6 de agosto de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)

O colapso econômico é inevitável? É isso que disse o Ray Dalio, para ele, é só uma questão de tempo. E se você acha exagero, vale lembrar que ele já se posicionou certo quando o mundo inteiro estava em pânico, como, por exemplo, em 2008, na crise do subprime, quando bancos gigantes quebraram e famílias perderam suas casas. Enquanto isso, o undo de Ray, o Bridgewater, navegava tranquilamente contra a corrente.
Saiba mais: “Princípios”: ensinamentos de Ray Dalio para alcançar o sucesso
Quem foi Ray Dalio?
Ray Dalio nasceu no Queens em 1949, filho de um músico de jazz e uma dona de casa. Começou a vida ganhando trocado carregando tacos de golfe num clube de ricaços. E foi ouvindo o papo de milionários sobre ações, que resolveu se arriscar nesse mundo. Seu primeiro investimento? Northeast Airlines, a empresa foi comprada e ele triplicou o dinheiro, e pronto: fisgado pela bolsa.
Fez faculdade, MBA em Harvard e até se apaixonou por meditação transcendental. Segundo ele, foi isso que salvou sua sanidade nos momentos mais tensos do mercado. Spoiler: talvez mais do que o dinheiro na conta.
A lógica do mercado
Um dos maiores aprendizados de Ray foi perceber que o mercado não reage à realidade, mas às expectativas sobre o futuro.
A ficha caiu quando Nixon abandonou o padrão-ouro nos anos 1970 e Dalio achou que o dólar ia virar papel higiênico. No entanto, no dia seguinte, a bolsa disparou. A partir dali, ele entendeu que o mercado não se importa com fatos isolados, mas com como as pessoas reagem a eles.
E é aí que muita gente erra: não basta prever o que vai acontecer, você tem que saber como o mundo vai reagir. Quer um exemplo? Quando Trump lançou aquele tarifaço contra o Brasil, todo mundo achou que o Ibovespa ia derreter. E o que aconteceu? Sele subiu. Por quê? Porque os investidores entenderam que os EUA sairiam mais prejudicados que o Brasil. É disso que o mercado gosta: narrativas e consequências, não necessariamente lógica crua.
O início de Bridgewater
Com 26 anos, Dalio fundou a Bridgewater, uma pequena consultoria de câmbio no começo. No entanto, logo começou a atender gigantes como o Banco Mundial e o McDonald’s.
Ele era obcecado por dados, ciclos e padrões. Chegou a prever uma grande depressão nos EUA em 1982 e errou feio. Quebrou, demitiu geral e teve que pedir dinheiro pro pai. Mas foi desse tombo que nasceu a metodologia que o tornaria um dos investidores mais respeitados do planeta.
Dalio passou a registrar cada erro e desenvolver os famosos “Princípios”, base de seu livro homônimo. Ele viu a economia como uma máquina com três engrenagens:
- Crescimento de produtividade (gerador real de riqueza, mas lento),
- Ciclos de crédito de curto prazo (5-8 anos),
- Ciclos de crédito de longo prazo (40-75 anos).
Como Dalio lucrou com a crise?
Em 2006, Ray percebeu que os EUA estavam embalando dívidas podres como se fossem ouro. Taxas de juros baixíssimas incentivaram o povo a comprar imóveis sem ter como pagar. Resultado? O sistema virou uma bolha gigante.
Quando tudo estourou em 2008, com o colapso do Lehman Brothers, a Bridgewater lucrou 9,5% enquanto o mundo pegava fogo. Eles estavam posicionados em ouro, dólar e títulos do tesouro, os ativos mais seguros do planeta. Enquanto todos corriam, Ray mantinha sangue frio. Resultado? Caixa cheio e oportunidades por todos os lados.
EUA vai quebrar?
