1 de julho de 2026 - por raulsena1
O Banco Central já admitiu publicamente a dificuldade que tem enfrentado para fiscalizar o sistema financeiro brasileiro. Afinal, antes o país tinha seis grandes bancos e hoje são centenas de instituições captando dinheiro em todos os cantos. E esse ambiente, infelizmente, acaba sendo fértil para irregularidades.
Duas notícias recentes ilustram bem esse problema: um deles envolve o PicPay e o outro o Banco Digimais e é sobre esse dois casos que vamos conversar mais hoje!
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O que aconteceu com o PicPay?
Na última sexta-feira, uma operação do Ministério Público foi deflagrada para investigar um suposto esquema de fraudes na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal envolvendo a companhia. A suspeita é de que contratos antigos de crédito consignado tenham gerado descontos irregulares nos salários de servidores distritais, beneficiando empresas privadas, associações e agentes públicos.
Lembra do escândalo do INSS e daquele caso do Itaú com saques irregulares? A situação aqui é parecida. Além disso, buscas foram realizadas na casa do CEO Eduardo Shedid.
As ações do PicPay, que fizeram IPO lá nos Estados Unidos no dia 29 de janeiro de 2026, chegaram a cair mais de 50% em relação ao preço de lançamento. Ou seja, quem entrou no IPO já tomou um belo tombo.
A empresa, por sua vez, negou qualquer irregularidade. Segundo o PicPay, a antecipação salarial é um benefício gratuito oferecido diretamente pelo aplicativo, sem intermediários e sem cobrança de juros. Quando o usuário opta por receber os recursos em conta corrente é que entra uma taxa operacional, apresentada de forma clara antes da confirmação da transação.
Segundo um gestor ouvido pela reportagem do Money Times, a operação não teria impacto material nas atividades do PicPay. Mas o problema maior, nesses casos, é o efeito sobre a confiança dos investidores. Quando uma empresa opera fora dos padrões aceitáveis de governança, todo mundo começa a se perguntar: “Será que tem mais coisa podre aí dentro?”
Por falar nisso, o banco também virou alvo de uma ação na justiça americana, protocolada pelo fundo First Fight Global Opportunities, que alega que o PicPay teria omitido problemas nos seus modelos de concessão de crédito antes de estrear em Wall Street. Ser listado na SEC complica a situação porque aumenta as chances de a empresa ser processada nos EUA.
É seguro deixar dinheiro na conta do PicPay?
Todas as contas no Brasil são cobertas pelo FGC e o PicPay é registrado e regulado no Brasil. Nenhuma dessas informações diz respeito, diretamente, à segurança da instituição. A não ser que ela seja condenada e enfrente ações mais graves, não tem motivo para você sair correndo para fechar sua conta.
O caso Digimais
O Banco Digimais, que pertence ao bispo Edir Macedo, está em situação bem mais preocupante. Segundo a CNN Brasil, o banco corre risco concreto de ser liquidado pelo Banco Central após uma operação da Polícia Federal.
O modus operandi identificado é semelhante ao do Banco Master: superavaliação de ativos mediante emissão de títulos com rentabilidade desproporcional ao mercado. Na prática, funciona assim: o banco emite CDBs pagando 120%, 130% do CDI, capta dinheiro dos investidores, compra participações em empresas e reprecifica essas cotas para valores muito maiores, usando esse “patrimônio inflado” como garantia para emitir mais CDB, e assim por diante.
O Banco Central já havia identificado infrações às normas em 2023 e determinado a reversão de reavaliações patrimoniais. Mas o Digimais ignorou as determinações e, em vez de cumpri-las, firmou um contrato de compra e venda a prazo com sua controladora pelo valor de R$ 741 milhões, com pagamento previsto apenas para 2032, sem ingresso de recursos no caixa.
Antes da Polícia Federal agir, o BTG chegou a ser cogitado como possível comprador, provavelmente numa tentativa de aliviar o FGC.
Se ninguém adquirir o banco, a liquidação é considerada praticamente certa pelo mercado.
Como se proteger desse tipo de situação?
O Banco Central classifica as instituições financeiras por segmentos de risco. Os bancos S1, que representam mais de 10% do PIB brasileiro, são os mais seguros do país: Banco do Brasil, Bradesco, BTG Pactual, Caixa Econômica, Itaú e Santander.
Se um desses tiver problema sério, o Brasil inteiro quebra antes deles, o que significa que o governo nunca vai deixar isso acontecer.
Os bancos S2 também têm boa solidez: Sicoob, Banco Cooperativo CCRED, Banco do Nordeste, BNDES, Safra, Votorantim e Grupo XP.
Já nos segmentos S3, S4 e S5, a coisa fica mais variada. Mercado Pago, C6, cooperativas de crédito… Não é que sejam ruins, mas exigem mais cautela.
Se você quiser evitar dor de cabeça, mantenha o dinheiro investido nos bancos S1. Se você gosta de um banco menor pelo serviço, tudo bem, mas é importante estar atento! Deixe o saldo em conta abaixo de R$ 250.000, que é o limite do FGC.
Evite acumular CDB e saldo na mesma instituição somando acima desse valor. O FGC cobre até R$ 250.000 por CPF por instituição, e conta corrente e CDB somam juntos. Se quiser deixar o dinheiro no banco pequeno sem risco, coloque em Tesouro Selic ou em ativos custodiados na B3. Se o banco quebrar, o ativo continua sendo seu.
Quer entender melhor sobre toda essa história e como você pode se proteger? Então, assista ao vídeo em que explico melhor sobre!
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