25 de janeiro de 2026 - por Raul Sena (Investidor Sardinha)
Nos últimos dias, cresceram as dúvidas e especulações sobre a estabilidade do sistema bancário brasileiro. A quebra do Banco Master, a demora do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para anunciar os pagamentos, a suspensão de operações envolvendo cartões e, agora, a liquidação do Will Bank pelo Banco Central levantaram um questionamento recorrente: o Brasil corre o risco de enfrentar uma crise financeira em efeito cascata? É sobre isso que vamos falar hoje!
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A expansão dos bancos digitais
Historicamente, abrir um banco no Brasil exigia o cumprimento de uma série de critérios rigorosos: elevado capital mínimo, exigências regulatórias complexas e fiscalização constante. Com o objetivo de estimular a concorrência e ampliar o acesso a serviços financeiros, parte dessas exigências foi flexibilizada ao longo dos anos.
Esse movimento foi positivo do ponto de vista da competitividade, mas trouxe um efeito colateral relevante: o brasileiro não está acostumado a ver instituições financeiras quebrarem. Diferentemente dos Estados Unidos, onde falências bancárias são mais frequentes e fazem parte do funcionamento do mercado, no Brasil esses episódios eram raros.
Com a proliferação de bancos digitais e instituições com estruturas mais enxutas, aumentou também a exposição ao risco. Muitas dessas empresas captaram recursos em um período de juros baixos, quando a taxa Selic estava significativamente menor. O problema surgiu quando o cenário macroeconômico mudou.
A elevação da taxa de juros, que chegou a patamares próximos de 15%, pressionou diretamente os modelos de negócios de bancos menores. Para atrair investidores, muitas instituições passaram a oferecer retornos elevados, como 120% ou 130% do CDI, tornando a captação extremamente cara.
Esse custo alto dificulta a concessão de crédito e compromete a sustentabilidade financeira do banco. Ao mesmo tempo, houve investimentos agressivos em marketing e expansão da base de clientes, numa tentativa de manter o fluxo de dinheiro novo entrando na instituição.
O problema é estrutural: bancos operam com alto grau de alavancagem. Em termos simples, com R$ 100 em capital, uma instituição pode emprestar várias vezes esse valor, desde que respeite os índices regulatórios definidos pelo Banco Central. Quando a captação falha, o modelo entra em colapso.
Inclusive, é provável que as regras passem por mudanças nos próximos anos. É provável que eles mudem ou a taxa de contribuição dos bancos pequenos (para que eles contribuam muito mais do que hoje) ou então os bancos que são cobertos pelo FGC, priorizando os bancões.
O BRB: um problema de outra dimensão
O caso do Banco de Brasília (BRB) é considerado mais sensível. Apesar de ser um banco regional, trata-se de uma instituição de porte maior e de natureza estatal, o que muda completamente o cenário.
Entre 2024 e 2025, o BRB adquiriu cerca de R$ 16 bilhões em ativos e carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master. Posteriormente, parte relevante desses ativos foi identificada como problemática, incluindo títulos sem lastro adequado ou com indícios de fraude.
Estima-se que aproximadamente R$ 12,2 bilhões desses ativos apresentavam graves problemas de qualidade, expondo o banco a perdas relevantes. Isso levou o Banco Central a intensificar a fiscalização e questionar o capital regulatório informado pela instituição.
Como consequência disso, o BRB ficou abaixo dos índices mínimos exigidos pelo Banco Central, como o Índice de Basileia. Diante disso, o regulador determinou:
- a recomposição do capital;
- restrições operacionais temporárias;
- acompanhamento mais rigoroso da instituição.
Risco para correntistas e investidores?
Do ponto de vista prático, não há, até o momento, uma recomendação oficial para retirada de recursos do BRB, especialmente para valores cobertos pelo FGC (até R$ 250 mil por CPF e instituição).
No entanto, para investidores com valores acima desse limite, o cenário exige cautela. Embora bancos estatais dificilmente sejam liquidados de forma abrupta, eventuais problemas costumam ser resolvidos por meio de aportes públicos, o que na prática, significa uso de recursos dos contribuintes.
Existe risco sistêmico?
Apesar do barulho recente, não existe neste momento indícios de uma crise sistêmica no sistema financeiro brasileiro. Os grandes bancos seguem capitalizados e o Banco Central tem demonstrado capacidade de agir preventivamente.
O que se observa é um processo de ajuste: instituições menores e modelos mais frágeis estão sendo testados em um ambiente de juros altos, fiscalização mais rigorosa e menor tolerância a riscos mal precificados.
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