7 de agosto de 2026 - por raulsena1
Você já deve ter visto por aí títulos do Banco Digimais oferecendo 135% do CDI. E, se você acompanha o mercado financeiro, sabe que uma rentabilidade tão alta assim geralmente é sinal de alerta. Tenho recebido várias mensagens de pessoas perguntando se vale a pena entrar nesse tipo de aplicação, então resolvi explicar com calma o que está por trás dessa oferta.
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Quanto realmente rende 135% do CDI?
Hoje a Selic e o CDI estão em 14,25%. Multiplicando isso por 1,35 chegamos a uma rentabilidade de 19,23% ao ano.
Para entender o que isso significa em dinheiro, imagine alguém com R$ 100 mil aplicados por um ano inteiro nessa taxa. Isso daria cerca de R$ 19 mil em juros, sobre os quais ainda incide Imposto de Renda. O problema é que, se o banco quebrar antes do fim do prazo, você para de receber. É esse risco que precisa entrar na conta.
Por que esses títulos estão sendo oferecidos?
A maioria dos investidores brasileiros estão em corretoras como XP, Rico e Clear, que fazem parte do mesmo grupo ou em plataformas ligadas ao BTG, como Necton, EQI e a própria AUVP. Quando um cliente tem digamos, R$ 350 mil aplicados em um banco que corre risco de quebrar, o assessor precisa agir.
O FGC só cobre até R$ 250 mil por instituição financeira. Então, quando o cliente está acima desse limite, o assessor liga e recomenda vender parte dos títulos, muitas vezes com desconto, para reduzir a exposição. Isso protege o cliente de uma perda maior caso o banco realmente quebre.
Como o título chega a 135% do CDI?
Aqui está o pulo do gato, o título pode não ter sido emitido a 135% do CDI. Ele pode ter começado em 115% ou 120% e foi rendendo esse percentual ao longo do tempo. Quando alguém precisa se desfazer dele às pressas, vende com desconto, e para quem compra o retorno equivalente acaba sendo bem mais alto. Quanto melhor o assessor, mais esses papéis passam a circular, porque ninguém quer levar o prejuízo para o próprio cliente quando existe a opção de deixar o FGC cobrir a conta.
Um ponto importante: o FGC não é uma instituição pública. Ele é mantido pelos próprios bancos, que fazem contribuições periódicas para financiá-lo. Ou seja, quando um banco quebra e o FGC paga os correntistas, no fim das contas são os outros bancos que dividem esse prejuízo entre si.
A injeção de capital de Edir Macedo
Um fato mudou o cenário recentemente. Edir Macedo, fundador da Igreja Universal, injetou cerca de R$ 1,5 bilhão no Banco Digimais para tentar viabilizar a venda da instituição. O objetivo é reduzir o rombo no balanço e tornar o banco mais atraente para compradores como BTG Pactual e Banco Safra.
Isso muda a equação para quem pensa em comprar esses títulos: se o banco não quebrar e for vendido para uma instituição sólida, quem investiu nesse período sai ganhando a rentabilidade combinada até o fim do contrato.
O que a Polícia Federal investiga?
A operação Miragem, deflagrada pela PF, apura suspeitas de que o Digimais inflava artificialmente o valor de seus ativos para esconder uma situação de insolvência, prática parecida com o que se viu no caso do Banco Master.
Segundo os investigadores, o esquema tinha como objetivo enganar investidores de varejo, o órgão regulador e o próprio sistema de garantia. Nada disso foi julgado ainda, então vale manter isso em mente antes de tirar conclusões definitivas.
Vale a pena investir?
Se você decidir comprar, faça isso de forma controlada. Recomendo valores baixos, algo entre R$ 10 mil e R$ 15 mil, uma quantia que você consiga ficar sem por 40 ou 60 dias sem comprometer seu orçamento. Esse é justamente o tempo que o FGC costuma levar para pagar os investidores caso o banco quebre.
Fique sempre dentro do limite de R$ 250 mil por CPF garantido pelo FGC, e evite chegar exatamente nesse teto, porque o que exceder não é coberto. Se você já está acima do limite, uma alternativa legal é vender parte dos títulos para alguém de confiança, como cônjuge ou familiar, para manter cada CPF dentro da faixa protegida.
No fim, esse tipo de título pode até fazer sentido para quem entende os riscos e investe com moderação, mas exige atenção redobrada. Rentabilidade muito acima da média sempre carrega um motivo, e cabe a você avaliar se esse motivo compensa o risco.
Quer entender melhor sobre essa questão? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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