa mergulhar um pouco no cenário político e econômico atual.
Veja também: Shutdown: O que acontece se o governo não conseguir pagar as contas?
Esquerda x Direita
Antes de tudo, vamos deixar algo claro: ninguém, com boa intenção, quer ver criança passando fome ou gente dormindo na rua. A diferença entre esquerda e direita não está nos objetivos, mas nos caminhos para chegar lá.
- A esquerda acredita que o Estado forte, com mais presença e mais impostos sobre os ricos, é o caminho para diminuir desigualdade e garantir acesso à saúde, educação, comida e dignidade.
- Os liberais acham que quanto mais o Estado se mete, pior. Para eles, é o livre mercado que gera oportunidades, renda e crescimento. E nesse caso, o governo normalmente, atrapalha mais do que ajuda.
Mas sabe o que o Lula fez? Ele tentou misturar os dois modelos. Ou seja, pegou um pouco daqui, um pouco dali e no final, ninguém ficou satisfeito.
A culpa é do Lula?
Lula criou um novo arcabouço fiscal para tentar dar previsibilidade às contas públicas. Só que, na prática, esse “marcabolso” virou um nó: limita gastos em áreas importantes (o que irrita a esquerda) e não consegue conter o rombo nas contas públicas (o que enfurece o mercado).
O resultado disso tudo?
- A dívida pública cresce.
- O real se desvaloriza.
- A inflação volta a subir.
- A taxa de juros continua nas alturas, travando o varejo e a geração de empregos.
- E o governo fica sem conseguir entregar o que prometeu.
Lula prometeu picanha e cervejinha. Prometeu salário mínimo maior que a inflação, mais Bolsa Família, investimento em infraestrutura e até uma economia mais inclusiva. Entretanto, na prática, pouca coisa andou.
A inflação de alimentos acumulou mais de 6% só em 2024. Batata, cebola e arroz tiveram aumento de mais de 30% em algumas regiões. Resultado? A picanha continua no meme e a popularidade do presidente despencou: hoje, está em 35%, um número parecido com Bolsonaro na pandemia. Só que sem pandemia.
A matemática não fecha
Mesmo com recordes de arrecadação, o governo registrou um déficit primário de mais de R$ 90 bilhões. Ou seja, está gastando muito mais do que arrecada.
E pra piorar, o Congresso não aprova nenhuma medida que afete quem tem poder e grana. Propostas que mexem com o andar de cima, com empresas que bancam campanhas, não passam. No entanto, ideias que impactam o consumidor médio têm mais chance de ser aprovadas. O problema? A popularidade do governo vai ladeira abaixo cada vez que isso acontece.
O Lula de 2023/2024 não é exatamente o Lula de 2003. Ele tenta ser o conciliador. Não bate de frente com o mercado, mas também não atende à base que o elegeu. Ou seja, ele não agrada nem a Faria Lima, nem a turma da UNE e no esforço de não incomodar ninguém, acabou irritando todo mundo.
Brasil vai quebrar?
A política por aqui sempre foi uma troca de favores e todo mundo sabe disso. Mas chegamos num ponto em que ou a gente senta para renegociar tudo, ou vai continuar pagando imposto do mesmo jeito. E pior, sem saber se o que a gente paga está realmente voltando em forma de benefício.
O Brasil precisava combinar um novo modelo de cobrança: “nem pra mim, nem pra você”. Nada de mamata para uns e conta alta para outros. Por que não jogar a decisão na mão da galera? Um plebiscito, por exemplo.
Deputado não quer votar? Manda pra população decidir. Mas a verdade é que nem o Lula, nem o Bolsonaro, nem Haddad, nem ninguém quer mexer nos interesses de quem ajudou a colocar cada um deles no poder.
Todo mundo tem o rabo preso e no final, o país fica de mãos atadas.
Qual a solução para o Brasil?
Quer melhorar? Começa isentando quem ganha menos. Esse pessoal não tá nem conseguindo sobreviver, vai gastar tudo de qualquer forma. Isso anima o varejo e movimenta o mercado.
Depois, alivia as pequenas empresas, aquelas que faturam até R$ 100 milhões ou até R$ 1 bilhão, dependendo do setor. E para os grandões da Bolsa? Cobra em cima dos dividendos, mas só acima de um certo valor. Ganhou até R$ 1 milhão por ano? Isento. Passou disso? Paga uma parte.
Nada radical, só um modelo mais equilibrado.
E vamos parar com esse papo de setor estratégico que não pode ser tributado. Indústria, agro, comércio, tecnologia: todo mundo tem que pagar alguma coisa. O melhor é dividir o peso pra ninguém carregar sozinho.
No fim das contas, a ideia é simples: cada um fica com a sua parte da picanha. Alguns com a peça inteira, outros com uma lasquinha e alguns só com a capa de gordura. Mas o importante é todo mundo sair com alguma coisa no prato e o país não quebrar no processo.
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