8 de junho de 2026 - por raulsena1
Existe uma narrativa nas redes sociais de que essa mudança vai destruir a economia brasileira do dia para a noite. Mas, as coisas não são é bem assim. Existem pontos positivos reais aqui que merecem ser considerados.
O primeiro é o potencial de aumento de produtividade por hora trabalhada. O Brasil tem um problema grave de produtividade. Um trabalhador americano produz em um dia o equivalente ao que um brasileiro produz em quatro. Isso não é preguiça, é falta de maquinário, desindustrialização e uma estrutura econômica que não favorece eficiência.
Em setores onde o trabalho exige concentração, como escritórios e serviços técnicos, trabalhadores menos cansados tendem a entregar mais por hora. Isso já foi comprovado em estudos ao redor do mundo.
O segundo ponto é a redução de burnout e afastamentos. Quem trabalha na escala 6×1, muitas vezes usa o único dia de folga para ir ao médico, limpar a casa ou fazer as marmitas da semana. Não é descanso de verdade. Essa pessoa adoece mais, falta mais, processa mais a empresa ao sair. Com dois dias de folga por semana, existe uma chance real de reduzir afastamentos, processos trabalhistas e rotatividade, o que tem custo para o empresário.
O terceiro é o estímulo ao consumo. Trabalhador que trabalha seis dias seguidos não tem quando consumir. Não vai ao bar, não vai ao cinema, não viaja. Com mais tempo livre, esse trabalhador passa a girar mais a economia, especialmente nos setores de lazer e entretenimento que estão sofrendo com a geração Z, que consome menos fora de casa.
E o quarto é a pressão por eficiência e automação. Se a mão de obra fica mais cara ou menos disponível, os empresários que podem investir em automação, vão fazê-lo mais rápido. O McDonald’s já provou que o totem de autoatendimento aumenta o consumo médio por cliente. Quando a pressão chega para os pequenos, a modernização acelera.
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Existem pontos negativos
Gostaria eu de falar que não existem pontos negativos, mas eles existem e é importante falar sobre eles também!
O primeiro problema é o timing. A economia brasileira está com taxa de juros em 15% ao ano, histórico de falências acima da média e um varejo que já está sofrendo muito.
Aplicar um aumento de custo de mão de obra agora, sem nenhuma contrapartida, é jogar álcool numa ferida que ainda está aberta. Não mata o paciente, mas complica muito a recuperação.
O segundo problema é o dos dois pesos e duas medidas. O empresário brasileiro registra funcionários, paga FGTS, INSS, férias, décimo terceiro, e agora vai ter que adaptar escalas. O iFood e o Uber, que controlam ativamente as condições de trabalho de seus entregadores, são tratados como plataformas de parceiros autônomos e não precisam seguir nada disso.
O terceiro problema é o risco de empurrar ainda mais trabalhadores para a informalidade. O Brasil já tem um índice enorme de trabalho informal. Quando o custo de formalização sobe sem aumento de capacidade produtiva, o empresário pequeno simplesmente para de registrar.
O trabalhador, que precisa do emprego, aceita. E a lei que deveria protegê-lo acaba colocando ele numa situação ainda mais precária.
O quarto ponto é o aumento da pressão inflacionária. O custo dessas empresas tende a ser repassado para o consumidor. Em um momento em que a inflação já é uma preocupação e os juros estão altos justamente para contê-la, mais pressão de custo é o que menos se precisa.
O que deveria ter sido feito diferente?
Essa discussão poderia ter acontecido com mais calma e mais planejamento. Uma transição gradual, começando pelos setores mais saudáveis financeiramente e chegando depois nos mais fragilizados. Dessa forma, teria muito mais chance de funcionar na prática.
Um programa paralelo de isenção de importação de maquinário para compensar o aumento de custo com mão de obra faria sentido. Incentivos para empresas que comprovassem a mudança de escala também.
Mas nada disso foi feito. A lei avançou em ano eleitoral, sem contrapartida, sem estudo de impacto em cada setor, sem discussão com o empresariado. E isso não é só crítica ao governo atual. É uma característica histórica do Brasil de fazer política com urgência eleitoral e colher os problemas depois.
O que isso muda para quem investe?
Para quem investe na bolsa, o impacto mais direto vai ser sentido no varejo, na indústria e nos setores que dependem mais de mão de obra operacional. Empresas já alavancadas nesse momento vão sentir o aperto.
Por outro lado, as grandes empresas já têm equipes jurídicas e financeiras para provisionar essas mudanças. Elas se adaptam e com lucro consistente e baixo endividamento, não precisa entrar em pânico.
O Brasil continua sendo um bom lugar para investir. As turbulências legislativas fazem parte do ambiente. O que muda é a análise de risco por setor e a necessidade de olhar com mais cuidado para empresas muito dependentes de mão de obra com margens já apertadas.
Quer entender melhor sobre os prós e contras dessa mudança? Então, assista ao vídeo em que me aprofundo um pouco mais no assunto!
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