Hoje, a preocupação do Dalio é outra: a dívida pública dos EUA. São mais de US$35 trilhões. Só os juros já passam de US$ 1 trilhão por ano e aí entra o risco: se o mundo parar de confiar no Tio Sam, quem vai continuar comprando essa dívida?
Os juros subiram, a dívida explodiu e para piorar, vários países começaram a se livrar do dólar. Estão comprando ouro e fazendo acordos em moeda própria, China, Rússia e até o Brasil está nessa. A confiança no dólar, base do sistema atual, está balançando. E sem confiança, o castelo desaba.
Em 2022, os EUA deram um tiro no próprio pé ao tirar a Rússia do sistema SWIFT. A mensagem foi clara: “Se você me desagradar, eu congelo seu dinheiro”. O mundo viu e a reação foi imediata: fuga em massa para o ouro. Afinal, ninguém quer ficar refém de um clique americano.
Resultado? O ouro bateu recordes, o rublo sobreviveu e os EUA perderam um pouco da aura de invencibilidade. Se o dólar deixa de ser o centro do mundo, os EUA ficam com a dívida e sem saída.
Tenha bons ativos
Quando o investidor Ray Dalio fala, o mundo financeiro escuta. E ele tem batido firme em uma tecla: se você quer proteger e fazer crescer seu patrimônio, precisa ter bons ativos, ouro, boas empresas e, sim, até Bitcoin. O mantra é claro: diversificar para sobreviver.
Dalio sempre defendeu o ouro como um ativo real e histórico de proteção. Mas no cenário atual, onde os riscos geopolíticos estão cada vez mais evidentes, essa proteção precisa ir além.
Desde que os EUA impuseram sanções à Rússia em 2022, ficou claro para o mundo inteiro que o país pode, com um clique, congelar os ativos de qualquer nação. Foi o que aconteceu: os americanos simplesmente desligaram a Rússia do sistema Swift, o principal sistema de pagamentos internacionais. E o que parecia uma punição devastadora, não teve o efeito esperado.
A economia russa não colapsou. O rublo se valorizou e o mundo todo percebeu: o dólar não é tão seguro assim.
Resultado? Uma corrida pelo ouro. Os bancos centrais começaram a diversificar suas reservas, fugindo do dólar. A cotação do ouro disparou. E ativos como o bitcoin, que são fora do sistema tradicional, também começaram a ganhar força como alternativas de proteção.
O Santo Graal dos Investimentos
A lição de Dalio é de que não adianta prever o futuro. É melhor estar preparado para qualquer cenário. Como? Com uma carteira de 10 a 15 ativos que não se movem juntos, ou seja, que não são correlacionados entre si.
Essa estratégia, conhecida como o “Santo Graal dos Investimentos”, serve tanto para quem tem R$ 100 mil quanto para quem tem R$ 100 milhões. O segredo é combinar ativos de diferentes regiões, setores e naturezas.
Você pode mesclar empresas americanas, russas, chinesas, europeias, brasileiras, junto com ouro e criptoativos. Assim, mesmo que o mundo vire de cabeça para baixo, sua carteira continua respirando, pois todos os seus ativos são descorrelacionados.
Invista com inteligência
Se você quer lucrar mais e proteger seu dinheiro, é hora de parar de torcer por um único país ou mercado e começar a pensar como um gestor global. Não importa se você tem R$ 1.000 ou R$ 1 milhão, o princípio é o mesmo: ativos de qualidade, descorrelacionados e com exposição global.
Porque no fim das contas, o mundo pode até ficar imprevisível. Mas sua carteira não precisa afundar com ele. Quer entender melhor sobre esse pensamento de Ray Dalio? Então, assista ao vídeo completo!
E se você quer aprender como investir, como escolher esses ativos descorrelacionados e muitos mais, te convido a conhecer a AUVP, nossa escola de investimentos. Faça a sua análise de perfil e se você receber aprovação, além de utilizar um sistema inteligente para a gestão de seus ativos, você vai aprender a investir no Brasil e no mundo inteiro.
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