Como um investidor ganha dinheiro com ações?

Muitas pessoas tem dúvida sobre como é possível ganhar dinheiro com ações. Na prática, nem todos sabem como funciona e hoje vou explicar!

25 de novembro de 2024 - por Thiago


Muitos investidores têm dúvida sobre como se ganha dinheiro com ações efetivamente. Ainda mais quando falamos de comprar e segurar, não vender as ações. Como, afinal de contas, isso pode gerar algum ganho significativo? E é isso que vou explicar hoje!

Dividendos

Empresas acumulam lucros ao longo do ano, e esse montante pode ser usado de diferentes formas. A empresa pode optar por reinvestir esses recursos, impulsionando seu crescimento, ou por distribuir parte desses lucros na forma de dividendos. A segunda opção é especialmente comum em empresas mais maduras, que já não têm tantas oportunidades de aumentar seu market share ou expandir significativamente.

O processo é simples: a empresa decide o payout, ou seja, a porcentagem do lucro que será distribuída aos acionistas, e realiza a remuneração proporcional ao número de ações de cada investidor. Se você possui poucas ações, o valor recebido será menor, enquanto acionistas com participações significativas, como 1 milhão de ações, terão retornos muito maiores.

Os dividendos são uma das formas mais conhecidas de remunerar os acionistas, mas não são a única. Nem todas as empresas distribuem dividendos, especialmente aquelas focadas em crescimento, que preferem reinvestir os lucros. Quer saber quais são as outras maneiras de gerar valor para os acionistas? Confira as explicações a seguir!

Um exemplo de como o dividendo é dividido

Imagine uma empresa com lucro líquido de R$ 1 milhão que decide distribuir metade, ou seja, um payout de 50%. São R$ 500 mil para os acionistas. Se a empresa tiver 1 milhão de ações, cada ação recebe R$ 0,50. Quem tem 500 mil ações recebe R$ 250 mil.

Empresa que ainda não dá lucro não tem de onde tirar dividendo. Ela até poderia distribuir dinheiro, mas estaria devolvendo aos acionistas o que captou no mercado para crescer.

Bonificação

A bonificação é uma forma de remuneração em que a empresa distribui novas ações para seus acionistas, sem custo adicional para eles. Por exemplo, imagine que você possui 100 ações da Petrobras e a empresa decide bonificar com 1 nova ação para cada 10 já detidas. Nesse caso, você receberia 10 ações extras, sem precisar fazer nada.

Essa prática é bastante comum, especialmente entre bancos brasileiros, e pode estar relacionada a estratégias fiscais ou à intenção de aumentar a liquidez das ações no mercado. Além disso, a bonificação é uma forma de agregar valor aos acionistas sem impactar diretamente o caixa da empresa.

Comprar ação é fácil. Sustentar a carteira é o problema

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Valorização

Essa forma de remuneração é uma das mais desafiadoras de compreender. Quando você investe em uma empresa na bolsa de valores, a maioria das pessoas busca o ganho com a valorização dos ativos.

Se você compra uma ação e ela se valoriza ao longo do tempo, o valor total da sua conta de investimentos aumenta. No entanto, enquanto você não vender essa ação, o lucro não é concretizado — é apenas um ganho teórico, pois as ações continuam expostas às flutuações do mercado e podem perder valor. Ainda assim, nesse cenário, seu patrimônio está em crescimento.

Essa dinâmica pode gerar uma sensação confusa para muitos investidores. No mercado tradicional, o lucro só é obtido ao concluir uma transação, como comprar um carro por R$20 mil e revendê-lo por R$25 mil. Já no mercado de ações, quando o objetivo é construir patrimônio, os estudos indicam que ficar girando a carteira com compras e vendas frequentes não é a estratégia ideal. Esse comportamento, além de aumentar custos com taxas e encargos, tende a reduzir seus retornos ao longo do tempo.

As ações de empresas sólidas têm potencial de crescimento superior a outras opções de investimento. Portanto, quanto mais tempo você permanece desposicionado — ou seja, fora do mercado —, menor é o seu potencial de acumular e multiplicar riqueza no longo prazo.

