Dividendos: o que são, como funcionam e como receber?

20 de agosto de 2020, por Nathalia Lourenço

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Quando um investidor compra ações de uma empresa, ele se torna sócio dela e passa a ter direito a uma parte dos lucros dessa companhia. Essa parte dos resultados é conhecida como dividendos, um grande atrativo para quem investe em ações, pois garantem rendimento mesmo em caso de queda do valor das ações.

A compra de ativos relevantes que pagam bons dividendos aos seus acionistas é uma forma eficaz de proteger seu dinheiro contra a inflação. Quer saber como isso funciona? Continue lendo e eu te explico!

O que são dividendos?

Os dividendos são uma parte dos lucros da empresa distribuídos entre os acionistas de forma proporcional à sua participação no negócio. Assim, quanto maior a quantidade de ações que uma pessoa possui, maior será a quantidade de dividendos que ela receberá.

Por lei, todas as empresas listadas na Bolsa de Valores devem distribuir dividendos, embora algumas o façam com mais frequência do que outras.

As empresas pagam dividendos como forma de recompensar seus acionistas e, claro, atrair novos investidores. No entanto, é importante ressaltar que o fato de uma empresa distribuir mais proventos não significa necessariamente que ela seja melhor do que, por exemplo, uma Small cap. Quer dizer apenas que ela teve lucro o suficiente para distribuir.

Quais são os tipos de dividendos?

Existem diferentes tipos de dividendos, como os JCP (Juros sobre Capital Próprio) e as bonificações em ações. No entanto, o tipo mais comum é o dividendo em dinheiro. Isso significa que os investidores recebem um valor em reais proporcional à quantidade de ações da empresa que possuem em suas carteiras.

1. Em ações

O dividendo em ações é conhecido como bonificação em ações. Nesse tipo de provento, o investidor recebe ações da empresa em vez de dinheiro. Em outras palavras, ao invés de receber uma quantia em reais, o investidor recebe uma quantidade de ações adicionais, o que contribui para aumentar a sua participação acionária na empresa.

A quantidade de ações a ser recebida é determinada de acordo com a participação acionária de cada investidor. Por exemplo, se uma empresa X anuncia que distribuirá 3 ações para cada 100 ações possuídas pelos acionistas, um investidor que detém 200 ações receberá 6 ações como provento.

A vantagem de receber ações é que você aumenta a sua participação acionária sem precisar investir ativamente para isso. Ao elevar a sua participação acionária, você aumenta a sua participação na distribuição de dividendos no futuro, já que a distribuição é sempre proporcional à quantidade de ações que o acionista possui.

2. Em dinheiro

Esse é um dos tipos mais comuns de distribuição de proventos. Neste caso, o investidor recebe uma quantia em dinheiro proporcional à quantidade de ações que possui na empresa.

O valor é depositado diretamente na conta da corretora do investidor, proporcionando a opção de transferir esse montante para a conta bancária pessoal ou reinvesti-lo.

A estratégia recomendada é reinvestir os dividendos para aumentar a participação na empresa, o que resultará em uma maior proporção na distribuição de dividendos futuros. Além disso, no longo prazo, esse reinvestimento potencializa os juros compostos, ampliando os retornos sobre o investimento.

3. Dividendo especial

Os dividendos especiais, também conhecidos como dividendos one-time, ocorrem em situações em que a empresa distribui proventos fora da agenda regular de dividendos. Em outras palavras, são dividendos não esperados, o que os torna especiais e muitas vezes bem-vindos pelos acionistas.

As empresas podem optar por distribuir dividendos especiais por diversos motivos. Por exemplo, após registrar um aumento significativo no caixa devido à venda de uma parte do negócio, a empresa decide compartilhar uma parte desses ganhos inesperados com os acionistas.

Esse tipo de provento pode ser uma boa notícia para os investidores, pois representa uma oportunidade adicional de receita fora das expectativas regulares de distribuição de dividendos. Contudo, é importante notar que os dividendos especiais não são garantidos e sua distribuição depende das condições financeiras e estratégias da empresa em determinado momento.

4. Direito de subscrição

O direito de subscrição é a preferência que os acionistas de uma empresa têm na compra de ações quando a empresa emite novas ações no mercado.

Repare que é um direito do acionista e não uma obrigação. Isso significa que você pode comprar ações para manter a sua participação acionária ou não comprar. Como a empresa emitiu novas ações, o acionista que não comprar mais ações, acaba tendo a sua participação no negócio reduzida.

5. Juros sobre capital próprio

Os Juros Sobre Capital Próprio (JCP) são bem parecidos com os proventos em dinheiro. Mas, neste caso, ocorre uma tributação de 15% de Imposto de Renda em cima do valor distribuído. A tributação ocorre diretamente na fonte, ou seja, o dinheiro cai na sua conta já descontado o imposto.

Como funcionam os dividendos?

Toda empresa tem um conselho administrativo que vai analisar, dentre outras coisas, o índice de cobertura, o que significa dizer que irão decidir se o faturamento foi suficiente para destinar uma parte aos acionistas. Esse conselho administrativo é um órgão interno da empresa e supervisiona a organização e suas atividades.

