29 de setembro de 2026 - por Raul sena
Pode parecer bizarro e realmente é, mas é exatamente isso que você leu. O IBGE vai refazer o cálculo do Produto Interno Bruto e logo após a eleição, o ano-base sai de 2010 e passa a ser 2021, e o país adota o novo padrão da ONU, o SNA 2025. É a terceira grande revisão em cerca de 20 anos, depois das de 2007 e 2015.
O efeito é direto: o PIB de 2026, estimado em R$ 13,7 trilhões na conta atual, ficaria perto de R$ 14 trilhões no novo formato. A mudança de metodologia, porém, não produz nada de novo na economia.
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Por que tráfico e bets entram na conta?
A regra é a das transações voluntárias. Quando alguém aposta ou compra drogas, faz isso por vontade própria, então a atividade entra no PIB. Ficam de fora crimes como roubo, furto e extorsão, em que não há troca voluntária. Ainda está em aberto como a corrupção será tratada.
Não é uma invenção brasileira. A Europa faz esse cálculo desde 2014 e essa troca voluntária representa a seguinte fração no PIB desses países:
- Itália: cerca de 1,5% do PIB
- Reino Unido: 0,7%
- Portugal: 0,5% (desde 2018)
- Média da União Europeia: 0,4%
O tamanho real das bets e do tráfico
A receita das bets foi de R$ 37 bilhões em 2025 (apostas, descontados os prêmios) com 25,2 milhões de brasileiros apostando. Isso equivale a cerca de 0,3% do PIB. Elas foram legalizadas há pouco tempo, e o faturamento entre janeiro e abril de 2026 foi o dobro do período anterior, impulsionado pela expectativa da Copa do Mundo.
O tráfico já é bem menor do que se imagina. Somando combustível, ouro, bebida, cigarro e outros fluxos ilícitos, chega-se a R$ 147 bilhões. A cocaína, especificamente, movimenta cerca de R$ 15 bilhões dentro do país.
E aqui está o ponto central: tráfico e bets não são o motivo real do aumento. O salto de cerca de 4 pontos percentuais vem da incorporação do Censo 2022, das notas fiscais eletrônicas e dos anos provisórios. Tráfico e bets respondem por apenas 0,5 ponto percentual.
Os números que “melhoram” sem que nada mude
Um PIB maior faz qualquer razão calculada sobre ele parecer melhor:
- Dívida/PIB: de 82,5% para cerca de 78,6%
- Meta de superávit: fica mais fácil de cumprir
- Carga tributária/PIB: cai, ou seja, parece que pagamos menos imposto
Já vimos isso em 2015, a revisão levou a dívida de 63,5% para 58,9% do PIB, sem que a dívida em si mudasse. Se não dá para bater a meta, muda-se a régua.
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O que muda para o investidor?
As agências de rating olham a dívida em relação ao PIB. O indicador melhora sem nenhum corte de gastos e fica alinhado aos padrões internacionais, o que torna o Brasil mais atraente para o capital estrangeiro. Não por acaso, a B3 já vai passar a divulgar o Ibovespa em dólar.
Em 2027, o debate deve mudar de tom. Alguém dirá que a dívida caiu, quando na verdade a régua mudou. Comparações de séries históricas sem ajuste, como PIB de 2027 contra o de 2023, vão mostrar um crescimento que não existiu. O risco fiscal e os juros seguem os mesmos. O mercado sabe fazer essa conta, mas a maior parte da população não.
Como investir em ano eleitoral?
Em períodos eleitorais, dados são maquiados de um lado e do outro, e as manchetes tentam distrair. O que importa para o investidor é quanto lucro ele coloca no bolso pelo preço que paga.
Pense em um lava-jato que rende R$ 1 milhão de lucro por ano. Comprá-lo por R$ 500 mil é muito melhor do que por R$ 3 milhões, embora o negócio seja o mesmo. Por isso, o preço/lucro (P/L), é um excelente norte para decidir se você deve ou não investir em uma empresa.
E agora, estamos vivendo um momento muito único. O receio com a política derruba preços e isso abre janelas de oportunidade, que oscilam e não duram para sempre. O preço baixo reflete a expectativa, não necessariamente o que vai acontecer.
Na reta final da eleição virão os alarmes de “ou fulano ganha ou acaba o país”. Mas, você que é investidor, não precisa entrar em bola dividida para decidir quem está certo ou errado. Por isso, tome muito cuidado com as notícias alarmantes, não invista baseado em manchetes e analise bem todas as empresas antes de realizar qualquer aporte.
Quer entender melhor sobre essa mudança no cálculo do PIB e como isso nos afeta? Então, assista ao vídeo em que explico detalhadamente sobre!
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