Quando faz sentido vender uma ação?

Nesse cenário, o que você pode fazer é optar por viver dos dividendos e das bonificações recebidas ou até mesmo vender as ações que vierem como bonificação. Caso já tenha atingido o patrimônio que considera ideal, não há necessidade de continuar exposto ao mercado de ações. Você pode, por exemplo, transferir esse valor para investimentos de renda fixa, que oferecem maior segurança e previsibilidade.

Quando você atinge o objetivo de patrimônio que estipulou, a estratégia de buy and hold (comprar e manter) deixa de ser tão relevante. Ela faz sentido principalmente durante a fase de construção de patrimônio, quando o foco está no crescimento a longo prazo.

Portanto, uma das formas de consolidar os ganhos em ações, ao atingir seu objetivo financeiro, é realizar suas posições — ou seja, vender as ações — e alocar o dinheiro em ativos mais estáveis. Isso ajuda a preservar o capital acumulado e a ter uma renda mais previsível no futuro.

Dividendos e JCP pagam imposto?

No vídeo, gravado em 2024, o Raul explica a regra que valia na época: dividendos eram isentos para o investidor pessoa física, e o JCP chegava com 15% de imposto de renda retido na fonte. As duas regras mudaram em 2026.

  • Dividendos: desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270/2025, quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil em lucros e dividendos a uma mesma pessoa física no mês, há retenção de 10% de imposto de renda sobre o valor total pago no mês. Quem tem renda total acima de R$ 600 mil por ano também passou a estar sujeito à tributação mínima de altas rendas, que inclui os dividendos no cálculo.
  • JCP: a Lei Complementar 224/2025 elevou a retenção na fonte de 15% para 17,5% a partir de janeiro de 2026. O valor continua chegando já descontado.

Para quem recebe menos de R$ 50 mil por mês de cada empresa, o dividendo continua chegando sem desconto na fonte.

Juros sobre capital próprio

Em dado momento criou-se uma forma de deduzir impostos da empresa em uma distribuição de capital que é o chamado juros sobre capital próprio. E isso, nada mais é do que um dividendo de uma empresa que está buscando um ganho fiscal.

Entra na sua conta como dividendo, mas com imposto de renda retido na fonte: 15% até 2025 e 17,5% desde janeiro de 2026. E por que as empresas fazem isso? O JSCP não é considerado uma distribuição de dividendos, então ele entra na linha de custos da empresa e com isso, ela consegue diminuir o lucro dela e consequentemente, paga menos impostos.

E é basicamente isso! Ficou com alguma dúvida a respeito? Então, assista ao vídeo completo em que explico melhor sobre!

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Perguntas frequentes

Quais são as formas de ganhar dinheiro com ações?

São quatro: dividendos (parte do lucro distribuída aos acionistas), bonificação (novas ações entregues sem custo), valorização (o preço da ação sobe) e juros sobre capital próprio, o JCP.

Preciso vender a ação para ganhar dinheiro?

Não necessariamente. A valorização aumenta o seu patrimônio mesmo sem venda, embora o lucro só se concretize quando você vende e o preço possa cair até lá. Na fase de acumulação, comprar e vender com frequência tende a aumentar custos. Vender faz mais sentido quando você atinge o patrimônio que queria ou quando uma ação passa a ocupar uma parte grande demais da carteira.

Dividendos pagam imposto de renda?

Até 2025, eram isentos para a pessoa física. Desde janeiro de 2026, pela Lei 15.270/2025, quando uma mesma empresa paga mais de R$ 50 mil em dividendos a uma mesma pessoa física no mês, há retenção de 10% na fonte sobre o valor total. Abaixo disso não há retenção, mas quem tem renda anual acima de R$ 600 mil entra na tributação mínima de altas rendas.

Quanto de imposto é descontado do JCP?

O imposto de renda é retido na fonte: eram 15% até 2025, e a Lei Complementar 224/2025 elevou a alíquota para 17,5% a partir de janeiro de 2026. O valor já chega líquido na sua conta, e basta informá-lo na declaração anual.

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