Após isso, caso o conselho decida favoravelmente à distribuição de dividendos, a decisão é protocolada na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ligada ao Banco Central. É ela a responsável pela regularização do mercado de capitais. Finalmente, a notícia de que a empresa vai pagar dividir os lucros é anunciada publicamente.

Uma característica importante dos dividendos é que, antes de seu pagamento, a empresa realiza a dedução do imposto de renda. Portanto, a remuneração que chega ao acionista é completamente isenta de imposto, já que ele já foi pago pela empresa.

Quais são as ações que pagam dividendos?

Por lei, todas as empresas listadas na bolsa são obrigadas a pagar dividendos a cada ano fiscal, caso tenham lucro. O acionista tem por direito receber em cada exercício a parcela de lucros estabelecida no estatuto da companhia.

As empresas são livres para determinar o percentual do lucro líquido que será distribuído, podendo variar de 1% a 100%. No entanto, caso o estatuto for omisso sobre o percentual, a norma estabelece o pagamento de 50% do lucro líquido anual ajustado.

Quais são os investimentos que pagam dividendos?

Os investimentos em ações de empresas e em cotas de fundos imobiliários. Além disso, alguns fundos de investimentos em ações também pagam dividendos aos seus acionistas. Isso porque recebem proventos das companhias em que têm participação.

Os Brazilian Depositary Receipts (BDRs) também costumam pagar dividendos. São recibos negociados na B3 que representam ações ou outros papéis listados em bolsas estrangeiras. Se o acionista brasileiro tem BDRs de uma empresa estrangeira que paga proventos, ele os recebe.

Como calcular os dividendos?

Para avaliar se uma empresa é uma boa pagadora de dividendos, utilizamos o Dividend Yield (DY). Traduzido do inglês significa “Rendimento do Dividendo”. Esse índice expressa o retorno dos dividendos pagos pela empresa em relação ao preço atual de suas ações.

Para calcular usamos uma equação: o valor dos dividendos pagos em uma unidade de ação dividido pelo valor das cotações unitárias da ação atualmente. Em outras palavras, basta pegar o valor que foi pago em dividendos e dividir pelo preço unitário das ações, o resultado é o rendimento de dividendo. Para colocar esse valor final em porcentagem, basta multiplicar por 100.

Vamos a um exemplo prático para entender melhor. Suponha que você possui ações de uma empresa que estão sendo negociadas a R$ 100,00 por ação, e a empresa anunciou o pagamento de R$ 7,00 por ação em dividendos.

Para fazer as contas, é só pegar o valor anunciado de R$7 reais por ação que ela vai pagar e multiplicar pela quantidade de ações que você tem. Suponhamos, então, que sejam 100 ações dessa empresa. Logo, você receberá R$700,00, e o Dividend Yield vai ser de 7%.

Utilizando esse cálculo para todas as empresas que distribuíram dividendos na sua carteira de investimentos, você poderá comparar e avaliar qual delas oferece o melhor rendimento em dividendos. Essa análise é crucial para investidores que buscam maximizar o retorno financeiro através da distribuição de proventos pelas empresas.

Como montar uma carteira de dividendos?

Para montar uma carteira de dividendos, basta seguir o passo a passo:

1º passo:

Faça um levantamento das empresas que mais pagam dividendos. Para isso, você pode usar alguns indicadores, tais como:

  • Dividend yield
  • Payout
  • Preço da ação

2ª passo:

Analise a saúde e perspectiva financeira da empresa. Não é indicado investir em uma empresa apenas porque ela paga muitos dividendos.

O ideal é optar por empresas com boa saúde financeira e perspectivas de crescimento futuro. Uma das formas de analisar uma empresa é por meio da análise fundamentalista de ações.

3º passo:

Diversifique. A diversificação da carteira de dividendos é uma forma de reduzir os riscos e aumentar as chances de altos retornos. Por isso, não invista em apenas uma empresa, aplique em diferentes empresas de setores de atuação variados.

Qual a tributação sobre dividendos?

Taxa de corretagem em dividendos

É o valor que as corretoras recebem para efetuar uma transação em conjunto com a Bolsa de Valores, podendo ser fixo ou variável e sendo definido pela própria corretora de valores.

Imposto Sobre Serviço (ISS)

Imposto Sobre Serviço, ele reflete sobre o valor da taxa de corretagem e pode variar entre 2% a 5%. Porém, essa taxa já vem embutida na taxa de corretagem na maioria das corretoras.

Taxa de Manutenção de Custódia

Cobrada para cobrir os gastos que a corretora de valores tem com a Câmara de Ações, para armazenar as suas ações; É uma taxa fixa e é cobrada mensalmente pelas corretoras.

Taxa sobre o Valor em Custódia

Essa taxa é variável e reflete mensalmente sobre as posições em aberto no último dia útil do mês. Ela é cobrada ela B3, para assegurar a guarda da suas ações.

Emolumentos e Taxa de Liquidação

São cobradas pela Câmara de Ações e pela B3. Suas quantias sustentam o registro de todas as ordens enviadas pelas corretoras. Essas cobranças são embasadas em um potencial fixo sobre o preço total negociado.

Imposto de Renda

O IR é recolhido de pessoas físicas que negociam ações cujo valor excede R$20 mil por mês. Caso você se enquadre, é cobrado 15% sobre o seu lucro com a venda.

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