21 de agosto de 2025 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)

Nas últimas semanas, muito se especulou sobre as possíveis consequências da aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes e o Brasil. Boatos e interpretações diversas circularam na internet, apontando desde bloqueios comerciais e boicote de commodities até um colapso econômico e social comparável a países como Rússia, Irã e Venezuela.
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Donald Trump x Alexandre de Morais
A aplicação da Lei Magnitsky parece ter sido muito mais uma sinalização política do que uma intenção real de impor sanções amplas ao Brasil. A medida teve o efeito de “dar um recado”, principalmente ao governo, para que evite posições e declarações que possam confrontar interesses estratégicos norte-americanos.
O presidente Lula, por exemplo, vinha fazendo declarações sobre o fortalecimento do BRICS e a criação de uma moeda própria para o bloco. Embora não tenha efeito imediato, essas falas despertam atenção e reação em Washington.
A leitura mais plausível é que o gesto de Donald Trump visava pressionar e intimidar, sem escalar para um conflito comercial ou diplomático de grandes proporções.
Os EUA vão atacar o Brasil?
Algumas pessoas citaram ainda um protocolo de destruição total que os EUA teriam e que seria aplicado ao Brasil. Nesse protocolo estaria incluso a expulsão do Brasil do sistema swift, a aplicação de sanções bancárias, congelamento das nossas reservas e a exclusão do nosso sistema financeiro tecnológico, como ocorreu com a Rússia, Irã e Venezuela.
No entanto, os EUA só aplicam esse tipo de protocolo a países inimigos, que possuem programa nuclear, praticam terrorismo ou mantêm ditaduras extremas em guerra.
Entretanto, nesse caso, o Brasil está mais para um fornecedor confiável do que para uma ameaça geopolítica. Nem mesmo a Rússia foi desconectada completamente dos EUA até hoje. Por isso, é praticamente impossível que isso ocorra com o Brasil.
Tudo indica que não veremos uma ampliação drástica das medidas. No entanto, é mais provável que a situação se mantenha estável ou até recue, com eventuais pressões direcionadas a figuras específicas, e não ao país como um todo.
EUA x Brasil
É importante observar que os EUA não têm interesse em aplicar sanções dessa magnitude ao Brasil. Trump, por exemplo, sempre foi um negociador pragmático: sabia onde pressionar e onde recuar. Se tivesse ampliado as sanções para todo o país, perderia o foco sobre Alexandre de Moraes que foi, de fato, o alvo central.
Isso iria diluir a pressão política, criando resistência interna e externa.
Além disso, o Brasil é um ator fundamental no fornecimento de commodities globais, como soja, café, carne e petróleo. Atualmente, nossa produção alimenta mais de 1,5 bilhão de pessoas no mundo.
Ou seja, interromper esse fluxo seria prejudicial não apenas para nós, mas para toda a cadeia global. Inclusive para os próprios EUA e Europa, que dependem desses insumos.
As teorias também apontam para um suposto bloqueio absoluto de fertilizantes ou medicamentos, o que não se sustenta. Boa parte dos fertilizantes brasileiros vem da Rússia e da Ucrânia, não dos EUA.
Já o comércio de medicamentos, mesmo em zonas de forte sanção, costuma ser preservado por razões humanitárias. Cuba, por exemplo, nunca foi totalmente impedida de importar remédios.
Brasil vai colapsar?
Portanto, a narrativa de que o Brasil estaria às portas de um colapso humanitário é exagerada e fantasiosa. Ouvi tantos absurdos nas redes sociais nesses últimos dias, que fiquei até assustado.
A sanção, nesse caso, tem um caráter muito mais político e estratégico, direcionado a figuras específicas. Definitivamente, está muito longe dessa ideia que algumas pessoas estão espalhando na internet.
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